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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR

O QUE É FOLCLORE ?
Definições - Origem - Tipos - Folclore Brasileiro e Capixaba



Uma história de Amor Capixaba. Monte Mochuara (Moxuara), Cariacica, ES (Índia Jacira)
e Morro do Mestre Álvaro, Serra, ES (Índio Guaraci).

22 de agosto - Dia do Folclore

Entenda o que é folclore e conheça algumas lendas brasileiras

Em 22 de agosto, o Brasil comemora o Dia do Folclore. A data foi criada em 1965 através de um decreto federal. No Estado de São Paulo, um decreto estadual instituiu agosto como o mês do folclore.

Os mitos: Saci-Pererê - Boitatá - Curupira (ou Caipora) - Lobisomem - Mãe D'água, a Iara - Mula sem Cabeça - Negrinho do Pastoreio.

O que é "folclore"?

Folclore é o conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um País. O folclore pode ser percebido na alimentação, linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de uma nação.

Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, aprovada pelo I Congresso Brasileiro de Folclore em 1951, "constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação".

Para que serve?

O folclore é o modo que um povo tem para compreender o mundo em que vive. Conhecendo o folclore de um País, podemos compreender o seu povo. E assim conhecemos, ao mesmo tempo, parte de sua História. Mas para que um certo costume seja realmente considerado folclore, dizem os estudiosos que é preciso que este seja praticado por um grande número de pessoas e que também tenha origem anônima.

Qual a origem da palavra "folclore"?

A palavra surgiu a partir de dois vocábulos saxônicos antigos. "Folk", em inglês, significa "povo". E "lore", conhecimento. Assim, folk + lore (folklore) quer dizer ''conhecimento popular''. O termo foi criado por William John Thoms (1803-1885), um pesquisador da cultura européia que em 22 de agosto de 1846 publicou um artigo intitulado "Folk-lore". No Brasil, após a reforma ortográfica de 1934, que eliminou a letra k, a palavra perdeu também o hífen e tornou-se "folclore".

Qual a origem do folclore brasileiro?

O folclore brasileiro, um dos mais ricos do mundo, formou-se ao longo dos anos principalmente por índios, brancos e negros. Saiba mais:

Região Sul

Danças: congada, cateretê, baião, chula, chimarrita, jardineira, marujada.

Festa tradicionais: Nossa Senhora dos Navegadores, em Porto Alegre; da Uva, em Caxias do Sul; da Cerveja, em Blumenau; festas juninas; rodeios.

Lendas: Negrinho do Pastoreio, do Sapé, Tiaracaju do Boitatá, do Boiguaçú, do Curupira, do Saci-Pererê.

Pratos: churrasco, arroz-de-carreteiro, feijoada, fervido.

Bebidas: chimarrão, feito com erva-mate, tomado em cuia e bomba apropriada.

Região Sudeste

Danças: fandango, folia de reis, catira e batuque.

Lendas: Lobisomem, Mula-sem-cabeça, Iara, Lagoa Santa.

Pratos: tutu de feijão, feijoada, ligüiça, carne de porco. Artesanato: trabalhos em pedra-sabão, colchas, bordados, e trabalhos em cerâmica.

Região Centro-Oeste

Danças: tapiocas, congada, reisado, folia de reis, cururu e tambor .

Festas tradicionais: carvalhada, tourada, festas juninas.

Lendas: pé-de-garrafa, Lobisomem, Saci-Pererê, Ramãozinho.

Pratos: arroz de carreteiro, mandioca, peixes.

Região Nordeste

Danças: frevo, bumba-meu-boi, maracatu, baião, capoeira, caboclinhos, bambolê, congada, carvalhada e cirandas.

Festas:: Senhor do Bonfim, Nossa. Senhora da Conceição, Iemanjá, na Bahia; Missa do Vaqueiro, Paixão de Cristo, em Pernambuco; romarias - destaca-se a de Juazeiro do Norte, no Ceará.

Região Norte

Danças: marujada, carimbó, boi-bumbá, ciranda.

Festas: Círio de Nazaré (Belém), indígenas.

Artesanato: cerâmica marajoara, máscaras indígenas, artigos feitos em palha.

Lenda: Sumaré, Iara, Curupira, da Vitória-régia, Mandioca, Uirapuru. Pratos: caldeirada de tucunaré, tacacá, tapioca, prato no tucupi.

FOLCLORE DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

O folclore do Espírito Santo é tão diverso quanto às origens étnicas e culturais do povo da região. Influências portuguesas, africanas, italianas e alemãs coexistem e se mesclam num surpreendente mosaico que abriga desde os romances cantados e cantigas de roda da Península Ibérica aos ritmos quentes das chulas e lundus das senzalas.

Este trabalho revela nuances de algumas das mais expressivas manifestações da cultura popular capixaba, como a banda de Congo "Amores da Lua", a mais famosa de Vitória; o Jongo, o Caxambu e o Catambá - danças cantadas precursoras do samba; o Reis-de-Boi e as Pastorinhas, folguedos de origem bíblica que comemoram o nascimento de Jesus; e o Ticumbi de Conceição de Barra, tradicional bailado em louvor a São Benedito.

E no artesanato, destacam-se as famosas paneleiras com seus artefatos de barro queimado, e os trabalhos com conchas das regiões de Guarapari e Piúma.


Bandas de Congo

Conjunto musical típico das regiões litorâneas do Espírito Santo, a banda de congo toca e canta principalmente em festas religiosas, como as de São Benedito, São Pedro, São Sebastião e Nossa Senhora da Penha.

São grupos compostos por pessoas simples, que utilizam instrumentos rudes feitos por eles mesmos com pau oco, barricas, taquaras, peles de animais, folhas-de-flandres e ferro torcido.

Tambores, caixas, cuícas, chocalhos, casacas, ferrinhos ou triângulos, pandeiros. Ao som desses instrumentos, homens e mulheres cantam velhas e tradicionais toadas, em que há referências à escravidão, à guerra do Paraguai, aos santos de devoção popular, ao amor, à morte e ao mar.

São toadas marcadas pelo alongamento das vogais finais no fecho dos versos, o que confere um certo ar melancólico entre as batidas de percussão.

Grupo do tradicional folclore capixaba, as bandas de congo aparecem registradas em documentos antigos.


Reis-de-Bois

O Reis-de-Boi tem origem bíblica, e ao longo de um mês comemora a adoração do Menino Jesus pelos Reis Magos. Acompanhados por sanfonas e pandeiros, os foliões assumem personagens humanos, animais e entidades fantásticas, cujas aventuras giram em torno da morte e ressurreição do boi.


Pastorinhas
Também de origem bíblica, as Pastorinhas anunciam o nascimento de Jesus em Belém. Doze moças vestidas de saia xadrez, blusa branca e usando chapéu de palha enfeitado bailam e entoam seus cânticos.


Folias de Reis

As folias de Reis são muito comuns nos municípios do sul do Espírito Santo. Só em Muqui, por exemplo, existem 15 grupos, com seus palhaços cabriolando e fazendo graças.

Há registros também de Folia de Reis em Afonso Cláudio, conforme reportagem acima, do Jornal A Gazeta, de Vitória, ES, datada de 30 de Setembro de 2007.

Em São João de Petrópolis, no Município de Santa Teresa, ES, também existe um Grupo bem organizado de Folia de Reis, conforme pode ser comprovado através de um Vídeo no You Tube, onde consta, Apresentação do Grupo Folclórico de Folia de Reis de São João (Barracão) de Petrópolis, no Município de Santa Teresa, no Estado do Espírito Santo, no VI Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores promovido pelo Clube dos Poetas Trovadores Capixabas, CTC, de 07 a 09 de Novembro de 2008, na Escola Agrotécnica Federal de Santa Teresa. Assista o Vídeo do Canal Clério José Borges.(www.youtube.com/clerioborges).

      


Caxambu e Catambá
O Caxambu e o Catambá são cantorias típicas do sul do Espírito Santo, tradicional em Cachoeiro. As batucadas varam as madrugadas, e nelas são usados três tipos de tambores: dois maiores e um pequeno, chamado de candongueiro nas rodas de samba.


Ticumbi

Realizado a mais de 200 anos e passado de pai para filho, o Ticumbi é o mais tradicional folguedo em louvor a São Benedito. Os ensaios se iniciam em outubro, e as festas acontecem nos dois últimos dias de dezembro e no primeiro dia do ano, tanto em Conceição da Barra como em Itaúnas.


Jongo
Durante as festas juninas ou de São Benedito, o povaréu se reúne para o Jongo, dançando e sapateando ao som dos tambores.

O congo dos mascarados foi inventado para comemorar a festa de Nossa Senhora da Penha. É um mundo de gente, que se estende por quilômetros e quilômetros da estrada de Cariacica, agitando com seu baticum a tranqüilidade da zona rural.


Influências Européias

As influências européias são vívidas na cultura popular do Espírito Santo. Bons exemplos são os grupos de danças, que promovem as melhores tradições italianas e pomeranas.

No séc. VIII a Espanha foi invadida pelos árabes, que lá ficaram por 800 anos. O Alardo é uma representação popular das lutas entre mouros e cristãos.


Assombrações, frades e tesouros

Lendas de frades indicando tesouros existem em quantidade em nossa cidade. Numa época em que os colonos, escravizando os índios, contavam com os seus fortes braços para os enriquecerem, os jesuítas, como anjos protetores, procuravam coibir os abusos catequizando os gentios.

Como resposta, sofreram toda sorte de perseguições, dando-se conflitos nas capitanais, até que o Marquês de Pombal resolveu expulsar os jesuítas de Portugal e das colônias. Aí, então, segundo os antigos, enterravam eles seus tesouros para que não fossem despojados dos mesmos, esperando revê-los quando voltassem.  

Na fonte dos Frades costumava aparecer um frade em pé, na beirada do poço ali existente. Esta fonte fica localizada ao pé do morro da Penha e recebeu este nome porque lá os escravos apanhavam água para os frades do Convento beberem, por ser água muito boa. Ali também as escravas da Penha lavavam, não só a roupa do Convento, mas também a roupa da grande freguesia que tinham na cidade. Gabavam-se de ser a roupa mais bem lavada da cidade e que cheirava às folhas perfumadas com que costumavam esfregá-las.

Também na beira do poço do Amorim (no caminho para Inhoá) aparecia sentada uma linda jovem de cabeleira loira solta ao sabor do vento. Esta mesma jovem, em noites de luar, aparecia em pé no alto da pedra de Nossa Senhora, em frente ao poço.  

Num lugar, conhecido na época como Cruz das Almas, situado entre a Praia Formosa e o sítio onde funcionou a primeira fábrica de sabão de Vila Velha, à noite, aparecia um padre debaixo de uma árvore. Este padre morrera naquele local, que ficou respeitado por todos. Os canoeiros, por ali passando, tiravam o chapéu e se benziam.

Adaptado de "Vila Velha de Outrora", de Maria da Glória de Freitas Duarte
 


A TROVA FOLCLÓRICA
Trecho do Livro de Clério José Borges, "Origem Capixaba da Trova", publicado na Serra, ES, em Outubro de 2007.

Uma dos mais importantes pesquisadores do Folclore do Estado do Espírito Santo foi o Professor Guilherme Santos Neves. Nascido a 14 de Setembro de 1906 e já falecido, o Professor Guilherme nasceu no Espírito Santo e foi membro da Academia Espirito-Santense de Letras. Publicou os livros “Cantigas de Roda”, em 1948 e “Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares”, em 1949, entre outros livros.

GUILHERME SANTOS NEVES nasceu no dia 14 de setembro de 1906, na cidade de Baixo Guandu, ES. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, exerceu as funções de Juiz do Trabalho e Professor da Universidade Federal do Espírito Santo. Dedicou-se, de corpo e alma, ao estudo do Folclore, havendo publicado mais de cem livros e folhetos, entre os quais Cancioneiro capixaba de trovas populares (1949), Alto está e alto mora (1954), História popular do convento da Penha (1958), Folclore brasileiro: Espírito Santo (1959), Romanceiro capixaba (1980), Cantigas de Roda I e II (s/d), além de artigos e ensaios publicados em jornais e revistas especializadas. Foi membro do Conselho Nacional de Folclore. Faleceu em Vitória, ES, no dia 21 de novembro de 1989.

Antes de falecer, já bastante idoso, o professor Guilherme Santos Neves, no período de 1980 a 1989, participou de algumas promoções do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, chegando a prefaciar o livro “O Trovismo Capixaba”, de Clério José Borges, publicado em 1990.

Na Revista “Folclore”, órgão da Comissão Espirito-Santense de Folclore, número 92, publicada em agosto de 1979, o Professor Guilherme conta a história de Dalmácia Ferreira Nunes, uma mulher nascida em Caçaroca, pequena vila do interior de Cariacica, Espírito Santo que fôra trabalhar como empregada doméstica em sua casa.

Conta ele que Dalmacinha ou Macinha foi trabalhar em sua casa em março de 1946, ou seja três anos antes do professor Guilherme publicar o seu livro “Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares.”

Dalmácia Ferreira Nunes era dotada de excelente memória. Humilde e de pouca instrução, tinha o privilégio, isto é, a qualidade de gravar com facilidade as cantigas e os versos que ouvia. Ouvira as cantigas e as Trovas de sua mãe e de suas tias, quando de noite se reuniam para conversar. Como naquele tempo as pessoas do interior não possuíam rádio e a televisão ainda não existia, pois só chegou no Brasil em 1950, o maior divertimento eram as reuniões que se faziam com as famílias durante a noite, no quintal das casas do interior do Brasil.

Assim as histórias, as cantigas e as Trovas eram contadas e cantadas pelos mais velhos e Dalmacinha, em Caçaroca, ainda criança, ia gravando-as na memória.

Literatura Oral era a forma praticada pelos antigos que contavam histórias e recitavam Trovas para os mais novos, numa época em que os livros eram raros, ou seja, quase não existiam. Assim Dalmacinha e muitas outras mulheres idosas e os conhecidos “pretos velhos” deste país, portadores de excelente memória, são os que dão excepcional contribuição para os pesquisadores, formando a Literatura Oral Brasileira.

Dalmácia faleceu a 13 de Agosto de 1968, sendo enterrada, junto aos seus parentes, no cemitério de Barra do Jucu, então um povoado, hoje bairro importante e turístico de Vila Velha, Município da Grande Vitória.

Na Revista já citada “Folclore”, de 1979, o artigo do professor Guilherme Santos Neves ocupa oito páginas. Ali estão 76 Trovas. Três estórias. Vinte e nove superstições e crendices, onde constam mais três Trovas e cinco Advinhas. O título é “Folclore de Caçaroca” e traz uma foto de uma senhora com um lenço na cabeça e a legenda: “Informante Dalmácia Ferreira Nunes.”

A primeira Trova refere-se ao fato de que, segundo o Professor Guilherme, Dalmácia: “Para comentar um fato, registrar um instante, para fixar um sentimento, dizia sempre uma Trova. Alguém falava em viajar, e logo, lá vinha a Trova adequada:

Adeus, minha sempre-viva,

até quando nos veremos.

As pedras do mar se encontram,

assim nós também seremos...”

Eis algumas Trovas Populares, resgatada do passado graças a oportuna pesquisa do Professor Guilherme Santos Neves e a memória de Dalmacinha e que constam do artigo publicado na Revista “Folclore”:

De correr venho cansada,

de cansada me assentei,

achei o que procurava,

agora descansarei...

Abacate é fruta boa

enquanto não apodrece.

O amor é muito bom

enquanto não aborrece...

Atirei um limão doce

na menina da janela.

Ela me chamou de doido,

doidinho estava eu por ela.

Eu não quero Santo alheio

dentro do meu oratório.

Eu só quero meu santinho

prá fazer meu peditório...

Eu perguntei à Fortuna

de que é que eu viveria.

Ela foi me respondeu

que o tempo me ensinaria.

Eu plantei um pé de cravo

na janela do meu bem.

Todo mundo passa e cheira,

eu não sei que cheiro tem...

Menino se tu soubesses

o bem com que eu te adoro,

fazia dos braços remo,

remavas prá onde eu moro...

Já fui amada e querida

até das flores do campo.

Hoje me vejo desprezada

de quem eu queria tanto.

Quando eu entrei nesta casa,

logo vi cheia de rosa,

meu coração logo disse

que aqui tem moça formosa...

Uma velha muito velha,

de tão velha se curvou.

Ouviu falar em casamento

a velha se endireitou...

Tanto verso que eu sabia,

veio o vento, carregou.

Só ficou-me na memória

o que meu bem me ensinou...

Vamos dar a despedida

como deu cachorro magro,

que encheu sua barriga

e foi sacudindo o rabo.

Fim do Trecho do Livro de Clério José Borges, "Origem Capixaba da Trova".




TROVA LITERÁRIA


DEFINIÇÃO DA TROVA

A Trova é uma composição poética, ou seja, uma poesia que deve obedecer as seguintes características:

1- Ser uma quadra. Ter quatro versos. Em poesia cada linha é denominada verso.

2- Cada verso deve ter sete sílabas poéticas. Cada verso deve ser setessilábico. As sílabas são contadas pelo som.

3- Ter sentido completo e independente. O autor da Trova deve colocar nos quatro versos toda a sua idéia. A Trova difere dos versos da Literatura de Cordel, onde em quadra ou sextilhas, o autor conta uma história que no final soma mais de cem versos ou seja, linhas. A Trova possui apenas 4 versos, ou seja, 4 linhas.

4- Ter rima. A rima poderá ser do primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto, no esquema ABAB, ou ainda, somente do segundo com o quarto, no esquema ABCB. Existem Trovas também nos esquemas de rimas ABBA e AABB.


      


Segundo o escritor Jorge Amado:

"Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova e o Trovador são imortais"

Todo Trovador é poeta mas nem todo poeta é trovador. Nem todos poetas sabem metrificar, fazer o verso medido.

Poeta para ser Poeta precisa saber metrificação, saber contar o verso. Se não souber o que é escansão , ou seja, medir o verso, não é Poeta.

Eis alguns exemplos de Trovas:

Nesta casa tão singela

Onde mora um Trovador

É a mulher que manda nela

Porém nos dois manda o amor.

Clério José Borges

Ficou pronta a criação

Sem um defeito sequer,

E atingiu a perfeição

Quando Deus fez a mulher.

Eva Reis


ARTESANO EM CONCHAS

Conhecido internacionalmente, o artesanato de conchas é característico do Litoral Sul. Mas é em Piúma que esta arte tem sua maior expressão, sendo responsável pelo sustento de dois terços da população local.

São colares, enfeites, porta-retratos e baús feitos com conchas e búzios que depois são vendidos em feiras e exposições no centro da cidade.


Artesanato Indígena
No município de Aracruz, onde estão as reservas indígenas Pau-Brasil, Comboios, Boa Esperança, Caieiras Velhas e Irajá, é possivel apreciar as peças de palha que os índios trançam formando desenhos em utensílios de cores muito vivas.


Caparaó
Situado na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais, a Região do Caparaó compõe um santuário ecológico no qual encontra-se uma significativa área preservada de Mata Atlântica. Os municípios de Alegre, Guacuí, Dores do Rio Preto, Divino São Lourenço, Iúna, Irupi, Ibitirama, Muniz Freire, Ibatiba e São José do Calçado formam a região que vem despontando para o turismo com seu grande potencial para o eco e o agroturismo.

A grande atração é o Pico da Bandeira, com 2.890 metros, o 3º maior pico do Brasil, localizado no Parque Nacional do Caparaó.
 

MOSTEIRO ZEN DE IBIRAÇU

Uma vida simples, integrada à natureza e voltada para o autoconhecimento do ser humano. Assim a Roda do Dharma continua girando no Mosteiro Zen Morro da Vargem.

Nas montanhas de Ibiraçu, município de região norte do Espírito Santo, em meio a uma reserva de Mata Atlântica, localiza-se o primeiro mosteiro zen da América Latina, o Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem. Desde que foi fundado pelo mestre Ryohan Shingu, em 1974, o Mosteiro dedica-se à formação de monges segundo os preceitos do oriente. Toques de sinos, cantos de sutras e disciplina rigorosa são em tudo semelhantes aos grandes centros zen budistas da Ásia.

O Mosteiro também oferece treinamentos para os leigos. Todos os meses, homens e mulheres de todas as partes do país entram em contato direto com o zen, reunindo-se para os retiros, conhecidos como seshins. Nesses encontros, monges e leigos praticam o zazen, que consiste em meditar imóvel, sentado em frente a uma parede branca.

Além dos retiros periódicos, o Mosteiro também abre aos domingos para visitação pública monitorada. Um lugar de paz e tranqüilidade, ideal para reflexão sobre o equilíbrio entre a vida e a natureza, assim é o Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem.

VAMPIRO LOBISOMEM DE JACARAÍPE


Fotos: João Carlos Coutinho.

O Clube dos Trovadores Capixabas, CTC e a Academia de Letras e Artes da Serra promoveram o lançamento do livro de 8 páginas, "O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe", livro do Escritor e Acadêmico, Clério José Borges.
Trata-se de uma edição de Literatura de Cordel, abordando numa narrativa poética uma Lenda do Balneário de Jacaraípe, na Serra, ES.
O Lançamento foi realizado no dia 09 de Setembro de 2004, numa quinta feira, com início as 19 horas, na Casa do Congo Mestre Antônio Rosa, na Serra, Sede.
Participaram do evento Amigos, Valquilis José Carlini, Paulinho, Lourdinha, Liliane e filhas, Marcelo Furtado. A Secretaria de Promoção Social, da Prefeitura Municipal da Serra, Nazareth Liberato. Os Poetas Adir Ribeiro e Valdemir Ribeiro Azeredo; Membros do Conselho Municipal de Cultura da Serra, Aurélio Carlos Marques de Moura, João Carlos Cristo Coutinho, Ernandes, Teodorico Boa Morte, Clérigthom Thomes Borges, Cleberson José Thomes Borges, Zenaide Emília Thomes Borges, entre outros nomes de destacada importância.

PANELA DE BARRO

A panela de barro é sem dúvida uma das maiores expressões da cultura popular do Espírito Santo. Desde a sua origem – nas tribos indígenas que habitaram o litoral do Estado – até os dias de hoje, a técnica de sua confecção e a estrutura social das artesãs pouco mudou.
Os frutos do mar estão presentes nos principais ícones da gastronomia típica da cidade de Vitória: A moqueca e a torta capixaba. O preparo destes pratos envolve uma peça muito importante do nosso artesanato, a panela de barro.
O trabalho artesanal das paneleiras sempre garantiu a sobrevivência econômica de suas famílias, como também de suas tradições.
A região de Goiabeiras, ao norte da Ilha de Vitória, sempre foi o local tradicional da produção de panelas de barro. No início, o trabalho era de cunho familiar e as panelas eram feitas nos quintais das casas das paneleiras. Recentemente, com a criação da Associação das Paneleiras e ações da Prefeitura Municipal e outras entidades, foi construído um galpão onde concentrou-se toda a produção.

BANDAS DE CONGO

As primeiras Bandas teriam surgido por volta de 1855, segundo relato do Pe. Antunes Siqueira.
Banda de Congo é um Conjunto musical típico das regiões litorâneas do Espírito Santo, principalmente no Município da SERRA.
A banda de congo toca e canta principalmente em festas religiosas, como as de São Benedito, São Pedro, São Sebastião e Nossa Senhora da Penha.


A LENDA DO PÁSSARO DE FOGO

Uma história de Amor Capixaba.
Morro do Mestre Álvaro, Serra, ES
e Monte Mochuara (Moxuara), Cariacica, ES

Uma história de Amor Capixaba. Monte Mochuara (Moxuara), Cariacica, ES (Índia Jacira) e Morro do Mestre Álvaro, Serra, ES (Índio Guaraci). Nas fotos de Clério José Borges, o Morro do Mochuara em Cariacica, visto da Rodovia do Contorno (BR 101 Norte) e o Morro do Mestre Álvaro, na Serra, visto do Convento da Penha em Vila Velha, ES.

Serra e Cariacica são cúmplices numa história de amor. As duas cidades, segundo conta a lenda, relatada entre outros historiadores por Maria Stela de Novaes, estão ligadas para sempre pela força de um sentimento que une até hoje o índio Guaraci (Tribo Temiminó) e a índia Jaciara (Tribo dos Botocudos). Guaraci, em Tupi significa Sol, Verão. Jaciara significa Tempos de Luar, Noites com raios de Lua.

Pertencentes a duas tribos inimigas - Temiminós e Botocudos - o jovem casal foi impedido de viver a sua história de amor. Comovido com a paixão dos dois índios, o Deus Tupã transformou-os em duas montanhas. O índio ficou sendo o Mestre Álvaro, na Serra, (Foto) e a índia, o monte Moxuara, em Cariacica. O nome Mestre Álvaro é uma homenagem do Padre Jesuíta Braz Lourenço (Fundador da Serra) ao Capitão e Mestre de Navio de nome Álvaro da Costa, filho do segundo Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa. (Na foto de Clério José Borges, o Mestre Álvaro, com os seus 833 metros de altura, visto da altitude de 154 metros, do Morro do Convento da Penha, com a ilha de Vitória, Capital do Estado em primeiro plano).

O Mochuara (Moxuara) - Foto ao lado - é um Morro que fica em Cariacica. Tanto Serra e Cariacica são cidades limítrofes e fazem parte da Grande Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo.

Até hoje eles estão frente a frente, contemplando um ao outro e assim ficarão por toda a eternidade. Segundo o historiador Clério José Borges, um "Pássaro de fogo" sempre é visto nas noites de São João, (24 de junho), indo do Mestre Álvaro ao Moxuara, abençoando o amor de Guaraci e Jaciara. Prova de que homens e histórias passam, mas corações não morrem jamais. Observem que esta Lenda Capixaba conta a história de um Pássaro de Fogo que colabora na união do jovem casal. Há uma semelhança muito grande com a Lenda Russa do Pássaro de Fogo, imortalizada pelo grande Maestro Igor Stravinsky.



UMA LENDA RUSSA

Pássaro de Fogo é um Balé em três atos, onde magia, amor e liberdade se entrelaçam. A obra é do Músico e Maestro Igor Stravinsky (1882-1971), (Foto), baseada numa Lenda Russa.

IGOR é um compositor norte-americano nascido na Rússia e um dos maiores inovadores musicais do século XX. Alcançou fama internacional com a música que fez para os Ballets Russes de Diaghilev, começando com o balé O Pássaro de Fogo. A partitura áspera e discordante de A Sagração da Primavera causou um tumulto quando foi executada a primeira vez em Paris. Obras posteriores incluem Édipo Rei, A Sinfonia dos Salmos e a ópera Carreira do Libertino.

A HISTÓRIA DO "PÁSSARO DE FOGO" DA RUSSIA

No jardim do mago Katschei brotavam maçãs de ouro, e lá viviam jovens princesas prisioneiras e enfeitiçadas. O príncipe Ivan entra por acaso no jardim e fica encantado com as maçãs douradas e um lindo pássaro de penas douradas e vermelhas que voava bem próximo às arvores. Temendo ser feito prisioneiro pelo príncipe, o Pássaro de Fogo implora por sua liberdade e em troca presenteia Ivan com uma de suas plumas, que tem o poder mágico de protegê-lo contra os encantos do mago.

O príncipe permanece no jardim e ao anoitecer vê as lindas prisioneiras que à noite saem do castelo para passearem; a mais bonita de todas se aproxima de Ivan, conta sua história e pede que vá embora, pois o mago transforma em pedra quem aparece em seu jardim encantado.

O príncipe finge que vai embora, mas a segue, pois tinha se apaixonado por ela. Começa a amanhecer e Ivan se torna prisioneiro de Katschei. Quando vai ser enfeitiçado, se recorda da pluma que o Pássaro de Fogo tinha lhe dado, e agita-a na frente do rosto do mago. Surge então o pássaro que obriga Katschei e seus amigos a dançarem até a exaustão; enquanto isto ordena a Ivan que procure um grande ovo, onde está trancado o grande segredo do mago: sua imortalidade. Ivan acha o ovo e quebra-o. No mesmo instante, o mago morre e as jovens princesas ficam livres para sempre. Ivan encontra o seu amor e o Pássaro de Fogo desaparece entre as árvores.

O "PÁSSARO DE FOGO" NA SERRA E CARIACICA, ES

Em tempos bem antigos, por volta de 1556, quando os Temiminós que vieram do Rio de Janeiro se instalaram no Espírito Santo, conta-se que dois jovens de tribos rivais se conheceram e antes que soubessem de suas origens e da rivalidade que existia em suas tribos, nasceu entre eles um amor tão forte e belo como o Sol.

Ela, Jaciara, uma lindíssima princesa indígena, filha do poderoso cacique que ocupava uma imensa terra, onde hoje encontramos o atual município de Cariacica.

Ele, Guaraci, um forte guerreiro da tribo dos Temiminós, que ocupava as terras hoje conhecida como município da Serra.

Quando esse amor chegou ao conhecimento das tribos, aumentou a rivalidade e a fúria dos caciques contra esse amor, que era incontrolável. O cacique indígena, pai da princesa, jamais aceitaria o enlace da sua querida filha, com o inimigo de seu povo, mesmo sabendo quanto era valioso o dote do noivo e da sinceridade da jura de seu amor.

Em conseqüência criou-se uma barreira intransponível entre as terras das duas tribos e os jovens não podiam de maneira alguma chegar próximo dessa divisa.

Mas o amor, quando sincero e forte, é algo que ultrapassa qualquer barreira e sempre encontra um aliado. Foi o que aconteceu. Os apaixonados conseguiram a ajuda de uma ave misteriosa, o Pássaro de Fogo, (Observe a semelhança com a Lenda Russa), que em horas determinadas, levava o casal a pequenos montes em pontos de fronteira de suas tribos, onde ambos se viam. Então a índia cantava juras de amor ao seu escolhido e ele retribuía da mesma maneira com cantigas que tocavam seus corações.

Continuaram assim, nesse amor poético e passando o tempo, combinaram uma fuga. Quando chegou ao conhecimento do cacique indígena a fuga romântica de sua filha foi o bastante para reunirem todos os sábios conselheiros da tribo e um feiticeiro, que transformou os apaixonados em pedra nos referidos locais onde se avistavam. Estes se elevaram e constituíram dois belos e lendários montes, muito importantes no litoral capixaba, que conhecemos como: MOCHUARA, (ou MUXUARA) a princesa, em Cariacica, e o MESTRE ÁLVARO, o príncipe, na Serra.

Porém, uma fada compadecida de um destino tão cruel, concedeu uma trégua aos enamorados, na rigidez de suas posições e assim uma vez ao ano, na noite de São João, os jovens recuperam de forma invisível, sua forma humana e primitiva, ocasião em que fazem juras de fidelidade e presenteiam-se com ricas jóias e outros mimos, sempre com a ajuda da ave amiga, o Pássaro de fogo, ave mensageira entre os apaixonados. Levando de um para o outro as juras de amor e os presentes, que atestam a sinceridade infinita.

Assim, conta a história, conta a Lenda, que na noite de São João, o Pássaro de Fogo, passa no céu, e vai do MOXUARA, em Cariacica, ao MESTRE ÁLVARO, na Serra e vice versa. E continuam a VIAGEM DO FOGO, descrevendo no espaço, a ETERNIDADE DO AMOR. Observe aqui que a Lenda fala em fogo na noite de São João e o interessante é que a festa de São João é a festa de Agni, do fogo, a festa que comemora o solstício do verão.
Fonte: Borges, Clério José - História da Serra, Serra, Gráfica Editora Canela Verde, 2003

FESTA DE SÃO JOÃO
São João - Festejado em 24 de junho.

Filho de Zacarias e Isabel, diz a Bíblia que foi ele quem batizou Jesus Cristo com as águas do rio Jordão. Daí vem o nome Batista, o "batizador". É o mais famoso dos três santos do mês de junho, tanto que as festas juninas também são conhecidas como festas joaninas, em sua homenagem.

É usualmente representado pela figura de um menino com um cordeiro no colo, já que teria sido ele quem anunciou aos homens a chegada do cordeiro de Deus.

Fogueira: representada com a base redonda e em formato de pirâmide.

QUADRAS DE SÃO JOÃO

(Por Alípio Fernandes, junho de 2001)


Isabel e Zacarias

P’ra serem pais de João

Rezaram todos os dias

Perseverante oração.



São João namorador,

Assim diz a voz do povo,

P’ras moças lhe ter amor,

Aceitou morrer de novo.



As moças bem enfeitadas

Cada qual com seu balão,

Todas vão, enamoradas,

À festa de São João.



Meu querido São João,

És um Santo popular,

Traz teu arco e teu balão,

Vem com o povo dançar.



Alho porro e manjerico,

Em manhãs de orvalhadas,

Nasce o Sol e é bonito,

Vão-se as moças bem cansadas.



Deixemos de profanar

O nome de São João,

Mais graças lhe vamos dar

Se fizermos oração.



Não te zangues São João,

Com a alegria do Povo.

Assim cresça a devoção

Nos jovens do mundo novo.



Foi com grande admiração

Que o povo um dia viu isto:

Lá nas águas do Jordão

São João batizou Cristo.






OBSERVAÇÃO: Permitimos a livre reprodução do conteúdo e agradecemos a citação da fonte com a inclusão de nosso link, se possível.
Fonte de Pesquisa: Borges, Clério José - Livro História da Serra, 1a. 2a. e 3a Edição - 1998, 2003 e 2009 - Editora Canela Verde - À Venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89

BIBLIOGRAFIA

JORNAL A GAZETA - CADERNO DOIS - Vitória

JORNAL A TRIBUNA - VITÓRIA - ES

Instituto Nacional do Folclore, Atlas Folclórico do Brasil - Espírito Santo, Rio de Janeiro, FUNARTE, 1982.

Fonseca, Hermógenes Lima - Tradições Populares no Espírito Santo, Vitória, Departamento Estadual de Cultura, 1991.

Novaes, Maria Stella de - História do Espírito Santo, Vitória, Fundo Editorial do Espírito Santo.

Borges, Clério José - História da Serra, Serra, Gráfica Editora Canela Verde, 2003




OBSERVAÇÃO: Permitimos a livre reprodução do conteúdo e agradecemos a citação da fonte com a inclusão de nosso link, se possível.

Fonte de Pesquisa:
Borges, Clério José - Livro História da Serra, 1a. 2a. e 3a Edição - 1998, 2003 e 2009 - Editora Canela Verde - À Venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89

Borges, Clério José - Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões - 2010 - Editora Canela Verde - À Venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89





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