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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR

O Clube dos Poetas Trovadores Capixabas, CTC foi fundado por Clério José Borges com base numa idéia do escritor Eno Theodoro Wanke. O CTC hoje é sucesso mundial!

A TROVA NO ESPÍRITO SANTO

Texto do Escritor Paulo Monteiro (Passo Fundo, RS)

Paulo Monteiro (A Trova no Espiríto Santo)

ANTIGÜIDADE DA TROVA NO ESPÍRITO SANTO

Para alguns, a prática da trova no Espírito Santo inicia-se com o padre José de Anchieta (1534/1597). De alguns poemas do "Apóstolo do Brasil” podem ser derivadas trovas, embora, ao que se saiba, não tenha sido um trovador no sentido moderno da palavra, ao menos de várias trovas. Dele, inclusive, conhecemos uma trova em tupi:
"Sarauájamo oroikó
Kaápe orojemoñánga
Orojú nde mornóranga
Oré aíba reropó."
A tradução desta trova é: "Vivemos como selvagens, somos filhos da floresta, viemos saudar-te, renunciamos aos vícios”.

Note-se que a rima é do tipo ABBA, não aceita pela maioria dos trovadores contemporâneos. Sabemos que a trova tem todo um passado ligado à imprensa, especialmente de maneira satírica, o famoso epigrama, como se dizia.

A imprensa no Espírito Santo é senhora de um passado glorioso. Assim, muitas trovas devem ter sido famosas, repousando nas coleções dos velhos jornais capixabas.

ANTES DO CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS

Mais recentemente poderíamos citar a publicação do CANCIONEIRO CAPIXABA DE TROVAS POPULARES, em 1949, onde Guilherme dos Santos Neves reuniu trovas colhidas diretamente do povo, em pesquisas por ele realizadas, e de duas pequenas coletâneas anteriores: uma de Afonso Cláudio, em 1923, e outra de uma colaboradora anônima de "A Província do Espírito Santo”, em 1889.

O livro do Guilherme dos Santos Neves é uma coletânea de 1000 trovas populares, isto é, recolhidas do folclore.

O primeiro livro contendo exclusivamente trovas literárias, ou seja, de autor conhecido, foi publicado por Solimar de Oliveira, em 1957.

A obra, um volume do 9cmX12cm, com 40 páginas, chama-se SANGRANDO LÁGRIMAS... São 95 trovas de Solimar e uma tradução de autor cujo nome não é revelado.

O convívio de Solimar com a trova, porém, vinha do longe.

É ele que nos conta da exposição do fotografias das principais paisagens de Vitória, organizada pelo fotógrafo Paes, com uma série de trovas, de que tomaram parte intelectuais especialmente convidados por aquele artista.

Isso foi em 1935 e Solimar lembra dos seguintes nomes: Ciro Vieira da Cunha, Almeida Cousin, Alvimar Silva, Nilo Aparecida Pinto, Solimar de Oliveira, João Bastos, Teixeira Leite, Jair Amorim, entre outros.

Solimar faz questão de lembrar o nome de Manoel Teixeira Leite, notável poeta, jornalista e trovador, já falecido.

Outra empreitada trovista de Solimar, agora junto com seu irmão Heralto de Oliveira, falecido, foi a organização de uma antologia do trovadores de Cachoeiro de Itapemirim, Iá por 1942/1943.

Essa coIetânea não chegou a ser publicada e os originais acabaram definitivamente perdidos.
Alguma coisa desse livro foi, contudo, divulgada mais tarde por Heralto, sob o pseudônimo de Vilamor.

Em 1950 Solimar passou a corresponder-se com Luiz Otávio e colaborou efetivamente com o futuro autor de MEUS IRMÃOS, OS TROVADORES.

A fundação do Grêmio Brasileiro do Trovadores (GBT), em 8 do janeiro de 1958, é um dado importante na história do Trovismo.

O GBT foi a primeira entidade nacional de trovadores, se bem que por trovador entendesse, ainda, os poetas de cordel e os repentistas e congregasse violeiros numa verdadeira arca do Noé, com bichos do todo pelo.

O GBT fez-se presente no Espírito Santo, basicamente, através de três trovadores: Evandro Moreira, Paulo Freitas e o experimentado Solimar de Oliveira.

Quando os trovadores (da quadra), em 20 de agosto de 1966, rompendo com a estrutura quase folclórica do Grêmio Brasileiro de Trovadores, fundaram a União Brasileira de Trovadores (UBT) os representantes da antiga entidade no Espírito Santo, passaram para a nova casa de trovadores.

Em 1967 são realizados dois jogos florais: um em Alegre e outro em Cachoeiro de Itapemirim.

Depois disso, a prática da trova no Espírito Santo restringiu-se às atividades isoladas de uns poucos abnegados, até que se fez alguma coisa pelo Trovismo, pelos fins dos anos sessentas e inícios da década iniciada em 1970.

Que fale, pois, o professor José Augusto Carvalho, ex-delegado municipal da UBT e organizador da UBT de Vitória:

Trabalhei, realmente, pelo Trovismo em Vitória, em meados da década de 60, entre, talvez 1966 e 1968, e cheguei a manter uma coluna semanal no jornal A GAZETA, de Vitória, informando sobre trovas e angariando simpatizantes do movimento, graças ao incentivo maior de Joubert do Araújo Silva e Hilário Soneghet, este já falecido e exímio sonetista. Mas, assim que foi fundada a seção capixaba da UBT, como a diretoria eleita era toda de Vila Velha, cidade vizinha 12km da capital, o movimento se transferiu para lá e, em 1980, se tornou no Clube dos Trovadores Capixabas (...)“.

Foi essa seção da UBT de Vila Velha que, em 1971, organizou um concurso de trovas sobre PELÉ.


Que o Brasil todo enaIteça,        (1º lugar Vila Velha/ES 1971)
tanto a Rui, como a PELÉ.
Se um o honrou pela cabeça,
o outro o honrou usando o pé.


Autor:Cesídio Ambrogi (Natividade da Serra, 22 de maio de 1893 — Taubaté, 27 de julho de 1974). Considerado um dos maiores nomes da intelectualidade valeparaibana do século XX. Foi professor, escritor e jornalista. Poeta eclético, sonetista emérito, além de notável trovador.


Depois disso as coisas silenciaram-se. Até 1980, felizmente.

CONCURSOS E FLORAIS

ALEGRE

Em 1967 foram realizados os I JOGOS FLORAIS DE ALEGRE, graças ao trabalho intenso de um jovem e abnegado poeta: EVANDRO MOREIRA.

Mobilizando a comunidade alegrense e contando com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Alegre, então administrada pelo prefeito Antonio Lemes Júnior, Evandro pode levar a bom termo aquele importante evento cultural.

Dois eram os temas: ALEGRIA e FRATERNIDADE. Não havia delimitação de gêneros (humorismo, lirismo, etc.).

No primeiro tema foram premiadas as seguintes trovas:
.
1º lugar - DURVAL MENDONÇA:
Brilha o rosto de Maria
na gruta pobre de Iuz
ante a suprema alegria
de ser a mãe de Jesus.

2º lugar - JOUBERT DE ARAÚJO SILVA:
Retrata a imagem da vida
a moenda rude e inclemente:
- Chora a cana, ao ser moída...
- range a moenda, contente!

3º lugar - SOLIMAR DE OLIVEIRA:
Nesta existência a alegria,
experimenta e verás!
Está na doce poesia
de todo bem que se faz...

4º lugar - FERRER LOPES:
Alegria... ó alegria!...
afinal, quem é que a tem?
- Tendo a barriga vazia,
nem tu, nem eu, nem ninguém.

5º lugar - JOSÉ VALERIANO RODRIGUES:
Minha alegria não passa
de uma risada bem cheia,
que fica logo sem graça
se a dentadura bambeia.

6º lugar - JOSÉ MORCEF CAMPOS:
Alegria, algo fremente
Que se não pode ocultar;
ou grita no riso quente,
ou brilha na luz do olhar.

7º lugar - MARIA DE LOURDES SANTOS:
Alegria é corno as águas
de um remanso cismador
que passam levando as mágoas
dos que padecem do amor...

8º lugar - CIRO VIEIRA DA CUNHA:
Do teu amor (quem diria?)
que só três meses durou,
resta a saudade - alegria
da tristeza que ficou...

9º lugar - SANTIAGO VASQUES FILHO
Alegria do operário
dura pouco, é reduzida:
- a lei que aumenta o salário
dispara o custo de vida.

10º lugar - SEBASTIÃO NORONHA:
Por mais que sofra, na luta
em que se esforça e porfia,
quem cumpre o dever desfruta
a verdadeira alegria.
No tema FRATERNIDADE, classificaram-se as seguintes trovas:
.
1º lugar - MARIO MORCEF CAMPOS:
Ama! Até sentir, então,
batendo no peito imerso,
o coração do universo
no teu próprio coração.

2º lugar - JOUBERT DE ARAÚJO SILVA:
Segue, filho este caminho
se queres ser bom cristão:
- Bebe menos do teu vinho,
- reparte mais o teu pão.

3º lugar - HERALDO LISBOA:
Fraternidade... quem dera
fosse outro o barro da gente,
pois se semente não gera
não cabe culpa à semente.

4º lugar - SOLIMAR DE OLIVEIRA:
Fui leal. Ouvi parolas.
Fui fraterno. Amigo. Irmão.
E hoje quase peço esmolas
depois de ter dado pão.

5º Iugar - LILINHA FERNANDES:
Fraternidade ultrajada
ainda mais se santifica.
Se a árvore boa é podada,
com mais vigor frutifica.

6º lugar - ATHAYR CAGNIN:
Indiferente à maldade,
vou traçando de alma ungida,
o giz da fraternidade
no quadro negro da vida...

7º lugar - DURVAL MENDONÇA:
Vive louca a humanidade
sempre em termos de agressão:
- invoca a Fraternidade
com a baioneta na mão.

8º lugar - MARIA HELENA:
Dá um riso aberto em dia
Se o pobre te estende a mão:
- Que às vezes uma alegria
É mais pão que o próprio pão.

9º lugar - SOLIMAR DE OLIVEIRA:
Neste exemplo se descobre
a Fraternidade, irmão:
- um pobre com outro pobre
dividindo o próprio pão.

10º lugar - NORDESTINO FILHO:
Fraternidade, meu bem,
só se diz Fraternidade
quando, aIém da caridade,
não se faz mal a ninguém.
.
CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

Cachoeiro de Itapemirim é uma terra de bons poetas. Poucas cidades do interior brasileiro poderão orgulhar-se de, ao longo de sua história, apresentar tantos e tão bons poetas, quanto a terra de Rubem Braga.

Ali, entre 1966 e 1967, foram realizados Os I JOGOS FLORAIS DE CACHOEIRO, organizados pela Academia Cachoeirense de Letras, “sob os auspícios da Municipalidade, por isso decorrentes da Lei Municipal nº 054, de 16 de maio de 1966”.

Tudo isso sob o comando do incansável Solimar de Oliveira, então presidente da ACL.

Esses jogos constaram de cinco prêmios ou concursos diferentes, a saber:
Prêmio Benjamim Silva”- Trovas - 657
“Prêmio Newton Braga” - Poemas - 526
“Prêmio Rubem Braga” - Crônicas - 65
"Prêmio ClaudionorRibeiro”-Contos- 52
"Prêmio Bernardo Horta” - História - 2
TOTAL 1303

Finalmente, para alegria dos organizadores, após vasto programa, no dia 7 de setembro de 1967, foram entregues os prêmios aos vencedores.

Nunca o Espírito Santo tivera uma promoção cultural tão vasta e expressiva, tais foram as atividades constantes do programa e cumpridas britanicamente.

Estas foram as trovas vencedoras:
.
1º lugar - COLBERT RANGEL COELHO:
Noivado no mundo inteiro
Foi sempre assim entre os dois:
O noivo espera primeiro,
A noiva espera depois.

2º lugar - MANUELA ABRANTES:
Eu vejo no teu vestido,
mulher esbelta e risonha,
tanta falta de tecido
com falta de vergonha.

3º lugar - COLBERT RANGEL COELHO:
Eu não sei se o sol desponta
Ou se ainda é madrugada...
Quando estou por tua conta
Não dou conta de mais nada.

4º lugar - CARLOS MANUEL DE A. S. ABRANTES:
Amor, embora sensato,
Sem dinheiro, desconsola...
É como usar bom sapato,
De polimento, sem sola!

5º lugar - PAULO EMÍLIO PINTO:
Que luta quando eu a vejo
tão sedutora e inocente!
Já viu respeito e desejo
brigando dentro da gente?

6º lugar - HÉLlO C. TEIXEIRA:
Alma, que sonhas na altura,
vendo a beleza dos astros,
tornas maior a tortura,
de andar na terra de rastros!

7º lugar - COLBERT RANGEL COELHO:
Quando a gente perde o tino,
Como perdi de repente,
Uma mulher sem destino
Faz o destino da gente.

8º lugar - APARÍCIO FERNANDES:
Neste exemplo se presume
um prêmio às almas formosas:
Fica sempre algum perfume
nas mãos que oferecem rosas.

9º lugar - CARLOS MANUEL DE A. S. ABRANTES:
Na vida, constantemente,
a mulher se contradiz,
às vezes diz o que sente,
mas nunca sente o que diz.

10º lugar - DAVID DE ARAÚJO:
Bendito de quem consome
da vida os anos a fio,
dando pão a quem tem fome
e agasalho a quem tem frio.
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VILA VELHA

Vila Velha, como já dissemos, também teve seu concurso de trovas, uma promoção modesta e menos ousada que as anteriores. Em 1971, sob o tema PELÉ.

0 vencedor do I CONCURSO DE TROVAS DE VILA VELHA, organizado pela UBT local, foi o saudoso trovador Cegídio Ambrogi, de Taubaté, com esta trova:
-
Que o Brasil todo enaIteça,
tanto a Rui, como a PELÉ.
Se um o honrou pela cabeça,
o outro o honrou usando o pé.
-
CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS

Conforme vimos, antes, a UBT não teve uma existência muito fértil no Espírito Santo.

Parece que ela não se transformou no Clube dos Trovadores Capixabas (CTC) como disse o professor José Augusto Carvalho.

Da UBT, no Espírito Santo, porém, sobrou o exemplo que, tal qual a Fênix, renasceria no CTC.
Esse exemplo sobrou principalmente em/e para o penúltimo presidente da UBT de Vitória e Vila Velha, um jovem de 20 anos, nascido em 15 de setembro do 1950: CIério José Borges de Sant`Anna.

Não nos é difícil compreender - a nós que vivemos experiência semelhante - quanto pesa ver alguma coisa em que se depositou todo o desprendimento juvenil tombar sob a guilhotina inexorável dos acontecimentos.

Então, CIério José Borges, entre seus compromissos de trabalhador, chefe de família e estudante, passou a freqüentar bibliotecas à cata de materiais relacionados com a trova no território capixaba.

Numa dessas idas e vindas, em busca de informações úteis aos seus planos de pesquisa, na Biblioteca Pública de Vitória, deu de cara com “O TROVISMO”, um Iivro de Eno Teodoro Wanke, historiando o movimento dos modernos trovadores brasileiros.

Visto que ali quase nada se encontra com relação à trova em terras espírito-santenses, Clério José, feito uma fera, escreveu ao autor do livro.

Acabaram ficando amigos.

Dessa amizade surgiu a idéia de reativar o movimento em torno da trova em terras capixabas.
Sabe-se que CIério José pretendia uma entidade basicamente local. Somente “capixaba". Aos poucos se convenceu de que era necessário criar vínculos entre os trovadores capixabas organizados e trovadores de outras plagas.

Esclareça-se que o CTC entende, "para efeito de inscrição no Clube, como capixaba o (trovador) nascido no Espírito Santo e os que residam no Estado".

Assim é que o Clube dos Trovadores Capixabas foi fundado em 1º de juIho de 1980.

ATIVIDADES DO CTC

CONCURSOS NACIONAIS

A primeira atividade do Clube dos Trovadores Capixabas, que o projetou nacionalmente, foi o I CONCURSO DE TROVAS DA CIDADE DE VITÓRIA.

A realização do evento ficou sob responsabilidade do CTC e da Federação Cultural do Espírito Santo.

Dois foram os temas apresentados aos concorrentes: CAPIXABA, para as trovas humorísticas, e ANCHIETA, para trovas laudatórias, com referência ao padre José de Anchieta, há pouco beatificado.

Os três primeiros colocados, no primeiro tema, com as respectivas trovas:
-
1º lugar - ZÉ DE ÁVILA:
Na casa de um capixaba
se a gente chega sem pressa,
a pressa logo se acaba
quando a conversa começa.

2º lugar - JOÃO FIGUEIREDO:
Festa no Espírito Santo...
Quem for mineiro não vai.
- Você, aí nesse canto...
- Eu sou Capixaba... Uai.

3° lugar - IZO GOLDMAN:
O Capixaba garante
que sua terra é um encanto:
- Espírito tem bastante...
- o que falta mesmo é... Santo...
-
Já sob o terna Anchieta os três primeiros lugares ficaram assim distribuídos:
-
1º lugar - RANGEL COELHO:
Anchieta, pelo que diz
seu evangelho de luz,
foi o FRANCISCO DE ASSIS
das terras de Santa Cruz.

2º lugar - ALOÍSIO BEZERRA:
Lá no céu muito chorou
ANCHIETA, e tem chorado
que o índio, a quem tanto amou
no Brasil só tem penado.

3º lugar - VICENTE NOLASCO COSTA:
Vitória dos meus encantos
coração do meu planeta,
venero, dentre teus santos,
o grande santo ANCHIETA.
.
No dia 4 de outubro do 1980, no Teatro Carlos Gomes, de Vitória, em sessão solene, foram entregues os prêmios aos vencedores desse primeiro concurso, e diplomas aos sócios fundadores e sócios de honra presentes.

Logo depois, a Fundação Cultural foi extinta e o livro com as trovas - quarenta ao todo - vencedoras do CONCURSO DE TROVAS DA CIDADE DE VITÓRIA ficou sem patrocinador.

CONCURSOS INTERNOS

Uma outra característica marcante do Clube dos Trovadores Capixabas é a realização quase que permanente de concursos internos de trovas. Estes elevaram-se a cinco no primeiro ano do existência do CTC.

O primeiro desses concursos foi realizado em novembro de 1980, obedecendo ao tema GASOLINA, para trovas humorísticas.

Foram recebidas 54 trovas e o resultado oficial foi este:
-
1º lugar - BEATRIZ ABAURE:
Num posto de álcool na esquina,
diz um bêbado que passa:
- Isto que é gasolina!
- Tem cheiro até de cachaça.

2º lugar - VICENTE NOLASCO COSTA:
Sobe o gás e sobe o óleo,
gasolina é todo dia.
Quanto mais sobre o petróleo
mais aumenta a mordomia.

3º Iugar - JOÃO FIGUEIREDO:
O preço da gasolina
Vai subir mais (e não bufe!)
até que jorre da mina
o petróleo do Maluf...

4º lugar - ALYDIO C. DA SILVA:
Na crise da gasolina,
tive um lampejo de estalo:
Deixo o carro na oficina
e vou andar a cavalo.

5º lugar - VICENTE NOLASCO COSTA:
Vou vender tudo que pego.
Vou trocar rádio e buzina,
ou botar tudo no prego
ou ficar sem gasolina.
-
Receberam menções honrosas as seguintes trovas, por ordem alfabética de seus autores:
-
Se acabar a gasolina,
melhor é ficar na roça:
Lá não tem gente granfina,
todo mundo usa carroça...
ÁBNER DE FREITAS COUTINHO

Gasolina eu pus de lado
pois era um gastar sem fim,
e o carro a áIcooI hidratado
bebe quase igual a mim...
BEATRIZ ABAURRE

Vamos cavar, gente fina,
tentar óIeo encontrar.
Pois carro sem gasolina,
"alcoólatra”... vai ficar.
VALSEMA RODRIGUES DA COSTA

Hoje dei em pagamento
um tanque de gasolina
por um lindo apartamento
com garaje e com piscina.
VICENTE NOLASCO COSTA

Derivado do petróleo
que o capixaba assim glosa:
- Sendo "óleo", contém álcool,
sendo líquida é "gasosa".
ZEDÂNOVE TAVARES
-
Este concurso contou com o valioso apoio do CORREIO POPULAR, de Cariacica, onde é editada uma coluna dedicada à trova, sob responsabilidade de CIério José Borges.
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O II Concurso Interno do CTC teve NATAL como tema, e foi realizado em dezembro de 1980.

O vencedor desse concurso foi João Figueiredo, residente no Rio de Janeiro, com esta trova:

Nascer, morrer! Coisas certas.
Que no Natal vêm à Iuz:
Os Magos levando ofertas
E Cristo levando a Cruz.



O III Concurso Interno do CTC, realizado entre janeiro e fevereiro do 1981, teve dois temas: COLOMBINA, somente para os sócios fundadores da entidade, e CARNAVAL, para os sócios correspondentes, isto é, nem capixabas de nascimento ou residentes no Espírito Santo, mas “correspondentes’ da entidade noutros Estados.

Venceram-no, com as respectivas trovas, os seguintes trovadores:


Tema COLOMBINA:

1º lugar - MILSON ABREU HENRIQUES:

Fui Pierrot num Carnaval
num outro fui Arlequim.
Mas Colombina afinal
fez um palhaço de mim.

2° lugar - J. CABRAL SOBRINHO:

"A Colombina fatal",
(ouvi dizer num forró),
foi gíria de Carnaval
do tempo de minha avó.

3º lugar - ARGEMIRO SEIXAS SANTOS:

O Carnaval de hoje em dia,
em verdade, desatina.
É carnaval sem poesia,
sem PIERROT, sem COLOMBINA.

4º lugar - BEATRIZ ABAURRE:

Com um tema que fascina
eu tentei fazer poesia:
Foi um sonho, Colombina!
Não passou de fantasia...

5º lugar - NEALDO ZALDAN:

Já não se brinca com “Lança”,
nem confete ou serpentina.
Mas todos têm na Iembrança
uma linda Colombina.

Menção Honrosa - ÁBNER DE FREITAS COUTINHO:

Na folia, a Colombina,
sempre marca, onde estiver
com graça bem feminina,
a presença da mulher...


No CARNAVAL, o vencedor foi o trovador cearense ALOÍSIO BEZERRA. Eis a trova:


Pela imensa Carestia,
Tolhendo a paz nacional,
Seria bom, Oh! Seria...
Não houvesse carnaval!


Aloísio classificou-se ainda em terceiro lugar, Carlos de Alencar em segundo e quinto e Carlos Ribeiro Rocha, em quarto.

Já o IV Concurso Interno, realizado entre fevereiro e março de 1981, com tema único PÁSCOA, teve como três primeiros colocados, com as seguintes trovas, os trovadores abaixo:


1º lugar - FERNANDO ANTONIO LIMA CASTOR:

A Bíblia, sagrado arquivo,
mostra a PÁSCOA aos fariseus...
JESUS CRISTO redivivo,
voltando aos braços de DEUS.

2º lugar - ARGENTINA LOPES TRISTÃO:

Páscoa da Ressurreição,
do sacrifício, da dor.
Ficou-nos grande Iição:
- A glória eterna do amor.

3º lugar - ARGEMIRO SEIXAS SANTOS:

Depois da morte, Jesus
surge para a redenção.
É PÁSCOA feita de Iuz
iluminando o cristão.


Finalmente, o V Concurso Interno do CTG respeitou o tema "Cinco de maio - Dia das Comunicações e do Expedicionário".

As trovas concorrentes, julgadas por uma comissão de donas de casa, somaram 46. Venceram-no as seguintes trovas:


1º lugar - CARLOS RIBEIRO ROCHA:

Contra o poder arbitrário
foi lutar sem covardia,
o nosso Expedicionário...
- Cinco de maio é seu dia!

2º lugar - ÁBNER DE FREITAS COUTINHO:

Quem se isola, se angustia
abra a mente, meu irmão,
Cinco de Maio é o dia
de ter comunicação...

3º lugar - ARGEMIRO SEIXAS SANTOS:

Cinco de Maio me apraz
por seu festejo correto,
a comunicação faz,
do mundo menor, mais perto.

4º lugar - ALOÍSIO BEZERRA:

Cinco de Maio: Que Glória!
Lembrando realizações!
Nacional dia da História
Dessas Comunicações!

5º lugar - AMAURY DE AZEVEDO:

Mês de maio, dia cinco,
dia da Comunicação,
quando os homens com afinco
lutam por mais união.

Menção Honrosa - JOSEFINA DA SILVA CARVALHO:

Mês das comunicações,
cinco de maio é o dia
das grandes inovações,
trazendo sabedoria.


CONCURSOS INFANTIS

Dentre as atividades do CTC no campo dos concursos de trovas merecem destaque aquelas que se relacionam à preocupação do Clube em divulgar a trova e sua prática junto às crianças.
Aqui temos que salientar a coIaboração de Milson Henriques, apresentador do programa infantil “A GAZETINHA”, DA TV GAZETA, de Vitória.

Milson, que também é trovador, tem sido o promotor maior desses concursos, entre crianças de até 15 anos, o primeiro dos quais foi realizado em janeiro de 1981, com ótima participação, obedecendo ao toma FÉRIAS.

Eis os cinco primeiros colocados:


1º lugar - RONALD HELMUT CEKAL:

Sempre que chegam as férias,
saio, correndo, a brincar,
alegremente, sorrindo,
como um pássaro a voar.

2º lugar - MÁRCIA HILDILENE MATHEILO:

Fazer trovas sobre férias?
Que idéia mais maluca.
Nas férias quero passear,
Brincar, descansar a cuca.

3º lugar - TATIANA BAHIENSE FREITAS:

Ah! Se fosse-me possível
alguém estudar por mim.
Eu teria sempre férias,
seriam férias sem fim...

4º lugar - SIRLENE SILLER SIQUEIRA:

Minhas férias serão tristes,
pois não tenho onde morar.
Eu vivo num orfanato
e aqui terei que ficar.

5º lugar - SIRLENE SILLER SIQUEIRA:

Nas minhas férias deste ano
caso sério aconteceu:
Fui brincar co`um cachorrinho
e o danado me mordeu.


Para esse I Concurso de Trovas do programa infantil “A GAZETINHA”, foram enviadas mais de duzentas trovas.

O II Concurso, sob o tema PROFESSORA, teve urna concorrência significativa e, nos primeiros lugares, esta classificação:


1º lugar - ELIVANI TEIXEIRA (9 anos):

Eu disse pra professora
que estava um pouco cansada.
Como eu sou pexinho dela
a matéria não foi dada.

2º lugar - GERUZA APARECIDA FERECHI (14 anos):

Minha vida de criança
esta escola iluminou
com as letras do alfabeto
que a professora ensinou.

3º lugar - SAYONARA FREITAS CAMPOS (14 anos):

Eu quero ser professora,
passe o tempo que passar.
Tudo aquilo que aprendi
vou com carinho ensinar.


Mas os concursos de “A GAZETINHA" não pararam. O terceiro obedeceu ao tema PASSARINHO.

O BEIJA-FLOR

BEIJA-FLOR é o nome do Boletim Informativo do Clube dos Trovadores Capixabas.

Seu primeiro número foi publicado, em mimeógrafo à tinta, em outubro de 1980, com tiragem de 300 exemplares.

Beija-Flor - ficamos sabendo através de uma nota desse primeiro número - é "o pássaro que lembra a cidade capixaba de Santa Teresa, o Museu “Melo Leitão” e o cientista Augusto Ruschi..."

Poderíamos anotar algumas características do BEIJA-FLOR.

Destacamos estas duas:

1 - Ao lado de notas de economia interna da Entidade: novos sócios, doações, elogios, etc., publica trovas e notícias gerais de interesse para todos os trovadores;

2 - Divulgando endereços de trovadores é um vigoroso instrumento par a integração dos poetas da quadra.
LIVROS

Quando, em 1980, foi realizado o I Concurso de Trovas da Cidade de Vitória, a Fundação Cultural do Espírito Santo prometeu editar um livro com as trovas premiadas.
Posteriormente esse órgão dedicado à cultura foi extinto.

Aliás, em nossos tempos de usinas atônicas e foguetes carregados com ogivas nucleares, as instituições públicas voltadas à cultura desaparecem num piscar de olhos.
Extinto aquele órgão, o CTC partiu para a publicação da obra em forma de mutirão poético, cada um dos autores pagando parte do valor da edição.
Na obra, além das trovas vencedoras daquele concurso foram incluídas quadras de vários associados do Clube.

BALANÇO DAS ATIVIDADES

É mister que se faça uma análise rápida de todas as atividades desenvolvidas pelo Clube dos Trovadores Capixabas em seu primeiro ano de existência.

Em primeiro lugar, poderíamos destacar uma das características marcantes do Trovismo: a realização de concursos de trovas.

Aqui vemos o CTC filiado à prática tradicional dos concursos de trovas e, por outro lado, apoiado pela televisão - esse veículo de comunicação de massas tão importante quanto suspeito por muitos, e preocupado com a divulgação da trova junto às crianças.

Este é um dado novo e valioso, que merece reflexão e análise de todos aqueles que se preocupam com a prática da trova.

Por outro lado, pelas características próprias do BEIJA-FLOR, tem, o CTC, cuidado em criar um relacionamento mais direto e fraterno entre os trovadores.

Quanto aos concursos infantis de trovas, essa prática salutar desenvolvida pelo Clube dos Trovadores Capixabas, tem passado a ser uma característica também de novéis seções ubeteanas no Espírito Santo.

O “CASO ZEDÂNOVE X ENO”

O I Concurso de Trovas da Cidade de Vitória teve uma comissão julgadora respeitável. Proporcionou, contudo, um episódio inédito na história da trova.

Em 27 de novembro de 1980 o jornal A GAZETA, de Vitória, publicava o artigo “AS NOTAS DO ENO”, de Zodânove Tavares.

Nesse artigo o ex-presidente da UBT de Vitória, que foi um dos juizes do concurso, conta que Eno Teodoro Wanke, outro juiz do mesmo concurso, deu zero a duas trovas concorrentes, entre outras.

Eis o que diz Zedânove:

"(...)
Vejamos uma das trovas concorrentes:

“Cá, na área da pobreza,
Vitória muda de nome:
ela é chamada Tristeza,
em meio a um povo com fome”.

Nota do Eno: zero. Alegação: “canárea”. Isso mesmo. Ele alega que o “Cá, na área” é uma cacofonia. Sem comentários.

Vejamos outra:

Anchieta e Giordano Bruno
foram irmãos, santos são,
filhos do mesmo Deus, uno,
que não tem religião”.

Nota de Eno: zero. Alegação: anticlerical".

Mais adiante Zedânove segue suas acusações contra as notas atribuídas por Eno a trovas onde ocorriam fenômenos de sinérese (como An-chie-ta) ou diérese (An-chi-e-ta), polemizando em torno dessas questões bastante complexas de metrificação.

A resposta de Eno Teodoro Wanke veio pelo mesmo jornal, dia 20 de dezembro de 1980, em artigo que foi repetido dia 31 de dezembro daquele mesmo ano.

Após perguntar: "que melhor elogio se pode fazer a um juiz de concurso de trovas do que dizer que foi rigoroso, ou seja, de querer contribuir para um bom resultado final?”, continua seu trabalho revelando assuntos de economia interna do Concurso, quanto à forma de atribuição de notas às trovas concorrentes e reafirmando seus pontos de vista quanto à sinérese e à diérese, já expostos em obra de sua autoria. Prosseguindo em sua defesa, assevera, referindo-se às trovas lembradas por Zedânove: “Não sei de quem são tais trovas, e nem desejo saber, pois julguei foi a trova e não os trovadores. As duas como se verá são chochas e prosaicas, totalmente desinspiradas. Observem:

Cá na área da pobreza,
Vitória muda de nome:
ela é chamada Tristeza
em meio a um povo com fome.

Além daquela “canária da pobreza”, que destrói a trova logo do início, a imprecisão de linguagem é notável. Parece vagamente urna trova de protesto. Renovo meu zero.

Anchieta e Giordano Bruno
foram irmãos, santos são,
filhos do mesmo Deus, uno,
que não tem religião.

Esta trova dá o que pensar em matéria de coisa mal feita. Há dualidade de contagem silábica. No primeiro verso, conta-se “An-chie-ta e Gior-da-no”. O autor utilizou, portanto, de sinérese. Contou tanto “Anchieta” e "Giordano” como tendo três sílabas. Poderia ter contado quatro: “An-chi-e-ta” e "Gi-or-da-no”, forma que Zedânove diz, em seu artigo, preferir. Mas contou três. Sucede que, para ser coerente, deveria, no último verso, utilizar-se do mesmo recurso: "religião” (outra dessas palavras-armadilhas) deveria ter sido contatada como tendo três sílabas fônicas, e não como está, para contentar a metrificação, com quatro (...).

Mas tem mais. Vejamos o sentido da trova, a mensagem que deseja transmitir. Acho que tomar Giordano Bruno, o filósofo irrequieto, envolvido primeiro num caso de assassinato quando monge dominicano em Roma, depois expulso pelos calvinistas quando se tornou um deles, e ainda por cima excomungado pelos protestantes, sempre procurando brigas e discussões filosóficas, e terminando, come se sabe, preso e queimado pela Inquisição, e compará-lo ao meigo Anchieta, o exemplo da submissão, que tudo abandonou - pátria, família, a vida mais fácil - para servir a Deus, servindo aos nossos indígenas, acho “forçar a barra”. Nenhum dos dois foi nem é santo. Anchieta foi apenas beatificado pela Igreja. E dizer que Deus não tem religião é, para mim, um paradoxo tão divertido que até estou utilizando para um clec. Outro zero para esta trova!”

Aém desses dois artigos, o veterano trovador A. Isaías Ramires, um dos mestres da trova no Espírito Santo, concorreu à discussão, com duas publicações, em jornais de Cariacica e Alegre.

Felizmente esse episódio desagradável ficou em quatro artigos.

Quanta às questões levantadas por Zedânove Tavares, analisando "as notas do Eno”, parece-nos que prevaleceu a emoção sobre a razão. Caso contrário não teria partido para a análise técnica da confecção trovística, onde Eno foi cem por cento correto. Antes teria censurado as explicações ideológicas: ter desclassificado uma trova par considerá-la anticlerical.

Um agnóstico tem o dever de reconhecer a beleza do uma trova mística, religiosa ou qualquer outro nome que se lhe dê, quando for bela, e um cristão, por sua vez, tem o dever de reconhecer a beleza de uma trova, mesmo anticlerical. Com isso não queremos dizer que a trova em pauta seja bela.

Dizíamos que, nessa polêmica, Zedânove talvez tenha entrado mais com a emoção porque a primeira trova é de autoria do veterano trovador Andrade Sucupira, seu pai.

Quanto à segunda, embora, seguindo a mesma “linha poIêmica” da primeira, desconhecemos sua autoria.

Felizmente, repetimos, o "Caso Zedânove x Eno”, conforme batismo de A. Isaías Ramíres, é caso encerrado.

A UBT

Nos primeiros meses de 1981 graças aos esforços de Clério José Borges, começaram a surgir representações da União Brasileira de Trovadores no Espírito Santo.

A primeira seção fundada foi a de Vitória, no dia 30 de março. Seu presidente, o advogado Carlos Dorsch, contando com a presença, em sua diretoria, dos trovadores: Eurídice de Oliveira Vidal, Elmo Elton, Clério José Borges, José Wiliam de Freitas Coutinho, Eymard Cardoso de Barros, Argemiro Seixas, Matusalém Dias de Moura, Luiz Carlos Braga Ribeiro, Albécio Nunes Vieira Machado, Fernando Buaiz e Vicente Nolasco Costa.

Essa representação da União Brasileira de Trovadores foi instalada em conseqüência do trabalho de proselitismo desenvolvido por Clério José Borges, desde os inícios de 1980, delegado municipal da UBT em Vitória.

A segunda seção da UBT, no Espírito Santo, surgiu em 25 de abril de 1981, na cidade de Vila Velha.

Ali, também, esteve presente o esforço de Clério José Borges, pois o delegado local da UBT, Andrade Sucupira, por urna questão do foro íntimo, é bastante descrente quanto a entidades trovadorescas.

A UBT de Vila Velha ficou sob a presidência da professora Valsema Rodrigues da Costa e as demais funções da diretoria distribuídas entre os seguintes trovadores: Erasmo Cabrini, Rosalva Fávero, Irene Ramos, Argentina Lopes Tristão, Vicente Costa Silveira, Solange Gracy Barcelos, Tânia Mara Soares, Verany Maria de Souza, Julieta Lobato Barbosa, Aldinei Fraga de Carvalho e Inis Brunelli.

Em Vitória, CIério José Borges manteve o boletim informativo ESTANDARTE, que continuou sendo editado sob a responsabilidade da seção ubeteana local, o mesmo acontecendo em Vila Velha, com Andrade Sucupira, que criou o CANELA-VERDE.

Mas não ficou apenas aí a penetração da UBT, que conquistou representações em Cariacica, com Nealdo Zaidan, em Serra, com Anselmo Gonçalves, e em Cachoeiro de Itapemirim, com Byron Tavares.

Além disso, foram surgindo delegacias da UBT em outras cidades.

Saliente-se que as seções da UBT, em Vitória e Vila Velha, seguindo os caminhos abertos polo CTC, já de início, realizaram concursos estudantis de trovas, sob os temas ALUNO e MÃE, respectivamente.

Eis aqui o resultado oficial do Concurso Infantil de Trovas, promovido pela UBT de Vitória:

1º lugar - CARLA CRISTINA JUFFO (13 anos):

Não ligo que o mundo rode
se minha MÃE ficar bem.
E penso como é que pode
gostar tanto assim de alguém.

2º lugar - SHEISE BARROSO (14 anos):

Quem é esta bela criatura
que Deus fez com perfeição?
Mãe, grande e linda figura
guardada em meu coração.

3º lugar- MANOEL S. DA ROCHA MONTEIRO (9 anos):

Quando te vejo, mãe amada,
Fazer tranqüila o crochet,
me lembro da "Mãe Sagrada”
que parece com você.

4º lugar - SONIA MARIA COSTA (I3 anos):

No céu escolhi uma estrela.
No jardim escolhi a flor.
No mundo escolhi uma mãe,
para ser meu grande amor.

5º lugar - ADRIANA R. DA COSTA (8 anos):

A minha mãe é mulher
e é mulher “maravilhosa”!
Dá mil voltinhas por dia
tentando ajudar suas filhas.

Menções honrosas, foram conferidas às seguintes trovas:

I - Uma criança veio ao mundo
porque uma Mãe assim o quis,
sendo surdo, sendo mudo
ficará sempre feliz!
MARISA HORTA (14 anos)

II - Mãe, palavra angelical,
Nos faz pensar em amor.
O amor que dá é total.
Vem direto do Senhor.
MARISA HORTA (14 anos)

III - Minha Mãezinha querida,
Te amo mais que outras mil.
Peço a Deus para abençoar
todas as mães do Brasil!
ADRIANA DA CONCEIÇÃO SANTOS (11anos)

IV - Mãe, teu nome pequenino
- amor, ternura, perdão.
Ele é um poema divino
escrito em meu coração.
FABÍOLA TRANCOSO CARVALHO (13 anos)

V - Para a mamãe, neste dia,
eu vou lhe dar uma flor,
a bela flor da alegria
e junto a rosa do amor!
ANA LIZA R. DA COSTA (11anos)

VI - Ser mãe é ser como a flor,
ser a flor mais colorida.
É a flor de um grande amor;
é o amor da minha vida!
ANDRÉ ANDERSON DE OLIVEIRA (11 anos)

VII - Minha mãe, minha alegria,
meu tesouro grandioso.
vou guardá-lo com carinho
porque é muito valioso.
ROSINETE ALVES MATIAS (16 anos)

VIII- Flores, mamã, pra você
é tudo que tenho em mim.
A culpa é sua porque
fez do minh`alma um jardim.
MARTA HELENA VANCONCELOS (11 anos).

IX - E quem respeita à menina
à futura mãe respeita.
Mãe é linda obra divida
a for mais bela e perfeita.
VIVIANE GARCIA (11 anos)

X - Ser mãe não é brincadeira,
não é somente viver.
É subir, descer ladeira,
é lutar pra não morrer!
MARILDA LIMA NASCIMENTO (12 anos)
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Pintura de Marcus Nati = Mimoso do Sul.
Cidade situada no Estado do Espírito Santo,
possui 14 mil habitantes e é também aonde ocorre
o Festival da sanfona e da viola no distrito de
São Pedro do Itabapoana.
O “Fim” do CTC

Um fato bastante desagradável para o Trovismo ocorreu durante as festividades do primeiro aniversário do Clube dos Trovadores Capixabas, entre os dias 1º e 3 de julho de 1981.

O CTC preparou festividades bastante sérias, com prestação de contas de sua diretoria, no dia 1º; palestras de Rodolfo Coelho Cavalcante e Eno Teodoro Wanke, no dia 3.

Lamentáveis foram os fatos ocorridos após a palestra de Eno Teodoro Wanke. Ali o autor afirmou, após aludir à dificuldade da missão que lhe foi imposta ao ser convidado para pronunciar uma das conferências:

Sobre o que escrever então? Sobre a História e as realizações do CTC? Isso cabe ao Clério, que, melhor do que ninguém, saberá recolher os dados e os expor num relatório que deixará muita gente perplexa com o quanto se pode fazer em tão pouco tempo. "

Pois Clério, com todo o dinamismo que é capaz, conseguiu neste curto ano, colocar a trova em seu verdadeiro caminho, o caminho da rosa. Suas realizações não se limitam ao CTC, mas também à UBT, com o renascimento da seção de Vitória, de Serra e diversas delegacias. Além disso, conquistou para a trova novos espaços, tanto nos jornais, como na televisão, nas escolas, como em boletins especializados, bem escritos e recheados de inovações e notícias sobre o mundo trovista. Realizou e provocou não sei quantos concursos. Foi um ano “de abertura” para a trova, não só em terras capixabas, mas em todo o Brasil. O CTC está ressuscitando aquele impulso que levava a trova milenar, na década de 1960, a ser considerada o centro do um movimento literário de grandes proporções, com o apoio de todos os grandes jornais do Rio de Janeiro, e repercussões no público de lá e outros centros.

Realmente, se pode parecer aos capixabas que o movimento do CTC é apenas regional, local, na verdade não é assim. Na correspondência que recebo, de todas as partes do Brasil, se fala, com escandalosa freqüência, e sempre em termos de admiração e louvor, no “Beija-Flor”, desde os mais recatados jornais provincianos, até os mais descabelados boletins vanguardistas. Acho que isto é o que vale, para a trova. É preciso não cair no nefelibatismo em que se encontra hoje a UBT, que deveria dar o exemplo de abertura e união, como abertamente escrevi em meu livro “O Trovismo”, da página 407 a 418, sem “meias palavras”. A UBT, lamentava eu, em resumo, tomara o caminho (também válido, porém parcial) de só promover festas e jogos florais, quando qualquer movimento artístico ou literário tem que, necessariamente, envolver o púbIico, agitá-lo, principalmente através dos meios de comunicação, divulgando as produções geradas, interessando e abrindo o caminho para os novos, pois de sangue novo é que se faz a renovação, e renovação é que dá continuidade ao movimento”.

Mais adiante, após historiar a forma com que se encontrou com Clério José Borges, escreve:
"Clério (...) com seu jeito objetivo de resolver as coisas, pediu-me orientação de como "ressuscitar" o trovismo em terras capixabas. Matutei. Que dizer a ele? Seria cômodo mandá-lo "engatar-se” na UBT, tornando-se mais uma sucursal do “turismo” ubetista. Não confundir tal "turismo” com o turismo de massa, aquele que é uma indústria, que traz dinheiro à terra onde é exercido. O turismo da UBT é elitista, exercido por uma certa quantidade do trovadores, dentro do círculo fechado onde estão as informações sobre os concursos. É tão fechado esse círculo, que mesmo os trovadores interessados, como eu, na trova, não conseguem facilmente o acesso a tais informações. Cheguei mesmo a assinar, certa vez, um desses boletins de UBT, enviando um cheque em favor do presidente local, conforme as instruções de assinatura do próprio Informativo, e babau! Não recebi nem o dinheiro de volta, nem uma explicação (...).

Por isso, que me perdoem os amigos que, felizmente, possuo em grande quantidade dentro da UBT, mas eu não poderia, naquele momento, honestamente, colocar este jovem e dinâmico líder sob a tutela do um órgão fechado. Ora, existia na ocasião, o Clube dos Trovadores do Vale do Paraíba, do meu amigo Francisco Fortes, que, independente da UBT, e por ela criticado por isso mesmo, estava fazendo algum movimento. Lembrei-me, baseado nesse exemplo salutar, de propor ao Clério, não a filiação à UBT, mas a criação de um Clube independente, local, que com o tempo, poderia se estender por todo o Brasil, (como aliás, sucedeu à UBT, entidade baseada no GBT, criado por Rodolfo Cavalcante em Salvador, em 1958)".

Essas colocações de Eno Teodoro Wanke, quanto à UBT, revoltaram o trovador Joubert de Araújo Silva, capixaba, que já foi alto dirigente da UBT Nacional.

Eis o que conta José Borges Ribeiro Filho, em artigo publicado no jornal A GAZETA, de 29 de julho de 1981: "Agora, em A Gazeta de 18 do Julho de 1981, leio o artigo intitulado “Desparabéns" de autoria do Sr. Eno Teodoro Wanke, autor dos livros: "A Trova Popular", “A Trova”, “A Trova Literária” e "Trovismo”, em que é denunciada a ingerência de um determinado trovador ligado à UBT Nacional, e que já se encontrava em Vitória há vários anos e nada fez pela trova nesse período, para extinguir o CTC. Estive no último dia do Seminário Nacional da Trova realizado em Vila Velha, no dia 3 de julho e lá observei a movimentação de determinado trovador, defendendo interesses da UBT Nacional, em tentar acabar com o CTC. Lembro-me bem que, quando procurava argumentar suas idéias o citado trovador foi interrompido bruscamente pelo poeta Andrade Sucupira que de alto e bom som afirmou “enquanto eu viver, o CTC não morrerá. Ninguém vai acabar com o CTC”.

José Borges Ribeiro Filho comete um engano ao afirmar que Joubert de Araújo Silva encontrava-­se em Vitória há vários anos. O trovador de Cachoeiro de Itapemirim reside no Rio de Janeiro e se encontrava em vitória desde inícios de 1980.

Após esses incidentes, CIério José Borges afastou-se definitivamente da União Brasileira de Trovadores, através de uma "CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA UBT NACIONAL NO RIO DE JANEIRO", publicada no CORREIO POPULAR, de Cariacica, número referente à semana de 11 a 23 de julho de 1981.

Inicialmente, historia as atividades do CTC, sua nomeação para delegado da UBT em Vitória (mesmo com a presença de Joubert no Espírito Santo) e a organização da UBT em solo capixaba. Depois afirma:

O CTC continuou com suas promoções, realizando concursos internos, expedindo o informativo BEIJA-FLOR e promovendo a realização do concurso REI, PRÍNCIPE e MADRINHA dos trovadores capixabas, no qual os sócios do CTC tiveram oportunidade de votar em diversos nomes. O concurso foi lançado por esta coluna, no dia 16 de janeiro de 1981 (Nota: Clério José Borges refere-se à coluna “Trovas e Trovadores”), no CORREIO POPULAR e no dia 21 de janeiro de 1981, no JornaI TRIBUNA DO POVO, da cidade de Guarapari. No dia 30 de janeiro, nova divulgação foi feita no jornal CORREIO POPULAR, onde, inclusive, sugeríamos que Elmo Elton era um candidato nato, assim como Zedânove Tavares, Paulo Freitas e Evandro Moreira. O jornal CORREIO POPULAR, que é enviado a todos os sócios do CTC, pareceu-me o jornal ideal para o lançamento do tal concurso, posteriormente divulgado no Beija-Flor, onde colocamos, inclusive, uma cédula de votação.

O concurso foi realizado com a eleição de Elmo Elton, a minha e a de Andrade Sucupira. À exceção da minha escolha, realizada como uma homenagem ao meu modesto trabalho, considerei a eleição feita, democraticamente, bastante justa. Elmo Elton é membro da Academia Espírito-Santense de Letras e tem vários livros publicados. Paulo Freitas e Evandro Moreira, que também concorreram ao título de rei, são integrantes da Academia Espírito-Santense de Letras e possuem vários livros publicados. Como a promoção foi do CTC, entidade cultural independente, achamos tudo altamente válido.

Agora, surge um elemento estranho ao CTC a criticar o concurso, como se desejasse ter sido escolhido rei, só por ter o título do Magnífico Trovador dos Jogos Florais do Nova Friburgo. Não é bastante conhecido como trovador no Estado e nem pertence à Academia Espírito-Santense de Letras.

Está pregando a discórdia entre os trovadores capixabas e, o que é pior, o aniquilamento e a extinção do CTC. Chegou a propor-me que acabasse com o CTC, que ele incentivaria a criação de novas seções da UBT no Estado e posteriormente seria formado um conselho estadual da UBT, no qual meu nome seria indicado para presidente. Esta atitude revoltou-me e, aqui, dirijo-me a V. Sa., renunciando a quaisquer vínculos que ainda me unam à UBT
”.

A seguir, reafirmando suas ligações com Eno Teodoro Wanke, ex-alto dirigente da UBT Nacional, hoje condenado pela entidade, acrescenta:

O CTC realmente foi criado com base numa idéia de Eno Teodoro Wanke. Todavia não obedece e nem está servilmente colocado a serviço do senhor Eno Wanke. Apenas o admiramos corno escritor e, por isto, promovemos sua vinda a Vitória, onde brindou-nos com uma magnífica palestra, tendo, na oportunidade recebido, juntamente com Rodolfo Coelho Cavalcante, o título de MAGNÍFICO TROVADOR, dado pelo CTC e o título de sócio de honra da UBT de Vila Velha, conferido pela trovadora Valsema Rodrigues da Costa, numa demonstração de que nós, os capixabas, estamos acima de fofocas e intrigas (...)".

Temos, aí, historiado a partir de documentos, o que aconteceu com a proposta de extinção do CTC, feita por Joubert de Araújo Silva.

Cremos que se está passando com o Trovismo um fenômeno que ocorre com as correntes religiosas provenientes da mesma origem ou com os partidos marxistas. Para os integrantes de quaisquer uma das primeiras, apenas os membros da sua confraria irão para o céu (ou sei lá para onde acreditem que irão), pois estão com a verdade; para os integrantes dos partidos marxistas apenas os militantes da sua organização têm capacidade de modificar o mundo, pois estão certos e os outros errados...

Esse fenômeno, na análise das idéias sociais tem um nome: Sectarismo; na análise da Literatura, chama-se Aulicismo.

No caso do movimento dos trovadores contemporâneos apenas os de determinada entidade (seja qual for) estão agindo corretamente e são os melhores.
Parece que os trovadores esqueceram-se de que seu padroeiro (São Francisco de Assis) sempre se guiou pela humildade.

Quanto aos títulos de "sócio de honra”, outorgados pela UBT de Vila Velha parece-nos que eles fogem ao que dispõe item 7, do artigo 55, do “REGIMENTO INTERNO GERAL DA UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES”, publicado no jornal "TROVAS E TROVADORES", nºs 20-21, set-out de 1967, que foi "Órgão Central da União Brasileira de Trovadores”, onde assegura que “São atribuições dos Presidentes Estaduais: (...) 7 - Propor e assinar títulos de Sócio Benemérito e Honorário, previamente aprovados pelo Conselho Estadual”.

Evidentemente, a trovadora Valsema não tem culpa se a edição daquele Regimento estiver esgotada.

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TROVAS E TROVADORES

Monte H, em Piúma (ES). Tela da
Escola Municipal de Educação Fundamental
Álvaro de Castro Mattos
ÁBNER DE FREITAS COUTINHO

Ábner de Freitas Coutinho, que também usa o pseudônimo de Percy Guido, é advogado e economista. Natural do Santo Antônio, Estado do Mato Grosso, onde nasceu no dia 15 de dezembro de 1926. Reside há mais de duas décadas no Espírito Santo. É professor e integra diversas instituições culturais.
Caravelas portuguesas,
mensageiras da História
foram, levando incertezas,
voltaram cheias de glórias...

Se poupança a gente encara,
logo descobre a verdade:
nossa metade mais cara
é nossa cara metade..

Meu pai, figura esquecida,
eterno semblante mudo,
o que fiz em minha vida
só a ti eu devo tudo...

Se pensar no seu irmão,
um instante, por favor,
sentirá no coração,
renascer fraterno amor!
ALBERTO ISAÍAS RAMIRES

Alberto Isaías Ramires é capixaba de Vila Velha, onde nasceu em 8 de setembro de 1924. Um dos mais representativos trovadores do Espírito Santo. Há vários anos residente no Rio de Janeiro. Militar (Capitão Rh do Exército). Autor de diversas obras e membro de várias instituições culturais do país. Ganhador de vários concursos literários.
Quando eu morrer, por favor
coloquem na minha cova
um epitáfio de amor
escrito em forma de trova!

Da vida, pelos caminhos,
uma coisa aprendi bem:
a roseira dá espinhos,
mas nos dá rosas, também...

Por nascer pobre, o Divino
num gesto compensador,
despertou, em meu destino,
a lira de trovador...

Não entendes meu desgosto,
mas aprende esta lição:
nem sempre pomos no rosto
as mágoas do coração.

Via-a rezando, contrita,
com os olhos fitos no céu.
Quanto pecado escondido
debaixo de um fino véu!...

Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém...

Lá se foi a meninice,
meu barquinho do papel,
minha ingênua peraltice,
meu doce Papai Noel...
ALYDIO C. DA SILVA

Alydio de Carvalho e Silva pertence a diversas entidades culturais do país. É natural de Santa Cruz, Espírito Santo, onde nasceu em 11 de abril de 1917. Industriário aposentado, reside há quase 30 anos, fora de seu estado natal. Além de poeta é romancista. Autor de centenas de trovas e outros poemas. Tem vários livros inéditos e participou de diversas antologias.
Vi num jornal estampado
o perigo que há no beijo.
Antes ser contaminado
do que morrer de desejo.

Quando passei pela estrada
e ouvi teu canto distante,
senti que a mágoa passada
reviveu naquele instante.

Carnaval, fraternidade
transitória e resumida,
onde se esconde a verdade
dos sofrimentos da vida.

Se passas muito apressada,
fugindo à minha atenção,
eu sinto a tua pisada
esmagar meu coração.

É doce morrer no mar...
Cayme receita a dose.
Só Cristo pra transformar
tanta salmoura em glicose.
AMAURY DE AZEVEDO

Também usando o pseudônimo de Yruama, Amaury de Azevedo, capixaba de Alegre, onde veio à luz em 1º de agosto de 1935, é comerciante e reside em Campos, no Rio de Janeiro. Mesmo afastado de sua terra natal, há mais de 27 anos, Amaury continua mantendo intercâmbio com poetas do Espírito Santo.
O capixaba não nega
O que lhe pedem com jeito.
Também não foge do pega,
Estufando logo o peito.

Quando toda a Cristandade
Vê passar mais um Natal,
Surgem novas esperanças
De uma paz universal.
ANDRADE SUCUPIRA

José de Andrade Sucupira é sergipano de Pacatuba. Há mais de 35 anos reside no Espírito Santo, onde militou na imprensa e foi funcionário público. Hoje está aposentado e reside em Vila Velha. Desde os anos 30 faz trovas, divulgando-as pelas páginas dos vários jornais em que trabalhou. É um dos Príncipes da Trova Capixaba, escolhidos pelo CTC. Nasceu em 22 de junho de 1909.
Meu espelho mostra a cara
sem vergonha, encarquilhada,
no corpo setenta anos,
muita canseira, mais nada.

Pela tapera da vida
O homem nasce lutando.
Luta, luta, lida, lida
e morre... sempre esperando.

No Brasil, coisa mais feia,
e coisa que mais consome...
Poucos de barriga cheia
e a maioria com fome.

Esses seus olhos traquinos
e vivos, vivos de mais,
têm nossos céus nordestinos
no verde dos coqueirais.

Sempre amar. Eis a verdade
do berço de qualquer vida.
Se o amor não tem idade...
Venha aos meus braços, querida!

Saudade... doce ternura,
espinho que se bendiz,
flor que fere com doçura
e deixa a gente feliz.
ANSELMO GONÇALVES

Pertencendo a diversas entidades culturais e por sua prática em favor da trova, Anselmo Gonçalves, capixaba de Vitória, onde nasceu em 21 de abril de 1929, é um dos mais atuantes trovadores do Espírito Santo. É funcionário público estadual e colabora na imprensa de sua terra natal.
Meu coração bate, insiste,
vai sacudindo, batendo.
A tudo ele bem resiste,
mas continua doendo.

Vela branca passa ao largo
Lá fora, longe, no mar.
Sua vida, sem embargo,
morre distante do lar.

Uma vida! Nosso amor
degringolou de repente.
Caiu da planta uma flor
resta a lembrança somente!

Toda tua indiferença
não consegue me vencer.
Sou todo amor e sou crença,
sou vida, e sou bem-querer!
ANTONIO TAVARES SUCUPIRA

Nascido em Vitória, no dia 12 de outubro do 1956, Antonio Tavares Sucupira é filho do trovador Andrade Sucupira. É, no campo profissional, engenheiro civil, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.
Saudades dela? Talvez?
Se se pudesse voltar
Eu nasceria outra vez
Com a mesma mãe para amar.

E um certo amigo dizia
À sua cara-metade:
Já fui preso, que ironia!
Por querer a liberdade.

Seria o mundo feliz
E só haveria glória
Se todo o povo da terra
Nascesse aqui em Vitória.
ASSUMPÇÃO BOTTI

Manoel Assumpção Botti nasceu em Vitória no dia 15 de agosto do 1916. É advogado. Autor de muitos poemas e trovas.
Que não me empolgue a subida,
Que a humildade viva em mim,
Que eu suba sempre na vida
Sem me esquecer de onde vim.

Se pintor eu pintaria
A vida com duas cores:
Um pingo azul de alegria
Num fundo roxo de dores.

Quantos contrastes abriga
Minha existência bizarra:
Obrigado a ser formiga,
Eu que nasci pra ser cigarra.

Os meus tristes olhos baços
Do que sou dão a medida:
Um coração em pedaços
Num corpo quase sem vida.
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Pintura de Lucy Aguirre
CARLOS JOSÉ CARDOSO

Fluminense, Carlos José Cardoso é bancário e reside há pouco tempo em terras capixabas. Cursou Contabilidade e Filosofia, que não chegou a concluir. Nasceu em 2 de abril de 1953.

Coração, amante louco,
E que carrega em seu cerne,
De toda verdade um pouco
Que Deus, amando, concerne.

Traze-me, vento da noite,
Toda a paz que a alma precisa.
Afasta de mim o açoite
Dando-me amor por divisa.

Nem tudo na vida tende
Àquilo que nós queremos;
A vida de Deus depende,
A sorte, nós a fazemos.

Vento que passa em meu rosto
Lembra teu beijo, querida,
Traz ao meu corpo o desgosto,
Dando-me em ti nova vida.

CLÉRIO JOSÉ BORGES

Clério José Borges de Sant`Ana é capixaba de Vila Velha, onde nasceu em 15 do setembro de 1950. É funcionário público estadual e professor. Está concluindo cursos de Direito e Pedagogia. Poeta e jornalista. É a figura máxima do trovismo capixaba, nos dias de hoje, por seu dinamismo. Organizou algumas coletâneas com outros trovadores.

Que mimo, estás a meu lado
Tão próxima, tão fagueira,
Enquanto eu embaraçado
Fico mudo a noite inteira.

São luzes de certo os sonhos
cheios de graça infinita
a iluminar-nos risonhos
na escuridão da desdita.

O belo luar prateado
e as estrelas cintilantes
formam conjunto encantado
na FOLIA dos amantes.

ELMO ELTON

Elmo Elton dos Santos Zamprogno é natural de Vitória, cidade em que vejo à luz em 15 de fevereiro de 1925. Poeta e ensaísta, é autor de diversas obras. Durante vários anos residiu no Rio do Janeiro. Recentemente retornou ao Espírito Santo e foi eleito Rei dos Trovadores Capixabas.

Conheço bem teu valor,
trilhamos igual caminho:
- Sei que te chamam de flor,
mas, nessa flor, quanto espinho!

Minha filha, não te iludas
com os beijos que te vão dar,
que os descendentes de Judas
estão em todo lugar.

Este pranto, sentimento,
deixa eu chorá-lo, tristonho,
que ele alivia, óleo bento,
a cicatriz do meu Sonho.

Anda a caçar pirilampos,
e, se consegue prendê-los,
desses insetos faz grampos
para enfeitar os cabelos.

Bate este sino, às novenas,
chamando o povo à oração:
- meu coração bate, apenas,
chamando por Conceição!

ELVIRO DE FREITAS

O médico Elviro Athayde de Freitas, nascido em Vitória no dia 21 de março de 1914, é exímio sonetista e autor de um grande número de trovas, verdadeiramente antológicas. Entre outras entidades culturais, pertence à Academia Cachoeirense de Letras.

Pede-nos, Nosso Senhor,
Que amemos os inimigos.
E eu pergunto se, a rigor,
Amamos nossos amigos...

A quem, dos moços, deplora
O tino, um lembrete eu dou:
Todos nós somos, agora,
O que um menino traçou.

Dentro da frase singela,
Uma profunda lição:
É melhor acender vela
Que xingar a escuridão.

Se nos víssemos assim
Como os outros vêem a gente
Este mundo tão ruim
Seria tão diferente...

Falam com tanta insistência
Em amor, em amizade
E, com a mesma freqüência,
Haverá sinceridade?

EVANDRO MOREIRA

Na histórica cidade de Cachoeiro de Itapemirim, o poeta Evandro Moreira nasceu. Advogado, jornalista e cronista, pertence a muitas entidades culturais do país e do exterior. É funcionário do Banco do Brasil. Sua data do nascimento: 27 de novembro de 1939. Publicou diversos livros, em prosa e verso. É um dos maiores divulgadores da literatura em terras capixabas.

Se beijo desse sapinho,
como tanto se apregoa,
sua boca, meu anjinho,
era beira de lagoa.

Quis brincar o meu destino
com meus sonhos de ilusão:
- Deu-me um rosto do menino
e de um velho o coração.

Pretendo ser nesta lida
humilde como a candeia
que, esquecendo a própria vida,
ilumina a vida alheia.

Quando sofro ingratidão,
em lamentos não demoro,
porque tenho um coração
que descanta o mal que choro.

Para quem sonha é mais leve
suportar a realidade.
O encanto de um sonho breve
disfarça a rude verdade.

Perdi-me na curva infinda
deste mundo de meu Deus,
por partir sem ter ainda
toda a luz dos olhos teus.

A saudade mais dorida
somente a pode explicar
quem espera, toda vida,
a quem não pode voltar.

As margens do rio são
sinuosas como o veio...
por isso é que minha mão
tem a forma de teu selo.

Não maldigas todo o mundo
por uma pena sofrida.
- O sofrimento profundo nos
faz entender a vida.

Por ironia ou maldade,
por outras coisas sutis,
quem busca felicidade,
é quase sempre infeliz.

Convento da Penha, em Vila Velha, ES. Pintura de Sérgio Câmara
J. CABRAL SOBRINHO

O poeta José Cabral Sobrinho nasceu em Afonso CIáudio, Espírito Santo, em 30 de março de 1935. Há mais de 20 anos vive longe de sua terra natal, mas não perdeu o contato com a literatura espírito-santense. Trovador atuante e hábil sonetista. É militar da ativa do Exército Brasileiro.

Nesses sertões sofredores,
onde a seca se renova,
com a Fé dos sonhadores
cultivo safras do trovas.

Voando por entre as flores,
o beija-flor, todo dia,
numa profusão de cores,
é um exemplo de harmonia.

- Se o colega me permite
que um conselho seja dado,
é sempre bom que se evite
a trova de pé-quebrado.

Não há quem não fique roxo
de agonia, na parada,
ao ver um soldado coxo
marchando em cadência errada.

JOÃO MOTTA

João Motta nasceu em Cachoeiro de Itapemirim em 1881. Foi apenas jornalista e poeta, sendo que a maioria de suas produções literárias foram perdidas. Informa Evandro Moreira que, no ano do 1966, o jornalista Trófanes Ramos reuniu o que pode da vasta produção do poeta no livro "Poesias do João Motta". Foi um poeta marcado pelos ideais libertários, tanto que o jornal "O Cachoeirense”, por ele dirigido, foi empastelado em 1906. Faleceu no dia 14 de fevereiro de 1914.

Aos sons da meiga cantiga,
folgava, sonhava e ria...
Muitas vezes, boa amiga,
chorando mesmo, sorria...

Sonhos do amor ela teve,
eu creio... também passaram,
ligeiros, e, nem de leve,
um rastro sequer deixaram...

No céu de sua existência
nenhuma nuvem tristonha...
Havia em toda a esplendência,
ridente manhã risonha...

Que te importa que desabe
o mundo? A vida seguindo,
padeces rindo! E, quem sabe?
Talvez que morras sorrindo..

Ide, sonhos de venturas,
saudosos, idos amores,
quero esposar as torturas,
dormir nos braços das dores.

Andei em plagas formosas,
vivi em mundos diversos,
singrando mares de rosas,
em barcos feitos de versos...

Ide, meus sonhos dispersos,
presos às asas dos anos;
deixai-me só com meus versos,
unido aos meus desenganos!

JOSÉ DE ANDRADE SUCUPIRA FILHO

Nascido em 9 de março de 1954, na Capital do Espírito Santo, José de Andrade Sucupira Filho é analista químico e concluiu diversos cursos técnicos.

Se a vida fosse sem lutas,
sem vitória. Só prazer.
Sem empecilhos. Escuta:
Teria razão viver?

Querendo saber a causa
do acidente de avião
teve a resposta sem pausa:
Esbarramos na inflação.

Pestes, fomes, mendicâncias,
não haveria, nem guerra,
se em todas as circunstâncias
dominasse o amor na terra.

Assombrou sábios nos templos
(Quanta maldade ao seu lado),
pregou o amor, deu exemplos,
depois foi crucificado.

JOUBERT DE ARAÚJO SILVA

Joubert era Capixaba e residia no Rio do Janeiro, onde fez parte da alta direção da União Brasileira de Trovadores. Nasceu em Cachoeiro de Itapemirim no dia 29 de novembro de 1915.

Ela não anda, flutua...
mas com tanta e tanta graça,
que até os postes da rua
se inclinam, quando ela passa!

Enganam-se os ditadores,
que, no seu furor medonho,
mandam matar sonhadores,
pensando matar o sonho

Muita gente que eu não gabo
lembra a pipa colorida:
- quanto mais comprido o rabo
mais alto sobe na vida!...


Pra botar fogo na gente
É assim que a mulata faz:
em cima estufa pra frente;
em baixo estufa pra trás!

Pedra do Itabira, em Cachoeiro do Itapemirim, ES

LUIZ CARLOS BRAGA RIBEIRO

Luiz Carlos Braga Ribeiro firma-se entre os trovadores mais atuantes das terras capixabas. Nasceu em Vila Velha, no dia 11 de agosto de 1951. Tem curso de tecnologia mecânica superior pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Com bondade e muito amor
Ele a todos satisfaz...
Chico Xavier com louvor
Merece o Nobel da Paz.

Esta criatura tão doce
Minha mulher, minha amante,
Jamais pensei que ela fosse
De um amor tão abundante.

LUIZ SIMÕES JESUS

Autor de livros em prosa e verso, Luiz Simões Jesus, nasceu em Guarapari, no Espírito Santo, e reside no Rio de Janeiro. É advogado e professor, pertencendo a diversas entidades culturais do país.

Tirem-me tudo na vida,
Até do sol o calor,
Mas estarei sem guarida,
Se ficar sem teu amor.

Vi morrer a pobre flor,
Entre espinhos, sufocada.
No jardim do nosso amor,
Que vejo? Espinhos, mais nada.

De um amor tive lembrança
E de outro lembranças tive:
Um - o amor que não se alcança,
Outro - o amor que não se vive.

O frescor em ti impera,
Eu padeço um frio eterno:
Tu vives na primavera,
Eu morro no meu inverno.

MARCOS TAVARES

Marcos Tavares nasceu em 16 de janeiro de 1957. Estudante de Matemática e Estatística, na Universidade Federal do Espírito Santo. É um dos trovadores revelados pelo CTC.

HOMENINO
Não sou dado a milícias,
nem milito em partidos.
Sou menino sem malícias,
e igual homem, repartido.

NATAL
É Natal e sou tão pobre:
Não possuo nova veste.
Mas feliz, pois não me cobre
a pele nenhuma peste.

NEALDO ZAIDAN

Pernambucano de Caruaru, Nealdo Zaidan, que usa o pseudônimo de Matuto, reside no Espírito Santo desde 1973. Técnico em Contabilidade, é um dos mais dinâmicos trovadores do Estado capixaba. Nasceu no dia 25 de fevereiro de 1939.

Não falo por picardia
Mas é verdade no duro.
Mulher e fotografia
Só se revelam no escuro.

Seu batom é de carminho,
Tire o seu rosto do meu.
Se manchar meu colarinho...
Chego em casa: apanho eu.

PAULO FREITAS

Paulo Athayde de Freitas é o nome desse consagrado poeta e trovador capixaba. Nasceu em Rio Novo, Espírito Santo, no dia 28 de janeiro de 1902. Pertence, entre outras entidades culturais, à Academia Espírito-Santense de Letras. É uma das figuras mais representativas da Magistratura de seu Estado.

Vejo a imagem de Maria
nas luzes da Catedral,
tendo Jesus entre os braços
numa noite de Natal.

Vejo a imagem de Maria
envolta num lindo véu,
numa divina alegria
por entre os anjos do céu.

Vejo a imagem de Maria
na luminosa manhã
inspirando a poesia
nas plagas de Canaã.

Vejo a imagem de Maria
no templo, no céu, nos mares,
ouvindo suave harmonia:
- voz dos anjos nos altares.

Na brancura do luar,
na Prece, na Poesia,
na linda Estrela do Mar,
vejo a imagem de Maria.

ROOSEVELT DA SILVEIRA

Capixaba de Alegre, Roosevelt Flávio da Silveira, é funcion6rio do Banco do Brasil, residindo em Guaçuí, em seu estado natal. Formado em Direito, não exerce a advocacia. Pertence a diversas entidades culturais. Nasceu em 5 de setembro de 1947.

Muitas amizades temos
que não traduzem verdades!
A verdadeira só vemos
em nossas dificuldades.

Se os povos querem que a paz
reine sempre em toda a terra,
por que é que cada vez mais
fabricam armas de guerra?

A mulher quer igualdade,
que diz ser direito seu,
mas é escrava da idade:
não fala quando nasceu.

Um casebre num recanto,
um casal... felicidade.
Para que maior encanto
que amor e tranqüilidade?

A cobra, em bote certeiro,
mostra as presas, de repente...
Um amigo interesseiro
também age assim com a genie.

Em nossa terra é assim:
um homem só é lembrado
depois de chegar ao fim,
quando estiver enterrado.

Água Doce do Norte, ES
SILVANO THOMES

Silvano César Thomes nasceu no dia 24 de agosto de 1964, em Cariacica, Espírito Santo. Reside em Vila Velha. É estudante, tendo sido revelado para a trova com o CTC.

Adeus, escola querida,
eu digo com muito amor;
nesta hora de despedida
enalteço o Seu valor.

Vitória, és um encanto
e cidade de esplendor!
Presépio maravilhoso
que eu amo com muito ardor!

SOLIMAR DE OLIVEIRA

Mineiro de Juiz de Fora e filho de poeta, Solimar Braga de Oliveira, nasceu no dia 5 de agosto de 1913. Desde menino reside no Espírito Santo. Pertence a diversas entidades culturais do país. É um dos melhores trovadores e sonetistas do Espírito Santo. Jornalista e funcionário público. Há muitos anos vem divulgando a trova no Estado em que reside. Sua produção literária é vasta e valiosa.

Anda a honra tão sem jeito,
neste mundo camuflada,
que, agora, qualquer sujeito
a exibe como fachada!

As pessoas geralmente
deixam seu rastro no chão;
- o teu rastro unicamente
ficou no meu coração...

Na velhice a gente vela,
talvez pensando, acordado:
- a vida não era aquela
que eu esbanjei no passado...

As redondilhas que amamos,
e têm realce e frescor,
são sempre aquelas que armamos
com o cimento do amor...

Chegando ao fim da jornada,
sem passado e sem futuro,
no presente encontro o nada
porque nada mais procuro...

A verdade seja dita
numa trova sem valor:
- em cada mulher bonita
se encontra um verso de amor.

Conhecerás pelos frutos
as plantas, boas ou más:
- vê que os homens dissolutos
não darão frutos de paz...

Meu destino nesta vida
há de sempre ser assim:
- sempre a lembrar-te, querida,
sempre a fugires de mim...

Na vida, oceano inclemente,
de engano e tantos escolhos,
navega a infância inocente
tendo a esperança nos olhos.

Cultiva, amigo, a bondade,
E algum dia entenderás
que a maior felicidade
está no bem que se faz...

Tudo ilude, tudo mente,
na vida cheia de escolhos:
muita gente há descontente
com um sorriso nos olhos...

Eu levo a vida cismando
no tempo todo perdido
do tempo em que andei sonhando
um tempo nunca vivido.

Uma verdade parece
muita gente definir:
- quem muito sobe se esquece
que também pode cair...

Tenho o coração magoado,
não que me julgue infeliz,
mas por nunca ter amado
como devia e não quis...

VALSEMA RODRIGUES DA COSTA

Nascida em Sacramento, Minas Gerais, no dia 5 de novembro de 1943, Valsema Rodrigues da Costa é professora, especialista em musicaterapia. Reside em Vila Velha e tem desenvolvido trabalhos de divulgação e prática da trova entre estudantes daquela cidade. Tem duas filhas pequenas que já fazem trovas.

Minha vida, nossa vida...
oh, meu Deus! que confusão!
Todo mundo na cabeça,
só você no coração!

O mundo está sempre em guerra,
mas todos querem a paz.
Se a vida faz nossa terra,
a morte... o que ela faz?

VICENTE VASCONCELOS

Nascido em Campos, Rio de Janeiro, no dia 29 de maio de 1905, o poeta e trovador Vicente Vasconcelos, que também usa o pseudônimo De Vivas, reside há muito tempo no Espírito Santo, onde publicou diversos trabalhos em prosa e verso. Magistrado, foi desde Promotor de Justiça até Presidente do Tribunal de Justiça do Estado.

Mandam princípios gerais,
para grandes e pequenos:
- dar menos a quem tem mais
e dar mais a quem tem menos.

Para haver bom julgamento
boa regra sempre ouvi:
agir com discernimento,
julgar os outros por si...

Proclama o "mandão" sisudo
que é preciso economia,
mas sobe o preço de tudo
e não cessa a mordomia...

Não há quem não tenha errado,
pois o erro em todos medra:
- quem se julgar sem pecado
atire a primeira pedra.

O homem manda em todo mundo,
em quase tudo que quer,
mas, na verdade, no fundo,
quem manda mesmo é mulher.

É preciso distinguir
da palavra o seu sentido:
- para não se confundir
um cúpido com cupido.

ZEDÂNOVE TAVARES

Zedânove Tavares Sucupira nasceu em Vila Velha, no dia 11 de outubro de 1948. É funcionário do Banco do Brasil. Presidiu a UBT de Vitória, há vários anos. É autor do três centenas de poemas.

O besouro, na vidraça,
pulula, esbate-se, lida,
tal qual o homem na desgraça,
nessa muralha da vida.

Ao ver na novela, enfim,
o "cara" e a empregada - a sós -
a Maria olhou pra mim,
e minha mulher... pra nós!?...





  • Paulo Monteiro, cujo nome civil é Paulo Domingos da Silva Monteiro, filho de Pedro Mendes Monteiro e Leocrécia da Silva Monteiro, nasceu em Passo Fundo, no dia 26 de setembro de 1954, na localidade de Santo Antão. Seu pai, funcionário do DAER – Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem – foi transferido para Ernestina, onde morou durante alguns meses. Em 1956 fixou residência na Vila Jerônimo Coelho, sendo o primeiro morador daquele núcleo urbano.
    Paulo iniciou seus estudos na então Escola Parque e Grêmio dos Viajantes [hoje Escola Municipal Pe. José de Anchieta], de onde saiu na quarta-série do Curso Primário, revoltado com os castigos físicos e psicológicos então impostos aos alunos, continuando seus estudos na Escola Municipal Cardeal Leme, em Santo Antão.
    Concluído o Ensino Primário cursou a 1a. série do Curso Ginasial no Grupo Escolar Joaquim Fagundes dos Reis [em extensão do Colégio Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro]. Ali se destacou escrevendo poemas para o jornal Fagundes em Foco, organizados pelas professoras de Língua Portuguesa, com trabalhos dos alunos. Logo a seguir seus trabalhos começaram a ser publicado nos jornais da cidade.
    A divulgação de seus poemas despertou a atenção de outros jovens escritores, com os quais se integrou, fundando em 29 de julho de 1971, o Grupo Literário Nova Geração, que manteve intensa atividade cultural, através de publicações em O Nacional e Diário da Manhã, manutenção de programas de rádio, e a edição da revista Presença, daquele grupo de jovens escritores.
    Já estudando na hoje Escola Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro, na Praça Tamandaré, Paulo Monteiro passou a fazer parte do movimento estudantil junto ao Centro Cívico e ao Grêmio Estudantil, do qual foi presidente. Ligado à oposição à Ditadura Militar, em 1973, foi um dos fundadores da Juventude do extinto Movimento Democrático Brasileiro [MDB], sendo um dos seus líderes a nível municipal, e fazendo parte do diretório estadual daquela organização partidária. Ao mesmo tempo exercia militância clandestina no Partido Comunista Brasileiro – PCB –, do qual se afastou por divergências ideológicas, em meados de 1975.
    Teve intensa participação em todos os pleitos eleitorais a partir de 1972, e concorreu a vereador nas eleições de 1976, realizando uma campanha de oposição intransigente ao regime militar, que lhe valeu sérias advertências de líderes emedebistas, especialmente por pronunciamentos onde denunciava as violações dos direitos humanos e clamava pela anistia e o retorno dos exilados, máxime João Goulart e Leonel Brizola.
    Em 1977 ingressou na Prefeitura de Passo Fundo, indo trabalhar no setor de Cadastro da Secretaria Municipal da Fazenda. No ano seguinte foi um dos responsáveis pelo lançamento da candidatura de Éden Pedroso, à Assembléia Legislativa, sendo um dos responsáveis pela coordenação de sua campanha, em Passo Fundo. Éden obteve expressiva votação e acabou aglutinando o grupo que serviria de base ao futuro Partido Democrático Trabalhista [PDT].
    Continuando em sua militância política, como presidente da Juventude do MDB, foi um dos articuladores do movimento pela reorganização do trabalhismo. Com a perda da sigla para Ivete Vargas contribuiu para a criação do PDT – Partido Democrático Trabalhista. Tendo sido convidado para ingressar no MDB, inclusive com promessa de um alto cargo na Secretaria Municipal de Obras e Viação, que não aceitou, acabou sendo demitido, em dezembro de 1981, fato que teve intensa repercussão, inclusive com matéria de capa no Diário da Manhã.
    Logo a seguir ingressou como assessor da bancada do PDT na Câmara de Vereadores, onde continuou sua militância, empenhando esforços na organização de associações de moradores e outras entidades da sociedade civil. Foi, ainda, o principal idealizador do Curso Libertação, da Juventude Socialista do PTD, arregimentando professores que lecionavam gratuitamente contribuindo para a continuidade dos estudos de mais de seiscentos passo-fundenses. Em 1982 foi um dos coordenadores da primeira campanha eleitoral do PDT, em Passo Fundo, quando Rudah Jorge concorreu a prefeito.
    Em 1986 liderou o movimento que culminou com a fundação da UAMPAF – União das Associações de Moradores de Passo Fundo -, em 24 de maio daquele ano, sendo eleito seu secretário-geral para o biênio 1986/l988. Posteriormente foi eleito presidente da UAMPAF, sendo reconduzido por mais duas vezes, exercendo a presidência até meados de 1993.
    Como presidente da UAMPAF liderou movimentos que culminaram com a redução do preço das passagens dos coletivos urbanos, concomitantemente com a melhoria da frota. Apoiou a manutenção da Empresa Municipal de Transportes Urbanos, criada no governo Dipp/Salton, quando, em seu primeiro governo, Osvaldo Gomes tentou fechá-la. Comandou mobilizações que garantiram a ocupação da atual Vila Alvorada e da Beira-Trilhos; organizou, com o apoio da administração municipal, as comunidades que construíram os Postos Policiais Militares [Santa Marta, Edmundo Trein, Nenê Graeff, São José e Victor Issler]. Contribuiu para a criação da Escola da Vila Cruzeiro. Liderou manifestações contra o fim do Programa Nacional do Leite Gratuito e incentivou comunidades a enfrentarem, inclusive com ações judiciais, a poluição urbana. Participou ativamente de colegiados representativos, como o CONDEPRO – Conselho de Desenvolvimento da Região da Produção -, do qual foi um dos primeiros integrantes.
    Formou ao lado das lideranças políticas que apoiaram o engenheiro passo-fundense Fúlvio Petracco ao governo do Estado pelo Partido Socialista Brasileiro [PSB], em 1986, sendo um dos coordenadores de sua campanha, em Passo Fundo.
    Nas eleições municipais de 1988 ajudou a dobradinha Airton Dipp/Carlos Armando Salton, sendo convidado para a CAB – Coordenação das Associações de Bairros, aproveitando para consolidar o movimento comunitário. Ao mesmo tempo em que exercia suas funções na Prefeitura, liderava as associações de moradores locais e participava do movimento comunitário a nível estadual e nacional, chegando a presidente do Conselho Fiscal da FRACAB – Federação Rio-Grandense das Associações Comunitárias e de Amigos de Bairros, e conselheiro da CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores. Presidiu os quatro Congressos Municipais promovidos pela UAMPAF, o último dos quais em 2003.
    Em 1992 concorreu a vereador pelo Partido Democrático Trabalhista obtendo 640 votos, mesmo dispondo de parcos recursos e sua candidatura lançada de última hora, ao verificar que a maioria dos assessores da administração Dipp/Salton optava por ficarem nos cargos até o final do governo.
    Posteriormente, ingressou no PSB - Partido Socialista Brasileiro, participando ativamente de todas as campanhas eleitorais do partido. Em princípios de 2003, afastou-se de qualquer militância partidária, indignado com o oportunismo, a venalidade e a corrupção que tomou conta do atual modelo político brasileiro.
    Funcionário público estadual concursado, atualmente exercendo suas funções na secretaria da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Lucille Fragoso de Albuquerque, na Vila Hípica. Foi um dos fundadores do SINFERS – Sindicato dos Funcionários das Escolas Públicas Estaduais -, sediado em Porto Alegre, do qual foi vice-presidente e conselheiro. Afastou-se daquele sindicato, quando deixou o caráter combativo, para militar no CPRS/Sindicato.
    Desde 1971 exerce intensa atividade cultural, inicialmente como membro e dirigente do Grupo Literário Nova Geração. Na década de 1980 editou o periódico literárioQuero-Quero, que era enviado para 500 escritores de todo o País. Tem trabalhos inseridos em livros e periódicos editados nas mais diversas partes do Brasil e colabora intensamente na imprensa local.
    Esse ativismo cultural fez com que fosse convidado a integrar os quadros das seguintes entidades culturais brasileiras e internacionais:
    * International Academy Of Letters Of England [Londres];
    * Academia de Trovas do Rio Grande do Norte [Natal, RN];
    * Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana [RS];
    * Academia de Letras de Uruguaiana [RS];
    * Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel [Salvador, BA];
    * Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras [Anápolis, GO];
    * Clube dos Trovadores Capixabas [Vila Velha, ES];
    * Clube Internacional de Boa Leitura [Uruguaiana, RS];
    * Clube de Poesia de Uruguaiana [RS];
    * Federação Brasileira das Entidades Trovistas [Rio de Janeiro, RJ];
    * Academia Petropolitana de Letras [Petrópolis, RJ];
    * Academia Literária Gaúcha [Porto Alegre];
    * Academia Passo-Fundense de Letras [Passo Fundo].
    * Academia Sorocabana de Letras [Sorocaba, SP].
    * Academia de Letras do Brasil [Boa Vista, RR].
    Pertenceu, ainda, às seguintes entidades:
    * Grupo Literário Nova Geração [Passo Fundo];
    * Associação Gaúcha de Escritores [Porto Alegre];
    * União Brasileira de Trovadores [Rio de Janeiro, RJ].
    Trabalhou na redação do Jornal da Tarde, Diário da Manhã, O Cidadão [Redator Chefe] e Jornal Rotta/Jornal Cidade, de Passo Fundo, e Rádio Aliança, de Concórdia, SC. Atualmente, é um dos editores da Revista Água da Fonte, da Academia Passo-Fundense de Letras. Atualmente escreve para a Revista Somando. Em dezembro de 2007 foi eleito presidente da Academia, iniciando um processo de abertura da associação à participação comunitária. Apresenta, como representante da Academia Passo-Fundense de Letras o programa Literatura Local, pela TV Câmara, divulgando autores de Passo Fundo ou que visitem a cidade.
    Em 1982 publicou, em edição de bibliófilo, o livro A Trova no Espírito Santo – História e Antologia. Em 2007 publicou o livro Combates da Revolução Federalista em Passo Fundo, que o consagrou como um dos mais profundos conhecedores da Revolução de 93. Define-se como um publicista, pois é autor de centenas de artigos e ensaios sobre temas culturais, históricos e literários. É reconhecido como um grande conhecedor dos clássicos da Língua Portuguesa, que lê desde a adolescência.
    No período de 1970 a 1990 participou intensamente do movimento literário conhecido como “Geração do Mimeógrafo”, divulgando seus poemas em tiragens mimeografadas, como é o caso do periódico literário Quero-Quero, cujas primeiras edições foram feitas em mimeógrafo a álcool. Reuniu os poemas escritos naquele período num volume intitulado Eu Resisti Também Cantando.
    Cristão reconvertido, foi consagrado Evangelista na Casa de Oração de Passo Fundo, no dia 20 de setembro de 1996, com a presença de autoridades religiosas e civis.
    Casado com Maria Nelci Machado Monteiro, também funcionária pública estadual concursada, o casal tem cinco filhas: Cris Daniele [27 anos, advogada militante formada pela Universidade de Passo Fundo]. Nadejda Aparecida [21 anos, acadêmica de Física, na Universidade de Passo Fundo], Rozalia Natália [19 anos, acadêmica de Administração de Empresas na Universidade de Passo Fundo], Paula Tatsuia [17 anos, formada em Mecânica de Usinagem, pelo SENAI de Passo Fundo] e Sara Adália, já autora de diversos poemas inéditos, [11 anos, freqüentando a 7a. série do Ensino Fundamental, na EENAV].


    Endereço Para Correspondência:
    Paulo Monteiro
    Caixa Postal 462
    CEP: 99-001-970, Passo Fundo – RS




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