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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR


TEXTOS PUBLICADOS NO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

Clério José Borges foi entrevistado em Junho de 2003 pela Jornalista Heloísa Helvécia do Jornal Folha de São Paulo, sobre o seu Livro ainda inédito de "Gírias e Jargões da Malandragem". A entrevista foi publicada num Caderno Especial da folha, chamado "Sinapse".

24/06/2003 -

Torre de Babel: Leia frase de Rui Barbosa em diferentes jargões

HELOÍSA HELVÉCIA
free-lance para a Folha de S.Paulo

"Para não arrefecerdes, imaginai que podeis vir a saber tudo; para não presumirdes, refleti que, por muito que souberdes, mui pouco tereis chegado a saber"

A frase de Rui Barbosa (1849-1923) que inspira a brincadeira abaixo é um alerta contra a soberba, embora soe, hoje, como afetação linguística. Foi retirada do "Discurso no Colégio Anchieta, Palavras à Juventude"(1903). Confira como ficaria a mesma frase...

...no economês
"Para não gerar uma crise de confiabilidade, aplique o modelo segundo o qual é possível estocar todo o conhecimento hoje em circulação; mas controle as expectativas, porque, por mais alto que seja o índice de sabedoria, sempre existirão demandas não atendidas"

.no estilo onguês
"Para não perder o enfoque positivo, seja protagonista de uma ação centrada no enfrentamento da ignorância; mas não extrapole no auto-empoderamento, porque, por mais que você articule uma ampla rede de conhecimentos, ainda serão muitos os excluídos"

.no eduquês
Para não entrar para as estatísticas da evasão escolar, imagine que você pode trabalhar transdiciplinarmente todos os conteúdos pedagógicos; para não perder o pensamento crítico, considere que ainda faltam muitos graus para a formação plena da sua consciência-cidadã"

.e numa mistura de gíria comum com dialetos usados por funqueiros, surfistas, malandros, policiais e caubóis*
"Aí, Zé Mané, pra não afrouxar e dar o prego, se liga na fita, que você pode ser um macaco velho; mas não vai viajar na maionese, saca que, por mais que você se toque, mói faiado a xavecar pra ver a paina voar. QSL."

*Esta versão foi feita por Clério Borges, pesquisador de gírias e jargões


24/06/2003 - 03h24

Nas prisões, jargão é arma

HELOÍSA HELVÉCIA
free-lance para a Folha de S.Paulo

O jargão já foi o nome da linguagem dos excluídos, uma espécie de código secreto dos marginais. O dialeto falado hoje em presídios é exemplar, para mostrar a função original, de defesa.

É prático, permite a comunicação rápida; é seguro, protege as mensagens dos ouvidos inimigos; e é essencial, por ter a função de marcar o vínculo entre homens isolados que perderam a identidade quando vestiram o uniforme, cortaram o cabelo e passaram ao espaço impessoal do cárcere.

"A gíria é o último e principal signo de grupo do detento, tanto que, quando quer mostrar regeneração, ele deixa de usá-la", afirma Léa Stella, 48, autora de "Tá Tudo Dominado: A Gíria das Prisões", tese que acaba de defender na PUC-SP. Stella, que deu aulas de português a presos, estudou durante meses o vocabulário usado em cadeias. Afirma ter se impressionado com a criatividade e a ironia de uma gíria praticada por um grupo de baixa escolaridade.

Chamam de "praia" o chão de cimento; "quieto" é a cortina que improvisam para criar alguma privacidade nos cubículos superpovoados. "Tumba" é o espaço sob a cama, onde dormem alguns, quando as lajes de pedra já estão ocupadas.

É um dialeto com mais força expressiva do que a língua morta na parede da Penitenciária do Estado: "Aqui, o trabalho, a disciplina e a bondade resgatam a falta cometida e reconduzem o homem à comunhão social".

"Preso fala mais difícil que economista", compara o escrivão de polícia capixaba Clério Borges, organizador do dicionário "Gírias e Jargões da Malandragem", disponível só na internet www.clerioborges.com.br/girias.html. Borges gosta de português e é escritor e presidente da Federação Brasileira de Entidades Trovistas.

Mas seu interesse pelo tema partiu de uma necessidade profissional. Como a lei exige que os depoimentos tomados na delegacia sejam transcritos exatamente na forma falada, o escrivão passou a anotar palavras desconhecidas e a pesquisar os significados.

Hoje, seu acervo tem mais de 10 mil verbetes, com termos que vão da economia ao hip hop. "Os puristas torcem o nariz para isso, mas a gíria e o jargão são o segundo idioma do brasileiro. Não dá para menosprezar, é preciso estudar, entender."

A Academia de Letras e Artes da Serra e o Clube dos Poetas Trovadores Capixabas, CTC, promoveram com êxito o lançamento de mais um Livro do Poeta Escritor e Trovador Clério José Borges de Sant Anna. O Livro DICIONÁRIO REGIONAL DE GÍRIAS E JARGÕES, apresenta gírias da Malandragem, dos Jovens, dos Advogados (Expressões em Latim), dos Noiados, das Patricinhas e Mauricinhos e dos Policiais. Um trabalho de pesquisa realizado durante 35 anos trabalhando como Escrivão de Polícia da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo. O lançamento do oitavo Livro de Clério José Borges ocorreu no dia 05 de Novembro de 2010, Sexta feira, durante a solenidade de abertura do VII CONGRESSO BRASILEIRO DE POETAS TROVADORES,na Sede da Associação de Moradores do Bairro Eurico Salles, AMBES, na Rua dos Colibris, quadra 10, Eurico Salles, Carapina, Serra, ES. A obra possui 248 páginas, sendo sua leitura proibida para menores de 18 anos, já que por ser um Dicionário, possui palavrões. O Escritor e Historiador, Clério José Borges, na vida profissional, colecionou, Gírias usadas por Policiais e pela Malandragem. Agora obra é publicada em Livro impresso. São mais de dez mil gírias   Esta obra, antes de ser publicada foi destaque em reportagens dos Jornais: "FOLHA DE SÃO PAULO" (Caderno SINAPSE, edição de 24/06/2003); "A TRIBUNA", (17/08/1998) e "A GAZETA", de Vitória, ES. (30/06/2003). A Gíria é a segunda língua dos brasileiros. O Livro está à venda, por R$ 20,00 na Loja Biss/Locadora e Sorveteria Paradiso, Avenida Central, 901 - Laranjeiras, Serra, ES. Maiores informações e detalhes por e-mail: clerioborges@hotmail.com



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