Escrivão Clério José Borges
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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR

\ESCRITORA SIRLEI KASZUBA /

\ Curriculum :: Índia Obirici :: Porto Alegre :: Rio Grande do Sul  /

Sirlei Kaszuba é filha de Teodor e Iris Dias Kaszuba. Gaúcha de Porto Alegre. Residiu no Espírito Santo de 1975 a 1988. Professora. Classificou-se em diversos Concursos Literários do seu Estado e do Brasil. Tem publicações nos Jornais de sua cidade e no Correio Popular, de Cariacica, ES. Classificou-se em Segundo Lugar, no Concurso da E. N. E. "D. Diogo de Souza", 1969, Porto Alegre, com o Poema "Tuas Mãos", editada no Livro "Degraus de um Sonho", de Gessy Pascoal. Teve Trovas publicadas no Livro, "Trovadores dos Seminários Nacionais da Trova", Antologia de Trovas, editada pelo Instituto Cultural Português, ICP com apoio do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC e da Febet - Federação Brasileira de Entidades Trovistas - Edição Caravela, 1985. Atualmente edita o Informativo "Obirici", alternativo cultural de divulgação da Trova e da Poesia em geral. Reside na Rua Silva Tavares, 81, Passo D´Areia, Porto Alegre - RS - Cep: 91.030 - 490.

Álbum de Família

HISTÓRIA DE PORTO ALEGRE

Porto Alegre nasceu de uma pequena colônia de imigrantes açorianos, que se estabeleceram na Ponta de Pedra em 1752, dentro da Sesmaria de Santana, capitaneada por Jerônimo de Ornellas e Vasconcellos. A partir daí, a localidade começou a ser chamada de Porto dos Casais.
 

Em 1763 os castelhanos, comandados por Don Pedro Cevallos, governador de Buenos Aires, invadem o Rio Grande do Sul e tomam a cidade de Rio grande. Neste ano, as populações portuguesas do norte do estado migram para a região de Viamão e Porto dos Casais.


Em 26 de março de 1772, um edital eclesiástico divide a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão em duas. O antigo Porto dos Casais se transforma na Freguesia de São Francisco. Quase um ano depois, em 18 de janeiro de 1773, um novo edital rebatiza a pequena povoação, que passa a se chamar de Madre de Deus de Porto Alegre. O então o governador da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, José Marcelino de Figueiredo, ordena a transferência da Câmara Municipal de Viamão para Porto Alegre. A antiga colônia açoriana se transformava na capital da província. Além de centro administrativo, a cidade se transforma em área militar. Paliçadas de madeira são construídas em torno da cidade. As estreitas ruas da Porto Alegre colonial são projetadas como um labirinto, possuindo nítido caráter defensivo. A modesta capital prospera e, em 1804, a Coroa Portuguesa instala a primeira alfândega do rio grande do Sul


Contudo, se passaria algum tempo, até que o modesto núcleo urbano se transforma-se em vila, em 1809, e depois cidade, em 1822.


Porto Alegre nos primeiros anos do século XIX, foi um dos primeiros núcleos urbanos de apoio as forças portuguesas, instaladas no Delta do Jacuí, que desbravaram o interior do Rio Grande do Sul. Além de centro comercial, administrativo e militar, a cidade também oferecia serviços de estaleiros. As embarcações portuguesas, alem de se abastecerem com víveres, também podiam fazer pequenos reparos no casco e no velame.


Entre 1822 e 1835, cidade se desenvolve. A conquista das áreas meridionais do Brasil e as campanhas portuguesas trazem a Porto Alegre novos contingentes militares. É a época da construção dos grandes casarões coloniais portugueses na cidade, como por exemplo, o Solar dos Câmara e outros prédios administrativos no mesmo estilo.


Em 1835, o Rio Grande do Sul mergulha em uma guerra de caráter libertário. Veteranos das campanhas das Guerras do Prata, aliados a Guarda Nacional e outros descontentes se organizam em uma milícia, que foi chamado posteriormente, Farroupilha. Porto Alegre se encontrava fortificada, mas isso não impediu que em 20 de setembro de 1835, esta fosse invadida pelas tropas rebeldes.


Os Imperiais retomaram a cidade em 1836 e, que a partir de então, sofreria três intermináveis cercos até o ano de 1838. Foi a resistência a esses cercos, que deram o título a cidade de "Mui Leal e Valorosa". Apesar do inchaço populacional daqueles tempos, a cidade só voltaria a crescer sua malha urbana após 1845. A guerra não impediu que três anos antes, o primeiro Mercado Público fosse construído, organizando o comércio nas áreas centrais.


São anos prósperos, época em que os primeiros imigrantes alemães e italianos desembarcam na capital, instalando restaurantes, pensões, pequenas manufaturas, olarias, alambiques e diversos estabelecimentos comerciais.


A Guerra do Paraguai (1865/70), transforma a capital gaúcha na cidade mais próxima do teatro de operações. A cidade recebe dinheiro do governo central, além de serviço telegráfico, novos estaleiros, quartéis, melhorias na área portuária, além da construção do primeiro andar do novo Mercado Público.


O fim da campanha do Paraguai faz o Império do Brasil mergulhar numa crise política - administrativa. O governo perdia lentamente o controle sobre as comunidades de escravos, e em 1884, o governo municipal liberta os cativos da cidade. Era a preparação para o advento da República em 1889.


Estes primeiros governos republicanos - que no Rio Grande do Sul seguiam a filosofia positivista de Augusto Comte - deixaram profundas marcas na capital gaúcha. Estes homens acreditavam numa sociedade comandada pela ditadura do presidencialismo, pelos homens íntegros e sábios. Grandes quantidades de prédios públicos são construídos nessa época, ornados com magnífica estatuária simbólica positivista. A preocupação desse grupo político com as benfeitorias e melhorias do espaço urbano vai transformar o antigo aspecto colonial da cidade. Existe uma enorme preocupação com o saneamento das áreas centrais. São destruídos os cortiços e os mal conservados prédios do centro. Durante as administrações republicanas(1889 a 1940), foram instalados na cidade a eletricidade, a iluminação pública, rede de esgotos, transporte elétrico, água encanada, as primeiras faculdades, hospitais, ambulância, a telefonia, industrias, o rádio desenvolvidos uma série de planos diretores, alguns dos quais implantados décadas depois, como o Plano Maciel de Melhorias de 1914, que seria viabilizado só nas décadas de 30 e 40.


A cidade a partir da década de 40 assume, definitivamente, seu caráter de centro administrativo, comercial, industrial e financeiro do estado. Os animais de carga, que dominavam o cenário urbano, são substituídos pelos modernos automóveis. São anos de ampliação das malhas viária da cidade. São abertas na cidades grandes avenidas, como a Farrapos, a Borges de Medeiros e a Salgado Filho. Outras são pavimentadas, como a Azenha e a João Pessoa.


A expansão do centro urbano, então, começava a se direcionar para as áreas sul e norte da península. Nas décadas de 60 e 70, grandes obras viárias são feitas na capital. São construídos os viadutos da Borges de Medeiros, da João Pessoa, o Ubirici, Tiradentes e Ildo Meneghetti. Essas obras melhoraram o fluxo de veículos na área densamente povoada da capital.

LENDA OBIRICI

Augusto Porto Alegre, na sua história da "Fundação de Porto Alegre", recolheu esta lenda da formação do Passo da Areia, IBICUIRETÃ, que significa "rio de areia", ou seja, um pequeno arroio que corria nos arredores da capital do Rio Grande.

Nos tempos em que os brancos não haviam ainda penetrado até o Rio Grande do Sul, habitavam a região, os índios Tupi-mirins, da nação de Tapes. Como o amor sempre constituiu uma singela tradição indígena, houve, ali, uma contenda amorosa que ficou na recordação dos silvícolas, chegando até nossos dias sob a forma de uma encantadora lenda:


Conta-se que um belo cacique chamado Abaetê, em pleno apogeu da mocidade, foi alvo de grande amor, por parte de duas irmãs índias: Paraí e Obiricí, ambas filhas o poderoso feiticeiro Guaporé.

Abaetê gostou mais de Paraí, mas não tinha coragem de contar a ninguém, pois não queria magoar Obiricí. Um dia, o guerreiro suplicou a Tupã que lhe desse muito entendimento, para que facilmente pudesse resolver o difícil caso.

Então, durante o sono, recebeu a visita da graciosa Sumá, uma deusa guerreira, que envolvida em leve manta tecida de cipó imbé, deu a Abaetê todos os conselhos necessários, por ordem de Tupã.

Na manhã seguinte, foi imediatamente falar com as jovens e disse:

-"Foi Tupã que me mandou, desejo avisar que todas as duas serão submetidas a uma prova com arco e flexas. Quem acertar o alvo, será minha esposa."


As índias apaixonadas recebendo o aviso de sua resolução, imediatamente se prontificaram a iniciar a disputa. O cacique desejado muito belo e forte, era o grande incentivo.


Obirici, a mais ardente das duas índias, ficou muito nervosa, com medo de perder a competição e ficar sem o amor da sua vida, não teve a mesma destreza da outra. Errou o alvo. Foi portanto, vencida e viu-se obrigada a deixar que a vitoriosa levasse para as terras de Jatobá o jovem príncipe cacique. Ficou só no local onde ocorreu a contenda, a olhar o par abraçado e feliz que se distanciava.


Sufocando soluços, amargurando-se, não teve ânimo de abandonar aquele pedaço de terra, onde ocorrera sua desventura. Em vão desceram as Parajás, deusas da piedade, do alto do Ibiapaba, para consolar a bela guerreira. A divina Paré, deusa da fé veio na forma humana para dar-lhe alegres conselhos e suave esperança.

-"Pobre de mim abandonada"", dizia ela, e nenhuma palavra mais lhe saiu do peito em profundos soluços.

O próprio Tolori, deus da coragem, mas inimigo das mulheres, tão compadecido ficou, que veio dizer algumas palavras de consolo para a índia.

Abatida e tristonha, coração sangrando, alma voltada para o infortúnio e para a morte, hora a hora, pedia que Tupã lhe cortasse os dias de sua vida tão amargurada. E a formosa indígena, com a desventura a povoar-lhe a mente, só implorava o fim, como repouso que lhe era necessário, estendia seus braços de cintilações de bronze, para o céu, mudo ante suas súplicas sinceras e ardentes...

No desespero da dor, as lágrimas brotaram dos olhos de Obirici em uma abundância desoladora. O choro abriu-lhe fundos sulcos no rosto e as lágrimas de suas pálpebras continuaram dia e noite a cair cristalinas e luminosas e, correndo por terra, deixaram nela, para sempre cravado o regato chamado Passo da Areia ou Ibicuiretã...


Decorridos alguns dias, Deus Tupã, apiedando-se da pobre índia, veio buscá-la. As águas de suas lágrimas, porém continuaram a rolar, marcando para sempre na terra dos pampas, a angústia infinita de sua dor.


O Ibicuiretã, esse córrego de lágrimas, não existe mais, pois o Passo da Areia, hoje é um bairro urbanizado da cidade de Porto Alegre. As obras de urbanização canalizaram o riachinho que a princípio, tornou-se um valão. Depois, foi soterrado para construção do Shopping Center da zona norte.

Mas, a bela Obirici não foi apagada do coração dos gaúchos e em sua homenagem, próximo a um viaduto que leva seu nome, foi imortalizada em uma escultura, que a representa com os braços estendidos aos céus, pedindo em imprecações que Tupã acabe com seus dias de tão intensa dor...

Texto pesquisado e desenvolvido por

Rosane Volpatto

Bibliografia:

As Mais Belas Lendas Brasileiras - Wilson Pinto Edições Excelsus- SC

Estórias e Lendas do Rio Grande do Sul - Barbosa Lessa; Gráfica e Editora EDIGRAF Ltda; SP

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