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O surgimento das escolas de samba, no Espírito Santo, começa com desaparecimento das grandes sociedades e dos grupos musicais, por volta 1929, a partir daí surgiram pequenos grupos chamados de batucadas, que apareceram em vários subúrbios. As Batucadas - Tudo começou na Fonte Grande,onde foram formadas duas batucadas, sendo que em um carnaval, na subida do morro, na rua 7 de Setembro, as duas se encontraram numa briga tremenda, daí para frente começaram a surgir várias batucadas, como: a "Santa Lúcia", a "Mocidade da Praia", a "Andaraí", a "Prazer das Morenas", a "Gurigica do Centro", a "Império da Vila", a "São Torquato", a "Chapéu do Lado" e a "Centenário", devido principalmente as batucadas "Chapéu do Lado" e "Centenário". Fatos dizem que o número de batucadas chegou a 12. Elas só possuíam instrumento de corda e percussão, puxadas por um cavaquinho ou banjo. O interessante era que cada uma das organizações era dirigida por um líder, cuja família fazia parte, e as reuniões eram feitas em sua casa. As Escolas de Samba - Tudo começou na década de 50, com o "Rominho da Fonte Grande", que trouxe o ritmo dos surdos e tamborins para nós, organizando a "Unidos da Piedade" (a primeira escola de samba capixaba) com a maioria do pessoal da batucada "Chapéu de Lado". Foi uma grande novidade naquele ano, com seu ritmo diferente e seu enredo apresentando-se com toda a pompa. As escolas desceram do morro para o asfalto, a princípio na Praça 11, com suas alegorias críticas. Mas, na ditadura de Getúlio, houve intervenção e sequer elas podiam ser registradas com o nome de Escola. A não ser acrescentando a expressão Grêmio Recreativo Escola de Samba. Essa novidade trazida pela Unidos da Piedade, logo se espalhou, com o passar dos anos, pela Grande Vitória. o Carnaval de Vitória chegou a ter por volta de 40 Escolas de Samba e três ligas de escolas, mas na década de 90 os desfiles foram interrompidos por problemas políticos. Com isso o carnaval de vitória deixou de ser o 2º melhor do Brasil para ser o 3º atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo, alem de perder, de vez, várias escolas de toda Grande Vitória, como a União Jovem de Itacibá, a Mocidade Serrana, a Banda Arco-Íris, a Pulo do Gato, a Santa Lúcia, a Mocidade da Praia, etc. SAMBÃO DO POVO - SAMBÓDROMO - HISTÓRICO - Com cerca de 15 mil metros quadrados de área, o Sambão do Povo foi inaugurado em 1987 na administração do prefeito Hermes Laranja, com base na idéia do Sambódromo do Rio de Janeiro idealizado pelo Governador Leonel de Moura Brizola, Darcyr Ribeiro e projeto de Niemayer. Em 2001 foi realizada uma Reforma no local. Após a reforma (que durou cerca de dois meses e contou com serviços de pintura e recuperação da estrutura da construção, reestruturação do sistema de iluminação e recapeamento da avenida Dário Lourenço de Souza), o local passou a contar com 6 mil lugares nas arquibancadas. A área do Sambão integra o amplo Projeto Orla, que prevê obras de reurbanização desde o bairro Inhanguetá até o Tancredão. A intenção é incrementar as atividades de lazer, turismo, esporte e cultura na região. O desfile das escolas de samba em fevereiro de 2002 marcou a reabertura do Sambão do Povo, após um intervalo de 10 longos anos. Localizado à beira-mar, no bairro Mário Cypreste, em Santo Antônio, o Sambódromo, depois do Carnaval, serve de palco para eventos de toda natureza. As obras de recuperação do Sambão foram realizadas pela Secretaria Municipal de Obras, num investimento de R$ 900 mil. Com a construção do Sambódromo na Vila Rubim em Vitória, ES, as escolas retornaram ao Desfile no ano de 1998, mas sem competição. Em 2002 o desfile voltou a ser realizado no Sambão do Povo e a ser competido, a partir dai outras escolas foram voltando, novatas foram surgindo como a Tradição Serrana e a Imperatriz do Samba. A esperança agora é que o carnaval de vitória continue crescendo, para, quem sabe, voltemos a ser o segundo melhor carnaval do Brasil. Atualmente desfilam 14 escolas sendo: 8 do próprio município, 2 de Vila Velha, 2 de Serra,1 de Cariacica e 1 de Guarapari. Possuiu um grupo de acesso, porém em 2009 foi decida a extinção do grupo 1B e a mudança de nome do grupo A para Grupo Especial, com a integração das 13 escolas de samba. a partir do carnaval de 2010 foram rebaixadas 3 escolas (Rosas de Ouro, Andaraí e Chegou o que Faltava), formando o grupo de acesso do carnaval de 2011. No carnaval de 2011, o Grupo Especial contou com as 10 primeiras colocadas de 2010, divididas em dois dias de desfile (Sexta-Feira e Sábado), com 5 escolas em cada dia e o grupo de Acesso teria 4 escolas, sendo as três rebaixadas de 2010 e mais a novata Imperatriz do Samba, desfilando na quinta-feira. Entretanto, a novata decidiu não participar neste ano. Para o carnaval de 2012, o Grupo Especial continua tendo 10 escolas. Já o grupo de Acesso pederá ter 7 escolas, além das 4 escolas já confirmadas, 3 destas escolas negociam com a LIESES a filiação ao Carnaval de Vitória, uma delas é a antiga Arco-Íris de Vila Velha que já se reuniu três vezes com a direção da LIESES, e as outras 2 estão sendo fundadas, uma em Itacibá, Cariacica, (o que demonstra ser a volta da antiga escola União Jovem de Itacibá), e a outra em Terra Vermelha,Vila Velha (cujo nome será Acadêmicos da Barra).
No Dia 10/02/2007, em pleno Carnaval Capixaba, Clério José Borges foi homenageado como Historiador pela Escola de Samba Rosas de Ouro, do Município da Serra, Espírito Santo. Clério desfilou como Destaque num Carro alegórico
pois o enredo "SERRA 450 ANOS DE FUNDAÇÃO, de autoria da Professora Regina Messa foi baseado na obra do escritor serrano Clério José Borges, o Livro HISTÓRIA DA SERRA. O Samba Enredo foi composto por Adiel Carteiro Poeta e Flávio Manoel, e interpretado por Vinícius Caram e Gil Presença. A Escola de Samba do bairro Serra Dourada na época era Presidida por MARCOS CARAN.
Fotos do Escritor Clério José Borges no desfile da Rosas de Ouro no dia 10/02/2007, no Sambão do Povo, em Vitória, ES. |
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Clério e as meninas da Banda Banupd, no Carnaval de Castelhanos
1ª Foto: Com o coração no peito. É do Carnaval de 1990: José Carlos Correia do Rosário e Clério, no Sambão do Povo, em Vitória, desfilando na Escola
"Independentes de São Torquato". 2ª Foto: Clério e Fabiano Aguiar, no Carnaval de 1991, na "Mocidade Serrana", de José de Anchieta.
Bloco da Cachorra Doida, de Guarapari, ES. Bloco Cara de Pau, Eurico Salles, Serra, ES.
Foto 01: Família Real carnavalesca Capixaba 2010. Na foto a vendedora Fabíola Oliveira dos Santos, 24 anos, segunda princesa; Clério José Borges e Sharla Bianca de Souza Amâncio, 31 anos, universitária e secretária, a Rainha do Carnaval Capixaba 2010, em Eurico Salles, Serra ES em 28/01/2010.
Por Anselmo Gonçalves
Os mais
antigos documentos históricos sobre o carnaval do Espírito Santo estão
registrados nos jornais Correio de Vitória, Comercio do Espírito Santo e o
Cachoeirano, de Cachoeiro de Itapemirim. No ano de 1885, mês de Janeiro, em
anúncio ineditorial, entre informes de vendas de saca-rolhas, brins-de-linho,
cachemiras, chapéus de palha, vinhos portugueses, gravatas e luvas e editais de
venda de escravos: Edite 700 mil réis, Ruth 700 mil réis; Julião 500 mil réis,
o Cachoeirano pede ao povo para “neste ano de 1885”, saudar a chegada do deus
Momo com todas as alegrias e com todo o buliço dignos de deus infernal. O
anúncio, de duas colunas por 10 centímetro de altura, informa ainda que
“haverá” bando desfilante acompanhado de música e um salão adredemente pronto”. A venda dos escravos que eram parte do espólio de
José Balry, em outro local do jornal, estava sendo suspensa, por ordem do juiz
da Comarca, para que os “máscaras” tivessem a oportunidade de bem receber “o
deus do machucadinho”. E o leilão seria realizado em outra oportunidade. De
Vitória, capital do Estado, cidade empurrada pelo mar contra as encostas dos
morros de ruas estreitas, sinuosas, difíceis, apenas as narrativas “de memória”
de Amélia Mirabeau Bastos, que ouviu contar e transmitiu-nos a nós, seu
afilhado, ainda nos tempos verdes da infância, de que o nosso carnaval se fazia
antes de 1885, na rua do Rosário.”E era assim. Os moradores da rua passeavam
para lá e para cá, acompanhados por diversos violinistas. E todos muito bem
vestidos com raras fantasias vindas de Paris, a Paris nova, a Paris buliçosa, a
Paris ardente. E não a velha, fria e sem vibração e sem grandes
movimentos.Nosso povo sabia o que era ser chic. Sabe? O passeio durava horas,
até quando o tocheiro vinha ascender os lumes da rua. Aí, o povo buscava as
suas residências para o retempero. Era deslumbrante! Sabe? Eu tinha, na loja,
fregueses que falavam com muitas saudades daquele tempo”. Corria o
ano de 1884, já pelo seu final, quando casas comerciais importantes das ruas da
Alfândega e Duque de Caxias distribuíram prospectos impressos tipograficamente,
dando conta de que haviam importado grandes novidades para os foliões e que
essas novidades estavam á disposição dos buliçosos, para a saudação, em fevereiro
do ano entrante, 1885, á chegada do deus infernal. Nos mesmos prospectos os
comerciantes introduziam outros dados de como se proceder para o conhecimento
de novos informes sobre a espera da festa. “Basta uma visita aos nossos
estoques e tudo lhe será explicado”. E daquela vez seria para valer, como
faziam crer os comerciantes. Os que se interessavam por ver de perto o estoque
ficavam sabendo detalhes dos passeios: “Seriam feitos desde a rua do Rosário
até a rua São Francisco, passando pela rua Sete, Subida do Carmo e Pereira
Pinto, com rabecas, com violas e com fantasias luxuosíssimas”. As fantasias
estavam expostas nas portas das lojas. E mais: “Haverá carroça com bandeirinhas
e fogos, na partida e na chegada, e conhaque e para os participantes”. “Os gatos
vão comer os olhos do leão”, era a frase de cumprimento do proprietário da loja
“A Capital”, da Duque de Caxias. TEXTO DO
LIVRO “CARNAVAL CEM ANOS”, DE AUTORIA DO ESCRITOR, POETA E TROVADOR ANSELMO
GONÇALVES, Livro editado em 1985, em Vitória – ES, no Governo Gerson Camata,
pela Secretaria de Estado da Indústria e do Comércio, Secretário Hermes Laranja
Gonçalves, com apoio da Emcatur.
O Carnaval de Vitória tem sua
história de altos e baixos acompanhando, naturalmente, as condições
econômicas e culturais. Do bate-moleque e do entrudo, foi tomando
suas formas. Dos limões de cheiro e bisnagas surgiram os
lança-perfumes e os bailes à fantasia. Houve, inicialmente, o
período das grandes sociedades, com seus carros alegóricos puxados a
cavalo. Foi o tempo da Fênix carnavalesca e do Pierrot, quando o
pessoal da alta sociedade participava. Destaca-se nesse período a
presença da Casa Cruz, uma empresa dos Cruz Sobrinho, que marcou
época. Quando surgiram os automóveis de capa de lona, os fordecos,
apinhados de gente jogando serpentinas e confetes, era o chic. Todo
mundo saía às ruas para ver o corso. O
último baile do Pierrot foi no antigo Cine Central, ao lado do Hotel
Capitólio, que tinha, no andar térreo, a casa Morgado Horta. O Cine
Central depois se transformou em armazém de café e ficava onde é
hoje o edifício das Repartições, na avenida Jerônimo Monteiro. Além
dessas sociedades, tínhamos ainda a "Flor da China", o "Flor do
Abacate", o "Resedá". O "Flor da China" era do pessoal dos
Nascimento, uma família numerosa e tradicional que residia na
Capixaba. Eram grandes festeiros, pois além dos congos, eram
organizadores também das Marujadas. Nos desfiles dos três dias de
Momo, havia os grupos musicais, como o "Centenário", surgido em
1922, os "Sururus", que a última vez que desfilou foi cantando a
marcha Na Pavuna... Na Pavuna.. Ainda
desfilava pelas ruas o Grupo Musical "Mocidade". Antes, porém,
existiam dois grupos famosos "Morcegos" e "Diabos em Folia", que se
encontravam na rua Duque de Caxias, que era a principal e a mais
movimentada, apesar de estreita como é até hoje. Nesse encontro o
pau comia, era briga na certa. Seus componentes eram o pessoal da
Estiva e Docas, trabalhadores da firam Antenor Guimarães ou, como
diziam, o pessoal do "bravo meu mano". Acontece que, em um desses
encontros de brigas e das fantasias do Diabo com chifres, o bispo
diocesano pediu ao chefe de polícia que proibisse a saída dos
"Diabos em Folia". Nas proximidades do carnaval do ano seguinte, o
pessoal se reuniu para discutir as medidas do chefe de Polícia.
Nessa época, havia um ditado popular "Está cruel. A vida está
cruel". Durante a discussão na procura de outro nome, Apesar das
várias sugestões, não chegavam a um acordo e diziam "é... está
cruel". Até
que um dos presentes sugeriu: "Por que não botamos o nome de Está
Cruel"? Todos aceitaram e o bloco saiu com esse nome, sob a direção
de "Pedro Furão", que dançava agarradinho e com caixa de fósforo no
bolso. Às vezes, dançava-se o "Escambau", quando era permitido pelo
Cabo Queiroz, mas o "Escambau" era mesmo dançado na pensão da Aurora
Gorda, na Volta de Caratoíra. O "Escambau" foi o precursor da
Lambada, que hoje faz tanto sucesso. O "Está Cruel" deixou de
desfilar e só promovia bailes. O cabo Queiroz, apesar das sucessivas
promoções, continuou sendo chamado de cabo Queiroz ou, às vezes, até
de tenente cabo Queiróz. Eram
dois tipos por todos conhecidos: "João Capuchinho" e "Pedro Furão",
que estavam sempre à frente de tudo, inclusive nas festas
religiosas, principalmente a de São Benedito. Também os Nascimento
marcaram a sua época lá pela década de 20 a 30, satirizando os
governantes e criticando-os. Na Revolução de 30, quando o Presidente
do Estado Aristeu Aguiar fugiu a bordo de um navio italiano, fizeram
uma paródia com a marcha "Taí". Cadê Aristeu e Mirabeau Que ninguém
viu Azularam com o dinheiro do Estado E deixaram, e deixaram o povo
sacrificado. Dizem que a paródia foi de "João Capuchinho". Mas nesse
tempo, as marchas e os sambas eram feitos por diversos compositores,
não se cogitava de direitos autorais. Ninguém sabia de quem eram e
nem o autor as reivindicavam. Algumas organizações ensaiavam às
escondidas para provocar surpresas no povo que os ia ouvir.
Certa
vez, os componentes do "Diabo em Folias" mandaram um representante
ao Rio, para saber das músicas que estavam cantando e trazer para
Vitória, sob todo sigilo. Devemos levar em consideração que o rádio
estava nascendo e mal se ouvia o que se cantava, a não ser "Cabelo
não nega", que foi um estouro quando o rádio a divulgou pela
primeira vez. AS
BATUCADAS Na
Fonte Grande, foram formadas duas batucadas, sendo que em um
carnaval, na subida do morro, na rua 7 de Setembro, as duas se
encontraram e o pau comeu solto, numa briga tremenda. No ano
seguinte, surgiu o "Chapéu do Lado", baseado o samba carioca. "Meu
chapéu do lado, sapato arrastando, navalha no bolso, eu passo
gingando..." A batucada "Centenário", oriunda do grupo musical com
sede em Santa Lúcia, incentivou a que outras surgissem, como a
"Santa Lúcia", a "Mocidade da Praia", a "Andaraí", a "Prazer das
Morenas", "Gurigica do Centro", além do "Império da Vila" e "São
Torquato". Cada batucada tinha sua marcha oficial, como a "Chapéu do
Lado", muito divulgada: Quem é, quem é Que vem chegando com tanta
animação? Quem é. Quem é, "Chapéu do Lado" do meu coração.
Era
só instrumento de corda e percussão, puxadas por um cavaquinho ou
banjo. "Jaime Cachacinha" puxava com seu banjo a "Chapéu do Lado".
Sob o aspecto social, o interessante era que cada uma das
organizações era dirigida por um líder, cuja família fazia parte, e
as reuniões eram feitas em sua casa. Por exemplo: "Mocidade da Fonte
Grande" era da família de Nestor Lima; "Chapéu do Lado" do seu
Eduardo e a filharada; "Centenário" da família de João da Cruz e
agregados; "Santa Lúcia" de Júlio Henrique, um estivador com o
apelido de "Júlio Tripa de Oca", com uma enorme família entre
filhos, genros e netos. AS
MÚSICAS Hermógenes Lima
Fonseca |

