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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR
, Espírito Santo -  Brasil.   .

ÍNDIOS TEMIMINÓS DO ESPÍRITO SANTO
Maracajaguaçu e Araribóia
Pesquisa de Clério José Borges.

MARTIM AFONSO ARARIBÓIA: COBRA FERROZ DAS TEMPESTADES

Bravo herói fundador de Carapina, Serra, ES e Niterói no Rio de Janeiro

Índio Araribóia, fundador de Carapina e Niterói Araribóia era Chefe indígena da tribo Temiminó, um grupo Tupi, vivia na ilha de Paranapuã (Ilha do Governador) na Baía de Guanabara.
Ali os temiminós eram minoria mas tinham a vantagem de estarem no meio da baía de Guanabara e repeliam assim os ataques inimigos dos Tamoios. A tribo Tamoio, com 70 mil índios, dispersa entre a Guanabara e a região onde hoje se localiza a cidade de Bertioga (SP), detinha folgada superioridade numérica contra os temiminós, que só contavam com 8 mil cabeças.

Os tamoios, liderados pelo chefe Cunhambebe, eram aliados antigos dos franceses, que viviam tentando invadir a Baía de Guanabara. Em 1555, depois de subjugar os temiminós e os portugueses com a ajuda de Cunhambebe, a França passou a dominar a Capitania do Rio de Janeiro.
O Reino de Portugal mandou então para o Brasil o terceiro governador-geral da colônia, Mem de Sá, com a missão de retomar o Rio. Selando uma aliança com Araribóia, os portugueses conseguiram. O chefe indígena recebeu como gratidão a sesmaria de Niterói, onde passou a morar, converteu-se ao cristianismo e tornou-se íntimo do governo. Adotou, inclusive o nome do português Martim Afonso de Souza, donatário do Rio de Janeiro. Morreu em 1574, brigado com Antonio Salema, sucessor de Mem de Sá.

 

Reportagem de Eduardo Bueno para a revista Época de 05/07/99
A esquerda, estátua do índio Araribóia - Niterói/RJ- Foto tirada por Mirian Fichtner/Época

ARARIBÓIA
Por Clério José Borges - Texto do Livro História da Serra - Serra - ES - Brasil

Maracajaguaçu, o Índio Gato Bravo Grande, que morava na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro tinha dois filhos: Mamenoaçu e Araribóia.
O segundo filho de Gato Grande é  Araribóia.

O nome indígena Araribóia significa Cobra Feroz ou  Cobra das Tempestades.

“Araib”, em Tupi,  significa “Tempo Mau, Tempestade, Tormenta” e “Bói” significa “Cobra”.        

Nasceu em 1524, na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Não é verdade que Araribóia tenha nascido no Espírito Santo.

Esteve no Espírito Santo, acompanhando seus pais e sua gente, de 1554 a 1564.

Aqui residiu na região de Santa Cruz e depois na Serra. Posteriormente em 1562, fundou a Aldeia de São João, em Carapina.

A historiadora Maria Stella de Novaes, na página 30, do livro “A História do Espírito Santo” informa  que Araribóia nasceu na Ilha de Villegagnon .

Araribóia contudo  não nasceu na Ilha de Villegagnon, que era chamada pelos Indígenas de Ilha de Serigipe. Nasceu na Ilha de Paranapuã, chamada pelos portugueses de Ilha do Gato.

 

HERÓI DE VÁRIAS BATALHAS

 

Em 1560, a expedição de Mem de Sá  foi combater os franceses no Rio de Janeiro. Levava Maracajaguaçu e Araribóia e outros Índios Flecheiros do Espírito Santo.

No dia 15 de março de 1560, a expedição de Mem de Sá promove um ataque à Ilha Henri e consegue vencer, destruindo o Forte Coligny. Derrotados os franceses conseguiram escapar em grande número, refugiando-se no Continente.

O ataque a Ilha  Henri está relatado em carta do padre Francês André Thevet na obra “La Cosmographie Universelle", editada em Paris, França, em 1575. Lá consta referências aos atos de bravura do Índio Fundador da Serra, Maracajaguaçu e de seu filho Araribóia.

Mem de Sá volta a Salvador, na Bahia, a 3 de abril de 1560 e os franceses e Tamoios reagruparam-se e estabeleceram poderosas fortificações na Ilha da Carioca e na Ilha de Paranapuã.

Quando Araribóia volta a segunda vez para guerrear contra os franceses e Tamoios, em 1564, está com 40 anos de idade, conforme Luís Carlos Lessa no livro “Araribóia, o Cobra das Tempestades”, publicado pela Editora Francisco Alves. do Rio de Janeiro, página 8.

Em 1564, com Estácio de Sá, combate na tomada da Fortaleza de Uruçumirim, na hoje Praia da Glória e depois destaca-se como herói na Batalha de Paranapecu, trecho da Ilha do Governador, que ia da Ponta do Galeão até as Flecheiras.

 

TRANSFERÊNCIA

 

Após a vitória sobre os franceses e Tamoios nas guerras de 1564, no Rio de Janeiro, Araribóia pretendia voltar ao Espírito Santo para a sua Aldeia de São João onde deixara mulher e filhos. Mem de Sá contudo pediu-lhe para ficar no Rio, pois poderiam ocorrer novas guerras e os portugueses precisavam dos Índios Temiminós. Araribóia e sua família transferem-se então definitivamente para o Rio de Janeiro, construindo sua Aldeia em São Cristóvão.

Entre 1565 e 1567, em uma das suas viagens a São Vicente, é batizado pelos Jesuítas, tendo adotado o nome cristão de Martim Afonso de Sousa, em homenagem ao Donatário da Capitania.

 

ARARIBÓIA SALVA GOVERNADOR

Portugueses reconhecem a bravura do Índio

 

Somente em 1567, com a derrota das forças Franco-tamoias, foram os franceses afastados da baía de Guanabara. Contudo os Tamoios continuaram com suas batalhas.

Em 1568 Araribóia repele o ataque à Aldeia localizada, então, no Saco de São Diego, em São Cristóvão.

Araribóia está com o Governador da Capitania do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, quando ataca e extermina os franceses em Cabo Frio, tendo salvo a vida do Governador, que, na luta, ia morrendo afogado.

Araribóia tornou-se o primeiro carioca com serviços prestados à Coroa Portuguesa. Por ter salvado o Governador e ter praticado outros atos heróicos, foi agraciado pelo Rei de Portugal, Dom  Sebastião, com o título de capitão-mor, recebendo o hábito da Ordem de Cristo e a tença de doze mil réis anuais. Dom Sebastião honrou-o, ainda, com um traje completo de seu uso pessoal, numa demonstração de apreço, raras vezes concedida pelo Rei.

Carioca, na língua Tupi, Cari + Oca,  significa “casa do homem branco.” Já a palavra Capixaba, significa na língua Tupi, “plantador da roça de milho”. Nos Dicionários consta “pequeno estabelecimento agrícola”.

 

FUNDAÇÃO DE NITERÓI

 

No dia 22 de novembro de 1573 tomou posse na Sesmaria doada por Mem de Sá, ocupando a região de São Lourenço e  Caraí  (Icaraí).

A Aldeia dos Temiminós de Araribóia, extinta a 26 de Janeiro de 1866, deu origem  à  Cidade de Niterói.

Martim Afonso de Souza, o Araribóia, morreu afogado, em 1587, no Rio de Janeiro, segundo consta nas proximidades da Ilha do Fundão.

 

FUNDADOR DE CARAPINA

 

Escritor Áureo Ramos, residente na Ilha do Governador,  procedeu pesquisas sobre Maracajaguaçu e Araribóia, descobrindo os livros: “História da Ilha do Governador”, de  Cybelle M. Ipanema e “Araribóia, o Cobra das Tempestades”, de Luís Carlos Lessa, sendo que ambas publicações confirmam:

1- Maracajaguaçu era pai de Araribóia e vivia na Ilha dos Maracajás de onde saiu para o Espírito Santo. Foi socorrido por Vasco Coutinho que lhe mandara quatro navios e artilharia. No Espírito Santo o  padre Braz Lourenço foi encarregado dos Temiminós. (Página 51 do Livro “História da Ilha do Governador.”)

2 - Araribóia foi o fundador da Aldeia dee São João, em Carapina. Depois de fundar a Aldeia, foi guerrear no Rio pois os Temiminós tinham ódio dos Tamoios.

 

IRMÃO DO GATO

 

Maracajaguaçu tinha um irmão chamado Cão Grande que foi com sua gente 6 léguas na direção de Guarapari, no mesmo ano de 1556.

Mudou-se para próximo ao mar.

Até maio de 1557, Cão Grande e os seus ainda não haviam sido visitados pelos Jesuítas, pois os padres esperavam que “ele e seus índios se estabelecessem primeiro com casas, para que lá fossem”. (“Cartas Avulsas”, de Afrânio Peixoto, Rio de Janeiro, 1931, página 196.)

 

ÍNDIOS  X COLONOS

Índios não aceitam a escravidão

 

Com a divisão do Brasil em Capitanias hereditárias, os portugueses começaram a ocupar as terras brasileiras.

A partir de então, os índios que viviam nas terras passaram a enfrentar sérios problemas. Os portugueses chegavam e tomavam as terras dos índios. Também perseguiam e escravizavam os índios para obrigá-los a trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar.

No início da colonização, a Serra possuía inúmeras plantações de Cana de Açúcar. A Cana de Açúcar foi trazida para o Brasil por Martim Afonso de Souza em 1530. Transformou-se na maior fonte de renda do Brasil. Em conseqüência os donos de engenhos tornaram-se senhores ricos e poderosos. As plantações que mais se desenvolveram foram na Capitania de São Vicente e no Nordeste. A Holanda era responsável pelo transporte, pela refinação e pela distribuição do açúcar no mercado de toda Europa. Com o sucesso da produção no Brasil, os holandeses se sentiram prejudicados e passaram a invadir o Brasil para assim dominarem o Mercado de toda a Europa. O primeiro ataque holandês ocorreu na Bahia em 1624. Na época o açúcar era tomado com o vinho, usado como emplastro, servia de remédio e era o mais importante produto do comércio mundial.

Isso provocou a revolta de várias tribos. Houve lutas e desentendimentos entre portugueses e índios. Por causa dessas lutas muitos índios e portugueses morreram. Várias tribos indígenas que viviam no litoral desapareceram. Os índios abandonaram as terras do litoral e fugiram para o interior do Brasil.

Ao chegar ao Espírito Santo, Maracajaguaçu instalou-se na ilha de Vitória. Os portugueses de imediato tentaram escravizar os índios, no que Maracajaguaçu não concordou, surgindo o conflito entre os Temiminós e os colonos. Maracajaguaçu muda-se então para Santa Cruz em 1555 e só retorna de lá, quando Vasco Coutinho pede-lhe para que se instalasse mais perto da sede da Capitania, com a promessa de que os colonos não tentariam escravizar os índios Temiminós. Prestigiado, Maracajaguaçu atende ao pedido.

 

ARARIBÓIA, HERÓI NACIONAL

Com uma tocha acessa explode o depósito do inimigo

 

Dentre os heróis nacionais sempre haverá um destaque para o Índio Araribóia, o cobra das Tempestades, fundador da Aldeia de São João (Carapina, Serra, ES) e de Niterói, filho de Maracajaguaçu e nascido no Rio de Janeiro.

Estava na Serra, no Espírito Santo, onde morava, quando por duas vezes acompanha as expedições contra os franceses e Tamoios. A primeira em 1560 e a segunda em 1564.

Das ações de Araribóia em guerra, conta-se o seguinte:

Os Franceses comandados por Villegagnon, chegaram no Rio a 10 de novembro de 1555, festivamente recebidos pelos Tamoios. Após alguns meses no Continente, alojaram-se na Ilha de Serigipe. A Ilha recebeu a denominação Francesa de Ilha Henry, em homenagem a Henrique II, Rei da França. A fortificação erguida na Ilha recebeu o nome de Forte de Coligny, em homenagem ao Almirante Francês, Gaspar de Coligny, amigo de Villegagnon e principal patrono da Expedição Francesa enviada ao Brasil para o estabelecimento da França Antártica. Posteriormente a Ilha Henri passou a ser chamada Villegagnon.

Em 1560, a Expedição de Mem de Sá  foi combater os Franceses no Rio de Janeiro. Leva Maracajaguaçu e Araribóia e outros Índios flecheiros que estavam no Espírito Santo.

No dia 15 de março de 1560, a Expedição de Mem de Sá promove um ataque à Ilha  Henri e consegue vencer, destruindo o Forte  Coligny. O ataque a Ilha  Henri está relatado em carta do padre Francês André Thevet na obra “La Cosmographie Universelle", editada em Paris, França, em 1575. Lá constam referências aos atos de bravura do Índio  Araribóia, informando que:

“Os franceses estavam certos de sua superioridade, em razão de um paiol, depósito, que possuíam na ilha”.

O paiol, depósito de armas, munições e pólvora, estavam no alto de um penhasco e os franceses, seguros de si, só vigiavam a entrada principal, único acesso disponível. O penhasco, um alto morro de pedra maciça, não possuía uma entrada fácil. Um ser humano normal teria grandes dificuldades para escalá-lo.

Araribóia distanciando-se dos demais companheiros aceita o desafio. Com uma coragem fora do normal se coloca diante do enorme penhasco, escala o mesmo do lado não visto do inimigo e com uma tocha acessa, presa nos dentes. Atingindo o alto, arremessa a tocha contra o depósito que logo explode deixando os franceses em pavor tão grande que fogem, conseguindo os portugueses e aliados uma grande vitória, que foi altamente comemorada.”

Dizem os escritores que, “não se conheceu em terras brasileiras, índio mais valente e mais fiel.”

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OBSERVAÇÃO: Permitimos a livre reprodução do conteúdo e agradecemos a citação da fonte com a inclusão de nosso link, se possível.
Fonte de Pesquisa: Borges, Clério José - Livro História da Serra, 1a. 2a. e 3a Edição - 1998, 2003 e 2009 - Editora Canela Verde - À Venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89

BIBLIOGRAFIA

Novaes, Maria Stella de - História do Espírito Santo, Vitória, Fundo Editorial do Espírito Santo.

Borges, Clério José - História da Serra, Serra, Gráfica Editora Canela Verde, 2003





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