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A Amizade na História do Homem
Compilado do Suplemento Folha Equilíbrio FSP
Daniela Falcão
Filósofos e psicanalistas apostam que o amigo voltará a ocupar
um papel de destaque na sociedade deste século.
Ela já foi considerada a mais importante virtude da sociedade, mas andou
em baixa, sobretudo no século passado.
Agora, há cada vez mais especialistas em comportamento - de filósofos a
psicanalistas - apostando que a amizade vai ser a mola mestra das transformações
do século 21 e arma poderosa na busca por formas de convivência que substituam
o esgotado modelo ego-narcisístico, em que o "cada um por si" dá o tom.
Grécia e Roma antigas
A amizade era a virtude máxima da sociedade, uma atividade engrandecedora
e revigorante. Aristóteles (384-322 a.C.) foi quem mais debateu o assunto,
dedicando ao tema dois capítulos do seu "Ética a Nicômaco". Entre os romanos,
que construíram até templos para mostrar o quão importante era a amizade,
foi Cícero (106-43 a.C.) quem escreveu a mais importante obra sobre o assunto
"De Amicitia".
Era cristã A amizade perde terreno para
o conceito de irmandade, contrário a predileções individuais. Filósofos
como Santo Agostinho (354-430) quase abandonam o uso da palavra amizade.
Renascentismo Filósofos renascentistas e humanistas voltam a valorizar a
amizade, mas de forma saudosista, pois crêem que a amizade verdadeira está
ameaçada pelo progresso. No "Discurso de Artes e Ciências", Jean Jacques
Rousseau (1712-1778) afirma que o progresso material comprometeu seriamente
a possibilidade da amizade verdadeira, substituindo-a por ciúmes, medo e
desconfiança. Nas palavras do também francês Etienne de La Boétie (1530-1563):
"Não pode haver amizade onde há desconfiança, deslealdade, injustiça. Os
maus não são amigos, são cúmplices".
Primeira metade do século 20
O capitalismo, o excesso de competitividade e a fragmentação
da sociedade são ameaças graves à amizade. Os filósofos da Escola
de Frankfurt alertam que a supervalorização da liberdade individual é incongruente
com a amizade verdadeira. Ao descrever o estado de espírito de estudantes
do Leste Europeu que fugiram da ditadura socialista, Max Horkheimer (1859-1973)
descreve: "Os estudantes fugidos, nos primeiros meses após sua chegada à
Alemanha, são felizes porque há mais liberdade, mas logo se tornam melancólicos
porque não há amizade alguma".
Atualidade A partir dos anos 70, filósofos
como Hannah Arendt (1906-1975) e Jacques Derrida defendem a revalorização
da amizade como meio de superar a insatisfação geral da sociedade com os
resultados da fragmentação excessiva por que passou. A busca de novas formas
de convivência, baseadas em valores como hospitalidade e cidadania, serão
a marca do século 21, prevêem.
FOTO 1 - Na Missa em Trovas em Anchieta, ES: Eno Theodoro Wanke, Clério Borges e ao
fundo Nealdo Zaidan / FOTO 2, 3 e 4 - Reunião na casa de Clério Borges: Kátia Bóbbio; Clério; Zenaide; Cleusa Vidal; Clério e Edson Constantino; Adir Ribeiro; Valdemir R. Azeredo; Clério; Moacyr Malacarne e Antônio Alves, com o Violão Na foto os sócios do CTC - Clube dos Trovadores Capixabas

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