Em
1820, por determinação do sargento-mor Manoel José Esteves de Lima,
o desbravador João Teixeira da Conceição construiu às margens do riacho Alegre e da estrada de Minas
para o porto de Itapemirim, um rancho de apoio às tropas.
É
importante lembrar que o riacho Alegre recebeu esta denominação de João do Monte da Fonseca, alferes
da segunda Divisão dos Caçadores de Minas Gerais, militar responsável pela abertura da primeira
estrada que de Minas chegava às praias do Espírito Santo. Esta estrada estava concluída desde
1811.
Mais
tarde, com o desenvolvimento do comércio do interior para o litoral, o rancho de tropas da
fazenda do Conceição tornou-se um ponto de reunião dos tropeiros, para que juntos em comitiva,
seguissem até o porto.
O
desbravador João Teixeira da Conceição, vendo surgir um novo negócio, melhorou as pastagens
para os animais e ampliou o rancho, que serviria com mais conforto, de alojamento para os
tropeiros e abrigo para suas mercadorias.
O
rancho era localizado ao lado direito do início da rua Monteiro da Gama (rua do Norte); logo
abaixo do bairro Novo Alegre. Alguns escritos antigos situam as pastagens no centro da cidade ou,
mais precisamente, no lugar denominado Goiabal, onde, hoje, encontra-se a cadeia pública.
O
encontro dos tropeiros era um ato festivo; muitas estórias eram contadas e, para quebrar a monotonia
das marchas, eram organizados, nesse rancho, intermináveis e alegres bailes. Esses homens
solitários tinham, então, oportunidade de extravasar seus sentimentos, tornando célebres
os bailes realizados no rancho.
Mas,
e as mulheres?
O
sexo feminino, sob os cuidados de dona Severina, mulher de João Teixeira da Conceição, cuja presença
era imperiosa para a realização dessas festividades, chegou, atraído pela nascente riqueza
da região e pelo circular constante do dinheiro do comércio.
Para
o Bispado de Mariana, Minas Gerais, que possuía o domínio eclesiástico sobre a região
e na qual tinha uma pequena capela, mais tarde, também, um curral e rancho de tropas, o local chamava-se
"Santo Antonio". Mas, o povo, verdadeiro senhor do seu destino, denominava-o de "Rancho Alegre",
e foi o que prevaleceu.
Como
vemos, nossos pioneiros, mesmo sem o carisma dos grandes vultos da história, fizeram, com o seu
viver simples, o desabrochar da "civilização", neste nosso solo alegrense.
A
história do "Rancho Alegre" era contada pelo antigo professor Raymundo Altino de Souza,
que aqui nasceu em 1866, no lugar denominado Buraco Quente, que afirmava ter colhido esta
história das fontes originais.
Recolhemos
tais informações dos seus antigos alunos, que tiveram a oportunidade de beber nessa fonte
primitiva, procurando deixar grafado, para o futuro, esse importante fato do nosso passado histórico.
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