A História do município remota ao segundo quartel do século
XVI, quando Vasco Fernandes Coutinho, recebendo a Carta régia de 1º de janeiro
de 1534, no seu solar em Alemquer, tornava-se donatário de uma das capitanias
da costa brasileira. Reunindo uns 60 homens, entre fidalgos e criados Del Rei,
alinhando-se entre aquêles D.Jorge de Menezes e D. Simão de Castelo Branco, e,
equipando uma caravela de 4 mastros, deixou o fidalgo lusitano a sua Pátria,
partindo rumo ao Ocidente para se apossar das 50 léguas de terras, na costa do
Brasil, demarcadas para seu domínio.
No dia 23 de maio de 1535, domingo do Espírito Santo, a nau
Glória, orientada pela serra do Mestre Álvaro, atravessou a barra ancorando
numa pequena enseada, situada à esquerda, nas fraldas do morro da Penha, ao
norte do morro de João Moreno. Os colonizadores julgaram ser a baía um grande
rio. Deram a terra o nome de Espírito Santo em vista de celebrar-se, naquela
data, pela Igreja Católica, a festa do Divino Espírito Santo.
O desembarque não se fez com facilidade, pois os aborígines,
em defesa de sua terra, lutaram com ardor, armados de arcos e fechas, atirando
suas setas dirigidas às embarcações. Houve necessidade de fazerem-se troar as
duas peças de artilharia da caravela, para que os Goitacás debandassem,
permitindo a posse da terra por Vasco Fernandes Coutinho.
Iniciava-se então a colonização do solo espírito-santense,
com as suas primeiras cabanas e culturas agrícolas e tendo, pouco depois, a
uni-las o vínculo religioso representado por uma igrejinha, dedicada a São
João, em homenagem ao monarca reinante. O primeiro núcleo de colonização
recebera o nome de Vila de Nossa Senhora da Vitória, devoção do donatário.
Reconhecendo o perigo representado pelos silvícolas, assim
como a possibilidade de incursão de piratas, que infestavam as águas do
Atlântico, naquela época, Vasco Fernandes Coutinho Lançou-se à construção de um
forte em local estratégico situado mais ou menos onde hoje se ergue o Quartel
de Piratininga.
Vasco Fernandes Coutinho, homem de espírito liberal e
magnânimo, começou logo a distribuir terras com aqueles que o auxiliaram na empresa
de colonizar o Espírito Santo. A D. Jorge de Menezes entregou a primeira ilha
junto à barra (ilha do Boi); a atual ilha dos Frades foi doada a Valentim Nunes
e, 15 de julho de 1537, doou a Duarte de Lemos a então ilha de Santo Antonio,
que se instalara na sua parte alta, fazendo construir, na fazenda, ao lado da
residência, uma igrejinha para o culto de Santa Luzia. Por essa época, os
colonizadores sentiam-se mais desafogados do gentio. A falta, porém, de colonos
para dar desenvolvimento aos trabalhos iniciados obrigou a Vasco Fernandes
Coutinho ir a Metrópole.
Com a partida do donatário, por volta de 1550, a capitania
ficou em completo desmando. Todas as leis, todas as regras, todos os princípios
passaram a ser desrespeitados pelos colonos e pelo substituto de Vasco
Fernandes Coutinho (Dom Jorge de Menezes). Em pouco, acendeu-se uma guerra
encarniçada em que se envolveram portugueses, escravos, índios e mestiços. Em
busca de refúgio, passaram-se quase todos os colonos para a ilha de Duarte
Lemos (hoje Vitória). Aí fundaram a povoação a que denominaram de Vila Nova do Espírito
Santo, em antítese à primeira vila, conhecida como Vila Velha.
Regressando o donatário da Metrópole, transferiu a sede da
capitania para a Vila Nova, promovendo, no entanto, o reerguimento da primitiva
vila (Vila Velha). Em 1595, inaugurou-se a Santa Casa de Misericórdia, ou Casa
da Caridade onde foi sepultado o donatário Vasco Fernandes Coutinho.
Elevou-se o
território dessa vila à categoria de cidade em 1896 e à de município em 1897. A
área do território municipal tem passado por várias modificações. Em 1931, pelo
Decreto-lei estadual nº 9.222, de 31 de março de 1938, foi desanexado, e,
novamente, pelo Decreto-lei estadual nº 15.177, de 31 de dezembro de 1943,
incorporado ao da capital. Tal situação perdurou a promulgação da Constituição
Estadual, a 27 de julho de 1947, que estabeleceu, no artigo décimo das
Disposições Transitórias, o restabelecimento do município de Espírito
Santo.
Em 1750, Vila Velha foi elevada a distrito e, posteriormente, município pela Constituição estadual de 1890. Entre final do século XIX e começo do século XX Vila Velha era uma cidade de vida modesta, composta de poucas casas, de ruas bem alinhadas, farta em pescados e privilegiada em atrativos naturais. A primeira planta da cidade, datada de 1894, promovia primeiro o melhoramento da Prainha, do centro, onde eram desenvolvidas as principais atividades de Vila Velha, foram abertas ruas mais largas, casas demolidas, afim de organizar o espaço urbano.
Desde a inauguração do bonde em 1912 até a década de 50, esse se afirmou como um transporte coletivo urbano por excelência assim como um marco romântico na vida de todos. O Bonde foi de grande importância para a população capixaba, em especial a comunidade de Vila Velha, sendo sua maioria gente simples e sem outra opção para se locomover. A ponte construída em estrutura metálica importada da Alemanha durante o governo de Florentino Avidos (1924-1928), é considerada um dos primeiros fatores de desenvolvimento urbano de Vila Velha e recebeu o nome do político e o apelido de 5 pontes da população. Somente no ano de 1958, o município foi oficialmente reconhecido como Vila Velha, até então denominado Espírito Santo. Até o quinto decênio deste século, a ocupação do município se processou em ritmo lento. No entanto, a partir de 1951 quando foi concluída a obra da rodovia Carlos Lindemberg, começou o declínio do transporte por bondes, já que a população dava preferência aos ônibus e outros acontecimentos contribuíram para o crescimento do município como a construção da Rodovia do Sol ao longo do litoral na década de 70; a construção da Ponte Castelo Mendonça (3º Ponte), que encurtou consideravelmente a distância entre a capital, provocando uma valorização da orla de Vila Velha( Praia da Costa, Itapuã e Itaparica); a explosão demográfica que praticamente multiplicou por 10 a população em menos de 50 anos (24.611 habitantes em 1950, para 297.052 em 1996).
Vila Velha é hoje uma cidade progressista e adaptada a todas as circunstâncias da universalização dos costumes. As indústrias do mobiliário, vestuário, alimentação e da construção civil são os setores que mais se destacam na economia de Vila Velha, e é claro, a Cooperativa de Pesca do município. É sobretudo no turismo e nas atividades portuárias que Vila Velha tem o seu destaque e aposta num futuro próspero que a padroeira, Nossa Senhora da Penha, reserva para todos os Canelas-Verdes.