Primeiras
Competições, Vitórias e Mudanças
A preocupação com o nacionalismo foi marcante no início
do Flamengo. Primeiramente, a denominação de grupo, ao invés
de clube, palavra estrangeira. Depois, com a aquisição de
novos barcos ao longo dos anos, a origem dos nomes foi a indígena
(Aymoré, Iaci e Irerê) ao invés dos antigos, derivados do
grego (Pherusa e Scyra).
Mas foi com a Scyra mesmo
que o Flamengo entrou em sua primeira competição. Um
fiasco, causado pela inexperiência dos seus remadores, que
comeram um bacalhau à portuguesa com vinho verde antes da
disputa. O barco bateu na baliza de sinalização, a tripulação
enjoou e, no fim, a embarcação do Botafogo rebocou a
Scyra. Passado o primeiro vexame, o Flamengo começou a
competir, mas só conseguiu chegar em segundo e terceiro
lugar. Por isso, foi logo chamado de Clube de Bronze.
A primeira vitória veio no
dia 5 de julho de 1898, na I Regata do Campeonato Náutico
do Brasil, com Irerê, uma baleeira a dois remos. Nesta época,
o Flamengo já reunia seguidores de todas as classes
sociais, dos intelectuais, passando pelas famílias
tradicionais, até os empregados de comércio, todos
torcedores fanáticos do grupo. As mocinhas que caminhavam
na praia do Russel acabam sempre no número 22 e a sede do
Flamengo ficou conhecida como a "República da Paz e do
Amor".
Antes um pouco, em 23 de
novembro de 1896, uma das mudanças mais significativas na
história do Flamengo. Como as camisas do uniforme,
listradas nas cores azul e ouro, eram importadas da
Inglaterra e desbotavam com facilidade devido ao sol e ao
mar das competições do remo, Nestor de Barros propôs que
elas fossem para vermelha e preta. Junto com a mudança das
cores e o crescimento do Flamengo, veio a transformação de
Grupo em Clube, sugerida pelo poeta e cronista Mário
Pederneiras. Estava definitivamente concretizado o amor
rubro-negro pelo Clube de Regatas do Flamengo.
Futebol
disputa espaço com o remo
Depois de começar mal no
remo, o Flamengo foi pegando experiência com o tempo.
Afinal, outros grupos já existiam há mais tempo e venciam
as competições com maior freqüência, como o Gragoatá, o
Botafogo e o Vasco da Gama. As primeiras provas eram
conquistadas enquanto a paixão pelo clube aumentava.
A partir do início do século
XX, o futebol começava a disputar popularidade na cidade do
Rio de Janeiro com o remo. Mas, como o clube rubro-negro não
dispunha de departamento de esportes terrestres, seus sócios
eram obrigados a acompanhar o Fluminense também, pois em
Laranjeiras havia um time para torcer.
O maior exemplo desta divisão
era Alberto Borgerth. Pela manhã, era remador no Flamengo.
À tarde, representava o Fluminense no futebol. Os
torcedores, sem opção para acompanhar os dois esportes em
um só clube, seguiam o mesmo comportamento, dividindo-se na
paixão clubística.
O Flamengo, então, começou
a dar os seus primeiros passos no nobre esporte bretão. O
clube começa a disputar alguns amistosos. No primeiro,
realizado dia 25 de outubro de 1903 no Estádio do Paissandú
Atlético Clube, perde do Botafogo por 5 a 1, com a seguinte
formação: G.V. de Castro, V. Fatam, H. Palm, Sampaio
Ferraz, A. Gibbons (capitão), L. Neves, C. Pullen, M.
Morand, A. Vasconcelos, D. Moutinho e A. Simonsen, com os
reservas M. Gudin e A. Furtado.
Uma curiosidade é que o
time de futebol não entrava em campo com o uniforme oficial
do Flamengo. No primeiro jogo, vestiu camisas brancas e
shorts pretos. Depois, foi obrigado a usar o Papagaio de
Vintém e a Cobra Coral. O esporte era malvisto pelo remo
rubro-negro e, por isso, o clube só se filiou à Liga
Metropolitana de Futebol – criada em 1905 - em 1912,
depois do ingresso dos ex-tricolores, ficando cerca de nove
anos disputando somente amistosos.
O
Futebol Oficial no Flamengo
O futebol do Flamengo é
dissidente do Fluminense. Em 1911, o tricolor estava às vésperas
do título carioca, mas, atravessava grave crise interna. O
capitão do time, Alberto Borgeth (o mesmo que remava pelo
Flamengo), se desentendeu com os dirigentes e, depois de
conquistado o campeonato, liderou um movimento de saída das
Laranjeiras. Dez jogadores campeões deixaram o Fluminense:
Othon de Figueiredo Baena, Píndaro de Carvalho Rodrigues,
Emmanuel Augusto Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida,
Orlando Sampaio Matos, Gustavo Adolpho de Carvalho, Lawrence
Andrews e Arnaldo Machado Guimarães.
Dia 8 de novembro, foi
aprovado o ingresso dos novos sócios. Os remadores do
Flamengo, porém, não eram favoráveis à dedicação
oficial do clube rubro-negro ao futebol, caso que estava
sendo analisado por uma comissão da qual o líder era
justamente Alberto Borgerth.
Mas não teve jeito mesmo.
Em assembléia realizada no dia 24 de dezembro de 1911, o
Flamengo criou oficialmente o seu time de futebol, sob a
responsabilidade do Departamento de Esportes Terrestres.
A equipe treinava na praia
do Russel e conquistava maior simpatia ainda com o povo, que
acompanhava de perto os atletas no dia-a-dia. No primeiro
jogo oficial, realizado dia 3 de maio de 1912, no campo do
América, na Campos Sales, uma goleada, a maior da história
do clube. O Flamengo venceu o Mangueira por incríveis 15 a
2. A equipe rubro-negra jogou com Baena, Píndaro e Nery;
Curiol, Gilberto e Galo; Baiano, Arnaldo, Amarante, Gustavo
de Carvalho, e Borgerth. Gustavo Adolpho de Carvalho marcou
o primeiro gol oficial da história do Flamengo e fez outros
três no jogo. Arnaldo (4), Amarante (4), Borgeth (2) e Galo
(1) completaram o placar.
Como não possuía um campo
próprio, o Flamengo mandava os seus jogos no Fluminense.
Depois de um tempo, arrendou um espaço na rua Paissandu, de
propriedade da família Guinle, e parou de considerar o estádio
das Laranjeiras como a sua casa.
O
Primeiro FLA X FLU e os Primeiros Títulos
No dia 7 de julho de 1912,
o Flamengo disputou o seu primeiro Fla x Flu. Os campeões
dissidentes do tricolor que passaram a defender o
rubro-negro, porém, surpreendentemente perderam por 3 a 2
no confronto com o ex-clube. Muitos dizem que por causa
desta derrota é que abriu-se a enorme ferida que alimenta a
eterna rivalidade do clássico mais famoso do mundo, o único
que tem nome próprio.
Mas a primeira derrota para
o rival não abalou em nada o ânimo rubro-negro. Nos oito
primeiros anos de disputa futebolística, dois
tricampeonatos nos 2º Quadros (aspirantes da época),
1912/13/14 e 1916/17/18, dois vice-campeonatos, em 1912/13,
e um bicampeonato com a equipe principal, 1914/15.
No primeiro título oficial
conquistado pelo Flamengo, apenas uma derrota, para o
Botafogo, por 2 a 1. Já o bicampeonato foi invicto.
Destacou-se nas duas campanhas o artilheiro Riemer, com 8
gols em 1913, 14 e 15.
Conforme ia se afirmando
como esporte importante no clube, o futebol mudava de
uniforme. Em 1912, a estréia oficial foi feita com a camisa
quadriculada em vermelho e preto, logo apelidada jocosamente
de Papagaio de Vintém pelos adversários. No ano seguinte,
mudança para as listras vermelha e preta, sendo que com um
friso branco entre uma e outra. Também ganhou apelido, o de
Cobra Coral. Como era muito semelhante ao pavilhão fascista
alemão, em 1914 ficou determinado finalmente que os
jogadores do futebol poderiam usar o mesmo uniforme dos
remadores, implantando-se, enfim, a igualdade nos dois
esportes. O resultado foi a conquista do primeiro título.
Superstição ou não, funcionou e continuou assim.
Mas, após o bicampeonato
de 1914/15, o Flamengo sofreu um duro golpe. A família
Guinle não quis renovar o contrato de arrendamento do campo
de treino da rua Paissandu, dando somente a opção de
compra. Como o clube não dispunha de verbas para
investimento de tal vulto, ficou com o prazo até o dia 31
de dezembro de 1931 para deixar o local.
A
conquista definitiva do povo
A década de 20 foi boa
para o Flamengo. Depois de conquistar os títulos de 1914/15
no futebol, o clube voltou a levantar o título carioca em
1920, de forma invicta e marcando a primeira dobradinha com
o remo - que havia ganho pela primeira vez no bicampeonato
de 1916/17 - sendo campeão de terra e mar.
A taça de 1920 também foi importante para aumentar ainda
mais a rivalidade com o Fluminense. Com a conquista, o
Flamengo impediu, pela primeira vez, um tetracampeonato do
tricolor.
Em 1921, novo título no
futebol. Os principais nomes do time eram os atacantes
Junqueira, Candiota, Nonô e Sidney, Porém, nos três anos
seguintes, o Flamengo foi vice-campeão seguidamente,
voltando a conquistar o Carioca somente em 1925. Nesta
campanha, só foi derrotado uma vez - pelo Fluminense,
placar de 3 a 1 -, venceu pela primeira vez outro
tradicional rival, o Vasco da Gama, por 2 a 0, e teve em Nonô
o grande artilheiro e destaque novamente, com 27 gols em 18
jogos.
Raça
Rubro-Negra Popular
No ano de 1927 aconteceram
dois episódios que comprovam muito bem a força que o
Flamengo já representava com apenas trinta anos de história.
O primeiro foi o poder rubro-negro no futebol. O segundo, a
sua famosa popularidade comprovada em números.
Suspenso por um ano pela
Associação Metropolitana de Esportes Atléticos por ceder
o seu campo de treinamento ao Paulistano para um amistoso
com argentinos, o clube ficou sem jogadores. Os atletas se
transferiram para outros times ou abandonaram a carreira, não
acreditando que o Flamengo pudesse reverter a situação.
Mas o povo se revoltou e
exigiu a volta do clube às competições. Autorizado a
disputar o campeonato carioca, o Flamengo contou apenas com
jogadores que já haviam encerrado a carreira. Na primeira
partida, uma goleada sofrida frente ao Botafogo por 9 a 2.
Mesmo assim, a raça rubro-negra falou mais alto na hora da
decisão e o Flamengo reverteu a situação mesmo com um
time improvisado, sendo campeão em cima do Vasco, vencendo
as decisões do turno, 3 a 0, e do returno, 2 a 1.
Nesta última partida, o
atacante Moderato mostrou do que a paixão rubro-negra é
capaz, apesar do incipiente profissionalismo. O jogador, que
sofrera uma cirurgia de apêndice dois dias antes do jogo,
atuou com uma cinta e suportou fortes dores até o fim dos
noventa minutos.
O outro episódio marcante
do ano de 1927 é a eleição do clube mais querido do
Brasil. Com o objetivo de apontar a agremiação mais
popular do país, o Jornal do Brasil promoveu uma votação
em que os leitores deviam enviar cupons apontando o seu time
do coração.
Os jornaleiros lusitanos,
então, escondiam os exemplares e só os vendiam aos
torcedores vascaínos. No dia de entregar os cupons na sede
do jornal, rubro-negros se disfarçaram de portugueses e
recolheram os votos cruzmaltinos, jogando-os no poço do
elevador e nas latrinas. Na hora da contagem dos votos, o
Flamengo foi eleito o Mais Querido do Brasil. Estava
comprovada definitivamente a popularidade e a força do
clube.
Preocupação
com o Patrimônio Rubro-Negro
Junto com a conquista dos títulos
do futebol e do remo, o Flamengo se movimentava para
aumentar o seu patrimônio. Em 1920, os sócios autorizaram
a diretoria a comprar o prédio do nº 66 e o restante do nº
68 (antigo nº 22, residência de Nestor de Barros e local
de fundação do Grupo de Regatas do Flamengo), onde já
estava sediada a sede náutica e social do clube.
Quase no fim da campanha de
arrecadação junto ao quadro social, em 25 de março de
1925, o presidente Faustino Esposel reuniu a diretoria e
comunicou a disposição do então prefeito da cidade do Rio
de Janeiro, Antônio Prado Jr,. de ceder uma área de mais
de 34 mil metros quadrados às margens da Lagoa Rodrigo de
Freitas.
Com a possibilidade de ter
um grande espaço para as atividades sociais e esportivas do
clube, a diretoria do Flamengo hipotecou os prédios de º
66 e 68 assim que os adquiriu, visando aumentar as verbas e
poder dar início às obras na Gávea para a construção do
estádio próprio.
O primeiro jogo na Gávea,
ainda sem muro e cercado por um punhado de madeiras,
aconteceu em 26 de novembro de 1926 entre a Liga de Amadores
de Foot-Ball (São Paulo) contra a Association de Amateurs
de Argentina.
Profissionalismo,
jejum e Gávea
Os anos trinta foram
marcados pelo jejum rubro-negro no futebol. Ocupado em dar
início às obras no terreno da Lagoa, o Flamengo teve o
maior período sem títulos no esporte mais popular.
Com a última taça sendo
conquistada de maneira brilhante em 1927, o Flamengo só
voltou ao posto de melhor time carioca doze anos depois, no
campeonato de 1939, já com o seu estádio pronto.
Em 1936, 1937 e 1938, o
rubro-negro viu o tricolor ser campeão carioca, ficando com
o vice. Mas a espera valeu a pena, pois o título de 1939
evitou, pela segunda vez, o inédito tetracampeonato do
Fluminense. O rival das Laranjeiras havia contratado quase
toda a seleção paulista e ganho o tri nos anos anteriores.
O Flamengo tinha os craques Yustrich, Domingos da Guia, Leônidas
da Silva, Valido e Jarbas e não perdeu um jogo para o então
grande tricampeão – venceu dois dos três confrontos, por
2 a 1 -, coroando a campanha com uma vitória em cima do
Vasco por 4 a 0.
Construção
da Gávea
Em de 14 de novembro de
1931, pelo decreto municipal 3.686, o Flamengo ficou com o
direito de cessão e aforamento do terreno da Lagoa
garantido pelo prazo de 60 anos. Ali o clube construiu seu
primeiro estádio de futebol, com cercas de madeira.
No dia 28 de dezembro de
1933, o então presidente José Bastos Padilha pagou a taxa
de 497 contos de réis e o Flamengo pôde começar as obras
de construção do estádio da Gávea – o Estádio José
Bastos Padilha -, com capacidade para 6 mil espectadores.
No lançamento da pedra
fundamental do estádio, o Prefeito do Distrito Federal já
era Pedro Ernesto, que foi homenageado na ocasião. Em 10 de
janeiro de 1935, pressionado pela Prefeitura, o presidente
José Bastos Padilha anunciou o término da construção do
muro de alvenaria em volta do terreno, uma das exigências
do contrato de cessão do imóvel. Foram colocados quatro
portões de madeira e construída uma pista de atletismo em
volta do campo. Algum tempo depois, o Flamengo conseguiu a
instalação de água para irrigação do gramado e chuveiro
nos vestiários, além de luz elétrica e um telefone
particular.
Em 14 de março de 1936, o
Conselho Deliberativo autorizou o início das obras de
construção das arquibancadas do estádio. Foram
arrecadados 500 contos de réis para que a Comissão de
Obras formada por Mário Rebello de Oliveira, Manuel Joaquim
de Almeida, Comandante Alberto Lucena, José Manoel
Fernandes, Gustavo de Carvalho e Alejandro Baldassini
contratasse os construtores. A primeira estaca, de um total
de 160 a cargo da firma Pieux-Franki, foi batida com uma
grande solenidade no dia 9 de agosto de 1936. Custo da obra:
360 contos de réis. O preço total do estádio tinha sido
avaliado em 1 milhão e 100 mil contos de réis, a cargo da
Construtora Pederneiras S. A.
Para não parar a obra, era
preciso arranjar dinheiro e isso foi feito através do lançamento
de títulos de sócio proprietário autorizado pelo Conselho
Deliberativo em sessão de 9 de janeiro de 1937.
Inicialmente, foram lançados 100 títulos a 4 contos de réis
cada um. Sucesso total, comprovando mais uma vez a enorme
popularidade do Flamengo junto ao povo. Todos foram vendidos
em 30 dias e o Flamengo arrecadou 400 contos de réis. Mais
100 títulos foram lançados – já com aumento – a 5
contos de réis cada e também vendidos. Mais 500 contos de
réis no caixa do Flamengo.
As obras estavam sendo tocadas a pleno vapor quando o
presidente José Bastos Padilha renunciou ao cargo alegando
cansaço após cinco anos lutando pela construção do estádio.
Raul Dias Gonçalves assumiu e completou o mandato até 31
de dezembro de 1938.
No meio do mandato de Raul
Gonçalves, o conselheiro Oscar Esposel propôs a inauguração
do Estádio da Gávea em 15 de novembro de 1938, quando o
Flamengo estivesse completando 43 anos de fundação. Mas a
festa aconteceu antes. No dia 4 de setembro de 1938, o Estádio
da Gávea, logo depois batizado "Estádio José Bastos
Padilha", foi inaugurado com um jogo entre Flamengo e
Vasco. Vitória vascaína, por 2 a 0, mas a alegria era
mesmo rubro-negra, por estar com a nova casa concluída.
O
Primeiro Tri-campeonato
Depois do brilhante título
de 1939, o Flamengo perde o craque Leônidas da Silva e
assiste o Fluminense voltar a reinar no início da década
de 40. O tricolor conquista o bicampeonato em 1940/41,
deixando o rubro-negro como vice nos dois anos, e parte rumo
a outro tri. Neste último ano, Pirilo, centroavante do
Flamengo, entra para a história do campeonato carioca, ao
marcar 39 gols, sendo o maior artilheiro num ano da competição.
O então presidente do
Flamengo, Gustavo de Carvalho, decide dar plenos poderes ao
técnico Flávio Costa. O treinador estrutura o time
rubro-negro para impedir o título do Fluminense.
Surge um dos três maiores
jogadores da história do Flamengo. Thomaz Soares da Silva,
o Zizinho, ou Mestre Ziza, tal era a sua categoria. O craque
comanda a equipe rubro-negra em 1942 e impede mais um
tricampeonato tricolor, dando início à primeira seqüência
de três títulos cariocas seguidos do rubro-negro, em
1942/43/44.
Liderando uma grande
equipe, na qual se destacavam as lendas rubro-negras
Yustrich, Domingos da Guia, Biguá, Jaime, Valido, Pirilo e
Vevé, Zizinho leva o Flamengo à sua primeira grande glória
da história.
Em três anos, 44 vitórias, 188 gols marcados e apenas seis
derrotas. Em 63 jogos o time obtém média de três gols por
partida. Pirilo foi o artilheiro da campanha, marcando 46
vezes. O grande destaque foi Valido, que voltou ao futebol
aos 41 anos, para marcar o gol do tri. Mesmo sofrendo de
febre, o centroavante argentino fez 1 a 0, aos 41 min do
segundo tempo da final disputada na Gávea para 20 mil
pessoas, contra o Vasco, num lance muito polêmico – o
jogador teria se apoiado no zagueiro adversário para
cabecear. Choro vascaíno e alegria rubro-negra, em um dos títulos
mais saborosos da história do Flamengo.
A
Ressaca Depois do TRI
Conquistado o primeiro
tricampeonato da história do clube, o Flamengo não
consegue manter o time para a tentativa do tetra, em 1946.
Perácio é convocado pelo Exército Brasileiro para lutar
no fim da II Guerra Mundial e sem Jurandir, Domingos da Guia
e Valido, o rubro-negro perde suas forças. O tiro de
misericórdia é dado pelo Vasco, que contrata o mentor Flávio
Costa.
São pouco os remanescentes
do tricampeonato e nem Zizinho e Jair da Rosa Pinto são
capazes de levar o clube ao quarto título seguido. A crise
se instala no futebol da Gávea e o Flamengo não consegue
mais do que as terceiras colocações em 1945/46 e 1948/49.
Pior, começa o tabu, que iria durar até 1951, de não
vencer o Vasco por seis anos. A década que começou bem
para o Fla termina mal.
O
Segundo Tri-campeonato
A década de 50 começa
para o Flamengo da mesma forma que a de 40 terminou: com
crise no futebol. O presidente Dario de Melo Pinto vende
Zizinho para o Bangu, antes mesmo da Copa do Mundo disputada
no Brasil, numa negociação lamentada por muitas décadas
no clube rubro-negro. Para piorar, o tabu contra o Vasco
continua e, numa goleada de 5 a 2 sofrida para o rival, a
torcida fica revoltada e queima a camisa 10 de Jair da Rosa
Pinto, exigindo a volta do técnico Flávio Costa. O
resultado de tanta turbulência é a pior colocação
rubro-negra na história do campeonato carioca, um sétimo
lugar, atrás até do Olaria.
Diante de tamanho desastre,
o treinador do tri da década de 40 é contratado pela
diretoria. Mas o retorno à Gávea de Flávio Costa não é
igualmente vitorioso. O time termina em quarto lugar em 1951
e é vice em 1952, perdendo o título para o Vasco. Pelo
menos termina com o tabu de derrotas para os cruzmaltinos,
em 1951, mas nada que segurasse o técnico na Gávea
novamente.
Em 1953, chega à Gávea
aquele que iria conduzir o Flamengo ao segundo tricampeonato
da sua história. O paraguaio Fleitas Solich contrata os
conterrâneos García, Chamorro e Benítez e junta-os a uma
geração maravilhosa formada na Gávea. Na defesa, a
virilidade de Pavão e a habilidade de Jordan; no
meio-campo, a técnica de Dequinha, Rubens, Paulinho e
Moacir; na frente, um ataque habilidoso e goleador, formado
por Joel, Índio, Henrique, Evaristo, Zagallo e Dida;
destaques da campanha do segundo tri conquistado em
1953/54/55.
No último ano do tri, a taça
é levantada depois de uma melhor de três contra o América,
em que o Flamengo vence a primeira por 1 a 0, perde a
segunda de goleada, 5 a 1, e devolve o placar dilatado na
terceira, 4 a 1.
Conquistado o segundo tri
da sua história, o Flamengo não repete as brilhantes atuações
nos campeonatos seguintes e termina em terceiro colocado em
1956 e 1957, sendo vice em 1958 e sexto lugar em 1959.
Década
de Alegrias Rubro-Negras
A década de 50 foi uma das
melhores da história do Flamengo. Se não venceu nenhum
campeonato no remo, pelo menos no futebol foi tricampeão
carioca e revelou craques até para a seleção brasileira
campeã mundial em 1958; no basquete teve a geração
maravilhosa de Algodão, comandada por Kanela, que foi
decacampeã carioca; no vôlei foi duas vezes bicampeão com
Carmen Godinha e Zoulo Rabelo; e no atletismo conquistou um
pentacampeonato carioca e um brasileiro com Tião Mendes.
Tanta emoção vitimou um
dos maiores presidentes da história do clube. Gilberto
Cardoso, um símbolo do amor rubro-negro, faleceu devido ao
um infarto depois da emocionante final do campeonato carioca
de basquete de 1955, decidida no último segundo. O Flamengo
perdeu um dos seus mais dedicados filhos numa época
gloriosa.
Mais
conquistas e o primeiro título nacional
A década de 60 não começou
bem para o Flamengo. Além da quarta colocação campeonato
carioca, a renúncia do presidente George Fernandes por
causa de dívidas do clube serviu para tumultuar ainda mais
o ambiente rubro-negro.
Fadel Fadel assume e dá sorte. No seu primeiro ano, em
1961, o Flamengo conquista o Torneio Rio-São Paulo, sendo a
primeira taça de nível nacional que vem para a Gávea.
Surge a geração de Carlinhos, Nelsinho, Gérson, Jaime,
Silva e Almir.
Em 1963, o Flamengo impede
o tricampeonato carioca do Botafogo. Começa mal o
campeonato, com duas derrotas, para América e Bangu. Mas se
recupera e não perde mais nenhuma partida até o fim da
campanha.
Este mesmo ano marca o fim
do jejum no remo, que vence após 20 anos e torna o Flamengo
campeão de terra e mar novamente. O presidente Fadel Fadel
inicia a construção do parque aquático da Gávea,
reestrutura o departamento de natação do clube e organiza
o esporte que iria dar os bons frutos no fim da década de
60, com o bicampeonato estadual e o primeiro Troféu Brasil.
Depois do terceiro lugar em
1964, o Flamengo tem um maravilhoso ano em 1965. No futebol
ganha o campeonato carioca e o Torneio do IV Centenário do
Rio de Janeiro, começa a campanha do pentacampeonato do
remo – sendo mais uma vez campeão de terra e mar – e
conquista o bicampeonato do Troféu Brasil de atletismo, além
do estadual masculino do esporte.
Entra a administração de
Luis Roberto Veiga de Brito. Em 1966, um episódio marcante,
mas nem tão feliz para o clube. O Flamengo perde a decisão
do campeonato carioca para o Bangu e Almir Pernambuquinho,
raçudo centroavante rubro-negro, não deixa a partida
acabar ao iniciar a maior briga da história do Maracanã.
Era uma época difícil
para o futebol do Flamengo. Vivendo uma entressafra de
craques e tendo como maior adversário o super-time do
Botafogo, com Garrincha, Didi e Gérson, o time rubro-negro
fica no jejum na segunda metade da década de 60. Em 1969,
tem a oportunidade de conquistar o título, mas perde para o
Fluminense.
Se no futebol estava ruim,
o remo continuava a campanha do pentacampeonato e a natação
conquistava o bicampeonato carioca, depois de um longo jejum
de 28 anos, e o inédito Troféu Brasil. Coisas de um clube
forte em vários esportes.
O
começo da geração de ouro
Depois de um fim de década
nem tão bom para o futebol, o Flamengo começa a formar a
geração que daria as maiores glórias para o clube no
esporte. Zico, que chegara ao clube em 1967 pelas mãos do
radialista Celso Garcia, já se destacava nas escolinhas
rubro-negras. Em 1972, o Flamengo vence o campeonato carioca
depois de sete anos e o jovem craque lidera o time juvenil
no primeiro ano do bicampeonato da categoria - já havia
estreado nos profissionais em 1971.
Neste ano ainda, outra
grande alegria foi a conquista do Torneio do Sesquincentenário
da Independência do Brasil. Porém, acontece um desastre
também, que seria reparado somente nove anos depois. A
goleada de 6 a 0 do Botafogo fere a alma da torcida
rubro-negra.
Em 1974, Zico passa a
titular da equipe principal do Flamengo e ganha o seu
primeiro título como profissional, em cima do Vasco, campeão
brasileiro do mesmo ano. O craque rubro-negro dá uma
pequena amostra do que seria capaz de proporcionar ao clube.
Nos dois anos seguintes, não
teve como superar o Fluminense e sua máquina tricolor. O
presidente Francisco Horta montou um grande time, não
deixando chance para os rivais, e conquistou o bicampeonato
carioca.
Mas a espera valeu a pena.
Em 1978, o Flamengo conquistou um dos títulos mais
marcantes da sua história. Impediu o bicampeonato do Vasco
vencendo a partida no final - gol de Rondinelli de cabeça -
e deu início à campanha do seu terceiro tricampeonato
carioca, completado em 1979 com dois títulos em um ano.
Era o início de um grupo
que brilharia intensamente na década de 80. Os talentos
incipientes de Júnior, Andrade, Zico e Tita, a categoria
veterana de Carpegiani e Raul, coadjuvantes mais que
brilhantes como Rondinelli e Cláudio Adão e os que ainda
estavam por vir, como Leandro, Figueiredo, Mozer, Adílio, Júlio
César, das divisões de base da Gávea, e Nunes, Baltazar e
Lico.
Formação
de Talentos também nos outros Esportes
A preparação para uma década
maravilhosa, a de 80, não foi privilégio só do futebol. A
natação do Flamengo formou os talentos que iriam trazer
para a Gávea uma extensa lista de títulos cariocas e
brasileiros durante mais de dez anos. Em 1978, ganhou o Troféu
José Finckel e iniciou em 1979 a sensacional sequência de
títulos estaduais que só iria terminar no fim da década
de 90.
No vôlei feminino e no
remo, os atletas rubro-negros eram formados já ganhando títulos.
As meninas venceram o estadual de 1977 depois de 16 anos de
jejum e alcançaram a glória nacional ao vencerem o
campeonato brasileiro em 1978. Já dentro d’água, a sequência
de títulos foi impressionante. O Flamengo conquistou todos
os cariocas da década, vencendo o seu primeiro Troféu
Brasil em 1978.
Década
maravilhosa
A década de 80 foi a que
mais trouxe conquistas para o Flamengo. Anos em que a
alegria de ser rubro-negro era maior do que qualquer outra
coisa. Tempo em que Zico, o maior ídolo da história do
clube, reinava nos campos de futebol, coadjuvado por
estrelas como Raul, Leandro, Mozer, Rondinelli, Júnior,
Andrade, Adílio, Júlio César, Tita, Nunes e Lico. Fora
dos gramados, o esporte amador ganhava tudo o que disputava,
na natação, basquete, remo e judô.
Embalado pelo tricampeonato
carioca, em 1980, o Flamengo conquista o seu primeiro
Campeonato Brasileiro - até então, no Rio de Janeiro,
somente o Vasco havia se sagrado campeão nacional, em 1974.
Depois de perder no Mineirão por 1 a 0, Raul, Toninho,
Manguito, Marinho e Júnior; Andrade, Carpegiani e Zico;
Tita, Nunes e Júlio César entram em campo no Maracanã com
a obrigação de vencer. O esquadrão rubro-negro faz uma
emocionante final com o Atlético-MG, ganha nos últimos
minutos, com gol do centroavante rubro-negro. A explosão de
alegria seria a primeira de muitas na década.
No ano seguinte, o Flamengo
teve as maiores felicidades que um clube pode alcançar,
tudo isso num espaço de dois meses. De novembro até o fim
do ano, o time foi campeão estadual, da Taça Libertadores
da América e Mundial, tornando-se o segundo time da história
do futebol brasileiro a conquistar a glória de ser o melhor
do planeta. De quebra, ainda devolveu uma goleada de 6 a 0
sofrida para o rival Botafogo em 1972 e que ficou por quase
10 anos entalada na garganta dos torcedores rubro-negros.
Participando pela primeira
vez da disputa da Taça Libertadores da América, o Flamengo
voltou todas as suas forças para essa competição. Mostrou
ser bom de bola e valente sem ela também. Superou a violência
dos rivais sul-americanos e conquistou o título de campeão
do continente, em uma final muito disputada, com o Cobreloa,
vencida por 2 a 0 no terceiro jogo, gols de Zico.
No dia 13 de dezembro de
1981, o Flamengo entrou em campo para o jogo mais importante
da sua história. Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior;
Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico eram os onze
encarregados de levar o clube rubro-negro à conquista do título
mundial interclubes contra o Liverpool, poderoso time inglês.
O Mengão mostrou sua força,
enfiou 3 a 0, gols de Nunes (2) e Adílio, já no primeiro
tempo e se sagrou campeão do mundo. Era o êxtase maior da
Nação, que, em todas as partes do planeta, cantou como
nunca a alegria de ser rubro-negro.
No ano seguinte, mais
motivo para sorrir, com a conquista do bicampeonato
brasileiro. Da equipe campeã mundial, a única mudança
havia sido a entrada do jovem Figueiredo no lugar do
zagueiro Marinho. Na decisão, o Flamengo venceu o Grêmio
no seu terreiro por 1 a 0, gol de Nunes (na foto ao
lado)depois de passe de Zico, pra variar.
Em 1983, o terceiro título
e a coroação de melhor time do Brasil da década, já no
começo da mesma. Na final de Campeonato Brasileiro com
maior público de todos os tempos (mais de 155.253 pessoas),
o Flamengo novamente não deixou prevalecer a vantagem do
empate do adversário. Meteu um gol logo aos 40 segundos de
jogo, com Zico, e ampliou com Leandro no fim da primeira
etapa. No último minuto, Adílio, o melhor em campo, fechou
a goleada. O clube rubro-negro se igualava ao Inter,
tricampeão em 1976/76/79, como o clube de maior número de
títulos nacionais do país.
Apesar do apogeu, o
Flamengo perdeu o seu maior ídolo. Na época em que os
clubes estrangeiros começavam a se tornar o eldorado do
futebol mundial, Zico se transfere para o Udinese, da Itália,
e a Nação fica orfã. O resultado é um jejum de títulos
de três anos na década mais gloriosa do clube da Gávea.
O Galinho de Quintino não
agüenta de saudades e volta em 1985. Os adversários tremem
de novo e, mesmo em recuperação de mais uma cirurgia no
joelho e envolvido com a seleção brasileira, comanda um
time jovem ao título de campeão carioca de 1986, o segundo
da década de 80. Nesta equipe despontava aquele que poderia
ter sido o seu substituto, mas que não aproveitou a chance
e se perdeu em outros clubes. Bebeto foi destaque da
campanha e começou a se firmar entre os profissionais.
Em 1987, junto dos
veteranos Leandro, Edinho e Andrade, dos novos talentos
desenvolvidos na Gávea, como Jorginho, Aldair, Leonardo,
Bebeto e Zinho, e de um endiabrado ponta direita, Renato Gaúcho,
Zico levanta a quarta taça de campeão brasileiro,
tornando, na época, o Flamengo em maior detentor de títulos
nacionais de todos os tempos.
A década terminou de maneira triste para o Flamengo. Em
1989, o craque maior da história do clube da Gávea se
despediu dos gramados e deixou uma legião enorme de fãs
carentes. Como ficaria o Flamengo sem Zico? Ainda mais que
Bebeto e jovens valores da equipe rubro-negra estavam sendo
negociados, como Leonardo, Jorginho, Aldair e outros craques
veteranos já haviam deixado o clube - Andrade e Renato Gaúcho
foram para o Roma e depois retornaram para outros clubes
brasileiros e Leandro abandonou os gramados.
Apesar
de tudo, campeão
Zico não esteve presente
na história do Flamengo como jogador a partir de 90. Mas,
um outro remanescente da década maravilhosa rubro-negra
seguiu no comando da garotada rubro-negra. Júnior, que
voltara ao Flamengo em 1989, comandou o time na primeira
metade da última década do século XX. Jogando no
meio-campo, o craque conquistou mais dois títulos
nacionais, um carioca e alavancou o Flamengo de novo ao
posto de um dos melhores times do Brasil.
Em 1990, o Flamengo ganhou
a Copa do Brasil no seu segundo ano de existência. No estádio
do Serra Dourada, segurou um empate em 0 a 0 que lhe
garantia o título, pois vencera no primeiro jogo da decisão
por 1 a 0, gol de Fernando. Júnior começava a liderar a
geração campeã da Copa São Paulo de Juniores, formada
por Júnior Baiano, Piá, Fabinho, Marquinhos, Djalminha,
Paulo Nunes, Nélio e outros.
No ano seguinte, em um dos
Campeonatos Carioca mais disputados da década, Júnior, o
‘Maestro da Gávea’, como passou a ser conhecido na época
pelo seu requintado futebol na armação de jogadas,
organizou a garotada rubro-negra no título carioca, junto
com o já experiente Zinho e Uidemar, o Ferreirinha. O
centroavante Gaúcho, com seus gols de cabeça, torna-se uma
das principais armas do time.
Em 1992, mesmo vindo da
conquista estadual, o Flamengo entrou desacreditado no
Campeonato Brasileiro. No começo da campanha, até fez jus
à falta de fé. Ficou atrás na classificação e parecia não
ter forças para chegar entre os primeiros.
Mas, em uma arrancada sensacional, passou à fase decisiva,
elimina o favorito time do Vasco e humilhou a constelação
de estrelas do Botafogo na final. Para se tornar pentacampeão
brasileiro e ampliar a vantagem como maior vencedor desta
competição no país, o jovem time do Flamengo contou com
os gols de Júnior, artilheiro da campanha com nove gols
(feito inédito para o jogador), e o apoio da Nação
Rubro-Negra. A torcida mostrou a sua força nos jogos
finais, colorindo totalmente o Maracanã em vermelho e preto
no último jogo, espremendo os rivais botafoguenses em um
canto do estádio.
Nos dois anos seguintes, o Flamengo sofre. Júnior se
despede dos gramados e deixa a Nação novamente sem rumo.
"Quem é o nosso ídolo agora?" - perguntavam-se
os rubro-negros.
Novos
Ídolos não Correspondem
Em 1995, o ex-radialista Kléber
Leite assumiu a presidência e trouxe consigo Romário (na
foto ao lado), o craque da Copa do Mundo de 1994,
conquistada pelo Brasil. O novo dirigente tirava o melhor
jogador do mundo do clube mais poderoso da Europa, o
Barcelona. Junto com o jogador, chega à Gávea Wanderley
Luxemburgo, treinador apontado pela imprensa como o melhor
do país. A promessa era, então, de um futuro brilhante. No
ano do seu centenário, o Flamengo parecia que ia marcar a
data com vitórias e títulos. Mas não foi exatamente isso
que aconteceu.
Na fase decisiva do
Campeonato Carioca, o time abriu ampla margem de pontos do
segundo colocado e pareceu que iria dar a primeira alegria
antes da metade do ano. Mas, numa final emocionante, perde
para o Fluminense por 3 a 2, com o histórico gol de barriga
de Renato Gaúcho no fim do jogo, e deixa a taça escapar.
A derrota abalou o início
da administração Kléber Leite, que se desfez de parte do
time e contratou jogadores para o Campeonato Brasileiro. Em
mais uma hábil negociação, trouxe do Palmeiras, clube
mais rico do Brasil na época, o atacante Edmundo. Além de
ter em seu elenco um trio de frente maravilhoso, com Sávio
e Romário também, o Flamengo atingiu o Vasco, ex-clube do
jogador.
Mas, apesar de contar com o
‘ataque dos sonhos’, o time vai mal no Campeonato
Brasileiro e perde um título no Maracanã. Numa final em
que a torcida rubro-negra lotou o Maracanã sozinha, o
Flamengo venceu o Independiente, da Argentina, somente por 1
a 0 – precisava de pelo menos dois gols de saldo – e não
aproveitou a última oportunidade de conquistar alguma coisa
no ano do centenário.
Promessas
e Dois Títulos Cariocas
Romário chegou à Gávea
em 1995 prometendo dar alegrias à torcida, mas, passado o
primeiro ano, o artilheiro não havia conquistado nada. Já
sem Edmundo, o presidente Kléber Leite movimenta os cofres
rubro-negros e compra mais jogadores. Do Fluminense campeão
carioca e quarto colocado do Campeonato Brasileiro, chegam o
lateral-esquerdo Lira, os meias Márcio Costa e Djair e o técnico
Joel Santana. Tira do Botafogo a revelação da competição
nacional, o armador Iranildo, e traz o atacante Amoroso,
destaque da seleção brasileira.
Com bons jogadores até no
banco de reservas, o Flamengo ganha o Campeonato Carioca de
1996 sem perder para ninguém – o quarto título invicto
na história rubro-negra. Na final, empate em 0 a 0 com o
Vasco e muito alívio depois de um jejum de três anos sem títulos.
A alegria dura pouco. Nas
competições seguintes, o time não mantém o mesmo padrão.
A diretoria compra e vende jogadores, chegando a uma centena
de transações até 1998 (fim do seu mandato). Nesta leva,
Romário vai para a Europa e volta. Eem mais uma hábil
negociação de Kléber :Leite, que chega na frente do
Vasco, Bebeto é contratado para reviver com o Baixinho a
dupla de ataque tetracampeã mundial, mas sai pela porta dos
fundos. Sávio é outro que também afunda junto com a
equipe e acaba sendo envolvido numa troca com o Real Madrid.
O resultado de tanto entra
e sai é um Flamengo descaracterizado, com vários jogadores
que nem sequer esquentam o lugar na Gávea. O time sofre
derrotas constrangedoras e Kléber Leite é chamado de pé-frio.
A maior alegria do período acaba sendo o desastre do rival.
O Vasco perde o título mundial no fim de 1998 e faz os
rubro-negros voltarem a sorrir.
Futuro
Promissor
A felicidade motivada pelos
vascaínos se prolongou em 1999. Edmundo Santos Silva foi
eleito presidente e não comprou nenhum jogador para a
disputa do Estadual. Limitou-se a manter a equipe e a
contratar um gerente de futebol, o ex-goleiro Gilmar
Rinaldi. No início do Campeonato Carioca, então, o
vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda desdenhou e afirmou
que os outros clubes iriam disputar o vice-campeonato. Mesmo
com um time inferior tecnicamente, o Flamengo supera na raça
o rival e leva mais uma taça para a Gávea, a 25ª da sua
história.
Durante o ano, o clube se
agitou em torno da discussão da proposta de parceria da
empresa suiça de marketing ISL, ao mesmo tempo em que começou
a se reforçar nos esportes amadores (Oscar, o maior jogador
brasileiro de basquete de todos os tempos, e Virna e Leila,
da seleção nacional de vôlei, começaram a defender as
cores vermelha e preta) e continuou sem contratar no
futebol.
No Campeonato Brasileiro, o
clube não foi bem. Mas, na Copa Mercosul, ganhou um título
internacional oficial depois de 18 anos - desde o campeonato
mundial interclubes, em 1981. A forma como foi conquistada
agradou em cheio a Imensa Nação Rubro-Negra. Depois de uma
semifinal em que se classificou no Uruguai eliminando o Peñarol
e agüentando a covardia do adversário, que armou uma
arapuca no término da partida e encurralou o time no campo,
o Mengão superou o poderoso Palmeiras na final, com atuações
soberbas dos jovens valores formados na Gávea, como Rodrigo
Mendes, Lê e Reinaldo.
Junto com a decisão, a
assinatura do contrato de parceria com a ISL foi firmado, no
dia 17 de dezembro, anunciando um futuro de ainda mais glórias
para o Flamengo a partir do ano 2000 e logo mais tarde, a
parceria foi desfeita.