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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR

Bodas de Prata.
(Roberto Martins - Mário Rossi).

Beijando teus lindos cabelos
Que a neve do tempo marcou,
Eu tenho nos olhos molhados
A imagem que nada mudou.

Estavas vestida de noiva,
Sorrindo e querendo chorar,
Feliz...assim
Olhando para mim,
Que nunca deixei de te amar.

Vinte e cinco anos vamos festejar de união
E a felicidade continua em meu coração,
Vai crescendo sempre mais o meu amor por ti.
Eu também fiquei mais velho
E quase não senti,

Vinte e cinco anos de veneração e prazer,
Pois até nos momentos de dor
O meu coração me faz compreender,
Que a vida é bem pequena
Para tanto amor.

Beijando teus lindos cabelos,
Que a neve do tempo marcou,
Eu tenho nos olhos molhados
A imagem que nada mudou.

Estavas vestida de noiva,
Sorrindo e querendo chorar,
Feliz....assim
Olhando para mim,
Que nunca deixei de te amar.


Roberto Martins, compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 29/1/1909 e faleceu em 14/3/1992. Órfão de pai com um ano de idade, estudou na Escola Pública Teófilo Otoni e aos 12 anos trabalhava numa fábrica no bairro da Tijuca, do Rio de Janeiro, passando depois para outra indústria no bairro de São Cristóvão, onde ficou até os 15 anos.
    A influência musical marcou-o bem cedo em casa: a mãe tocava piano, instrumento que ele logo começou a aprender. Por volta de 1925, já havia feito algumas composições, de que ele próprio não gostava. Seu terceiro emprego foi no ramo de calçados - fábricas e lojas -, atividade em que permaneceu até os 20 anos, quando decidiu entrar para a polícia como guarda-civil. 

Nesse período compôs seu primeiro samba, Justiça (1929), que, embora não chegasse a ser gravado, teve sua letra publicada no livro Samba, de Orestes Barbosa.

Em 1933 conseguiu que duas de suas composições fossem gravadas por Leonel Faria, na Odeon: Regenerado e Segredo. Em 1936, com Valdemar Silva, compôs Favela, seu primeiro êxito, interpretado por Francisco Alves em disco Victor. Em 1937 foi transferido para o 5° Distrito, como investigador, lá ficando até 1939, quando conseguiu licença de dois anos e não mais voltou à polícia, desempenhando a partir dai somente atividades relacionadas com a música.

O ano de 1939 é o de seu grande sucesso, Meu consolo é você (com Nássara), samba gravado por Orlando Silva, que ganhou o concurso de músicas carnavalescas da prefeitura. No Carnaval seguinte, sua batucada, Cai, cai, gravada por Joel Gaúcho, se transformou num clássico de Carnaval, continuando entre as mais tocadas em bailes durante a década de 1970.

Desde 1937, até 1945, já vinha participando, como ritmista, da Orquestra de Simon Bountman, e em 1943 começou a trabalhar na UBC, da qual foi sócio fundador e conselheiro permanente. No mesmo ano, com Mário Rossi, compôs Beija-me, gravada por Ciro Monteiro, e Renúncia, um dos primeiros êxitos de Nelson Gonçalves.

Em 1945 alcançou sucesso no Carnaval com a marcha O cordão dos puxa-sacos (com Eratóstenes Frazão), gravada pelos Anjos do Inferno. Nos Carnavais seguintes, a Marcha dos gafanhotos (com Frazão) e Cadê Zazá? (com Ari Monteiro) foram grandes êxitos, nas vozes de Albertinho Fortuna (1947) e Carlos Galhardo (1948), respectivamente. Seu último grande sucesso foi uma gravação de Blecaute, de 1949, Pedreiro Valdemar (com Wilson Batista). Teve muitos outros parceiros, entre eles Benedito Lacerda, Jorge Faraj, Mário Lago e Mário Rossi, em composições de vários gêneros: sambas, batucadas, marchas, valsas e fox-trots.

Mário Rossi, letrista, nasceu em Petrópolis RJ, em 23/5/1911, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 12/10/1981. Aos dez anos já trabalhava durante o dia e estudava à noite, tendo cursado apenas até o terceiro ano ginasial, por causa das constantes mudanças de sua família, de origem italiana, em busca de melhores empregos como operários, passando pelo Rio de Janeiro RJ e por Barbacena MG, antes de voltar a Petrópolis.

Em 1925 trabalhou como balconista no comércio e ingressou na Escola de Aprendizes Marinheiros de Angra dos Reis RJ, que abandonou no ano seguinte. Estudou desenho de tecidos e por quatro ou cinco anos foi contramestre de tecelagem da Fábrica Andorinha, em Santo Aleixo RJ.

Por volta de 1930 enviou suas primeiras colaborações a jornais de Majé RJ e Angra dos Reis. Colaborou também em O Malho e, em 1933, no Jornal de Petrópolis, ingressando em seguida no Exército, no I Batalhão de Caçadores, do qual saiu como cabo no ano seguinte.

Transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1935, trabalhando durante oito meses num escritório e, a partir de 1936, como guarda-civil, quando ficou conhecendo o "rei das valsas" Gastão Lamounier. Com ele compôs a valsa E o destino desfolhou, gravada em 1937 por Carlos Galhardo na Odeon. Publicou no mesmo ano seu livro Poemas para ler e esquecer.

Em 1943 deixou a Guarda-Civil. Seu maior sucesso foi Renúncia (com Roberto Martins). Outros cantores que gravaram suas composições foram Gilberto Alves, Dalva de Oliveira e Vicente Celestino, e entre seus principais parceiros, além de Gastão Lamounier e Roberto Martins, estão Marino Pinto, Newton Teixeira e também Vicente Celestino. Embora a principal fase de sua extensa obra como letrista tenha sido na década de 1940, continuou escrevendo, e em 1975 compôs, com Adelino Moreira, o samba Orgulhosa.

Obras: Beija-me (c/Roberto Martins}, samba, 1943; Dorme que eu velo por ti (c/Roberto Martins), 1942; E o destino desfolhou (c/Gastão Lamounier), valsa, 1937; Orgulhosa (c/Adelino Moreira), samba, 1975; Renúncia, (c/Roberto Martins), fox, 1943; Restos de ventura (c/Gastão Lamounier), valsa, 1938; A valsa dos noivos (c/Roberto Martins), 1944.



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