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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR


UBT NACIONAL
U. B. T. – fundada no dia 21 de agosto de 1966.
Instalada oficialmente em 1º de janeiro de 1967.

A União Brasileira de Trovadores é uma entidade brasileira dedicada ao cultivo e à divulgação da trova, fundada em 1966 pelo poeta Luiz Otávio no Rio de Janeiro.

A UBT é dividida em seções e delegacias municipais, conforme o número de membros no município e em seções estaduais, conforme o número de cidades representadas no estado.

  FUNDAÇÃO - O jornal Trovas e Trovadores é a prova documental da fundação da UBT - União Brasileira de Trovadores.   A edição Ano I, de setembro de 1966, Nº  9 – Guanabara, circular como Órgão Oficial da UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES, como sua primeira nota, divulga :  NOVA ENTIDADE DE TROVADORES -  Com o apoio de inúmeros Trovadores de vários outros Estados, realizamos nesta cidade do Rio de Janeiro, no dia 21 de agosto próximo passado, assembléia geral de constituição de uma nova Entidade de âmbito nacional que se denominou União Brasileira de Trovadores, cujo sigla U.B.T., por sugestão do Poeta Durval Mendonça, passou também a representar nosso lema :  “ Um Bom Trabalho “.   ( Pág. 1)

Na página 4, está  registrado : Em assembléia Geral – convocada pela Imprensa- foi fundada no dia 21 de agosto de 1966 a UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES, entidade de âmbito nacional  que reunirá todos os autores da Trova.  Na referida reunião foram escolhidas as seguintes  Comissões :
U.B.T. – NACIONAL – Comissão Central Provisória – Coordenador Geral : LUIZ OTÁVIO, Vice-coordenador : Vasco de Castro Lima, Secretário-Geral : Admerval Silva de Souza.
Coordenadores :  da Guanabara : Vasco de Castro Lima,  de São Paulo : Eno Theodoro Wanke, do Estado do Rio : Jacy Pacheco, de Minas Gerais : Jorge Beltrão,  do Espírito Santo: Joubert  de Araújo Silva, do Paraná e Santa Catarina : Adalberto Dutra de Rezende, do Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal : Anatole Ramos, do Norte : Pedro Tupinambá e do Nordeste : Aparício Fernandes.
          O jornal de outubro dando mais ênfase à fundação da UBT, corrobora o acontecimento, dizendo : No dia 21 de agosto de 1966, em Assembléia Geral, foi escolhida a seguinte Diretoria provisória da UBT da Guanabara, com mandato até 31de dezembro de 1966: Presidente: Vasco de Castro Lima; 1º vice-presidente : Luiz  Otávio; 2º vice-presidente : J. G.de Araújo Jorge; 1º secretário: Magdalena Léa; 2ºsecretário : Idália  Krau; 1º tesoureiro : Augusta Campos;  2º tesoureiro: Ivo dos Santos Castro; bibliotecário : P. de Petrus; Orador oficial : Zálkind  Piatigórsky.
          De acordo com as instruções da U. B. T. Nacional  já estão marcadas as eleições para a Diretoria  definitiva (biênio 1967 – 68) para o dia 20 de novembro com a nova disposição de cargos: Presidente e vice- Presidentes : de Administração,  Cultura, Relações Públicas de Finanças, bem como para eleger o Conselho Municipal (Fiscal).
          Os jornais de novembro e dezembro de 1966 foram reservados para a publicação do Estatuto, que  às fls. 3, do de novembro, estabelece :
          Primeira parte ( disposições preliminares)  :
           I – Capítulo – nome, abreviatura, fundação e insígnia
Art. 1º - A União Brasileira de Trovadores – ou por abreviatura U. B. T. – fundada no dia 21 de agosto de 1966 e instalada oficialmente  em 1º de janeiro de 1967, é uma associação civil, cultural  e recreativa, de âmbito nacional. Sua insígnia  é o brasão que é único para todas as seções filiadas.
          II Capítulo – Sede e foro :
        A  U. B. T. Nacional  terá sede histórica  e foro na cidade do Rio de Janeiro.
Parágrafo único : As sedes administrativas  da U. B. T., nos diferentes planos  hierárquicos, serão nas cidades  onde residam os respectivos Presidentes.
TROVAS e TROVADORES de  Janeiro e Fevereiro de 1967, Nº 13 – Guanabara, registra :
          Após consultas feitas a todas as Seções e Delegados Municipais da União Brasileira de Trovadores, e aprovação pela Assembléia Geral, realizada no dia 1º de janeiro de 1967, na cidade dôo Rio de Janeiro, tomou posse a seguinte Diretoria, de acordo com o artigo 72 dos Estatutos.
         DIREÇÃO NACIONAL  da U. B. T. ( até 31 de dezembro de 1967 )
          Presidente Nacional Provisório :  Luiz  Otávio  ( Dr. Gilson de Castro )
          Vice – Presidente Nacional Provisório : Vasco de Castro Lima
          Secretário Geral provisório : Admerval Silva de Souza

          CONSELHO NACIONAL PROVISÓRIO  ( Até 1º de novembro de 1967 )
Presidente do Conselho : Vasco de Castro Lima
Eno Theodoro Wanke ( São Paulo ); Jorge Beltrão ( Minas Gerais ); Jacy Pacheco      ( Rio de Janeiro ); Joubert de Araújo Silva ( Espírito Santo ); Adalberto Dutra de Rezende ( Paraná e Santa Catarina ) Anatole Ramos ( Goiás, Mato grosso e Distrito  Federal ); Pedro Tupinambá ( Norte );  Luiz  Otávio ( Guanabara ); Aparício Fernandes ( Nordeste ).
DIRETORIA   da U. B. T. da GUANABARA :
Em Assembléia Geral dos sócios da U. B. T. da Guanabara, presidida  por Mário de Moraes Paiva, foi eleita a seguinte Diretoria e Conselho Municipal ( Fiscal ), no dia 20 de novembro de 1966, que tomou posse também no dia 1º de janeiro de 1967 :
          Presidente : Vasco de Castro Lima
          Vice – Presidente de Administração : Carlos Guimarães
          Vice- Presidente de Cultura : Joubert de Araújo  Silva
          Vice – Presidente de Relações Públicas : Magdalena  Lea
          Vice Presidente de Finanças :  P. de Petrus   ( Pedro   Bandettini )
          CONSELHO  MUNICIPAL :
          Godofredo  Cardoso; Idália  Krau ; José Maria Machado de Araújo
          Suplentes : Ivo dos Santos Castro; Maria Idalina Jacobina e Roberto  Damasceno Pinto.

                              Maria  Nascimento  Santos  Carvalho


UBT NACIONAL

FUNDADOR: LUIZ OTÁVIO

Luiz Otávio, nome literário do poeta e trovador Gilson de Castro, (na foto ao lado de Carolina Ramos e Maria Thereza Cavalheiro), nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 julho de 1916, tendo falecido em Santos, a 31 de janeiro de 1977. Filho de Octávio de Castro e Antonieta Motta de Castro, exerceu a profissão de odontólogo, tendo concluído o curso em 1936 na Faculdade Nacional de Odontologia do Rio de Janeiro. Nos idos de 1938, começou a enviar seus versos para vários jornais e revistas, como “Vida Doméstica”, “O Cruzeiro”, “Fon-Fon”, “O Malho” e outros, que começaram a publicar seus trabalhos. Nessa época, fez amizade com o trovador pernambucano Adelmar Tavares, que já residia no Rio de Janeiro, passando então a cultivar assiduamente a trova. Em 1956, Luiz Otávio, que já vinha mantendo correspondência com trovadores de todo o país, publicou a coletânea “Meus Irmãos, os Trovadores” (Editora Vecchi), contendo duas mil trovas e comentários, fruto justamente dessa troca de cartas. Essa obra é hoje considerada o marco do movimento trovadoresco no Brasil. Em 1958 ingressou nos quadros do Grêmio Brasileiro de Trovadores (GBT), com sede em Salvador (BA), presidido pelo trovador Rodolfo Coelho Cavalcanti, entidade que havia sido criada com o objetivo de congregar especialmente os poetas cordelistas do nordeste. Em 1960, juntamente com J. G. de Araújo Jorge, deu início aos Jogos Florais no país, idealizando e coordenando os I Jogos Florais de Nova Friburgo, com a inestimável ajuda dos trovadores locais. Nesse mesmo ano, durante o II Congresso de Trovadores e Violeiros, realizado em São Paulo, foi eleito o “Príncipe dos Trovadores do Brasil”. Em 1966, já Delegado do GBT para as regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste, após cisão com a direção nacional da entidade, fundou a União Brasileira de Trovadores (UBT), instalada oficialmente em 1967, a esta aderindo imediatamente todos os trovadores das regiões citadas. A sede nacional da UBT ficou, então, no Rio de Janeiro, tendo Luiz Otávio sido eleito seu primeiro Presidente. Publicou, entre outras, os seguintes livros: “Saudade, muita Saudade” (poemas, 1946), “Cantigas para esquecer” (trovas, 1956), “Meu sonho encantador” (poesias, 1959), “Cantigas de sonhos perdidos” (trovas), “Trovas ao chegar do outono” (trovas, 1965) e “Decálogo de metrificação” (ensaio, 1975). Luiz Otávio também compôs diversas canções, como o Hino dos trovadores, Hino da UBT, Hino dos Jogos Florais, Valsa das Musas e outras. Faleceu no dia 31 de janeiro de 1977, após longa e penosa luta contra uma doença rara e implacável (aniloidose), deixando aos poetas e trovadores brasileiros um legado inestimável, uma entidade que é, hoje, exemplar no mundo inteiro e responsável pela expansão e valorização da trova como gênero na literatura nacional.

A verdadeira história da fundação da UBT de São Paulo
Relato de Amaryllis Schloenbach e Maria Thereza Cavalheiro
Texto de Autoria de Pedro Ornellas

Junho de 1969 - Comparecem à Casa do Poeta de São Paulo duas sobrinhas-netas de Yde Schloenbach Blumenschein (Colombina), fundadora dessa entidade. São elas: Amaryllis Schloenbach e Maria Thereza Cavalheiro, poetisas bem conhecidas. A finalidade é, não só comunicar, como pedir apoio ao presidente da Casa do Poeta de São Paulo, Bernardo Pedroso, para que se consume na Pauliceia a fundação da desejada Seção Municipal da UBT. Tal ideia surgira de Luiz Otávio, fundador nacional da UBT, que se encontrou com Maria Thereza pela primeira vez em 1965, nos I Jogos Florais da Guanabara, nos quais ela havia obtido o seu primeiro prêmio em trova. Na ocasião, por delegação de Luiz Otávio, a premiada trovadora Antonieta Borges Alves estava empreendendo uma tentativa de agremiação de trovadores na Capital paulista. Antes dela haviam sido delegados Olímpio Franco Suannes e Orlando Brito. Antonieta, porém, já tinha certa idade, morava bem longe do centro e enfrentava dificuldades para motivar os trovadores a se reunirem. Mais adiante, por volta de 1968, a pedido de Luiz Otávio, Maria Thereza, que já havia recebido um telefonema de Antonieta, entendeu-se com essa trovadora, tomou a frente do assunto, e, contando sempre com a ajuda de Amaryllis, começou as reuniões, em endereço provisório na sede da União Brasileira de Escritores, no primeiro semestre de 1969, das quais Antonieta participou ativamente. 3 de julho de 1969 - É instalada a Delegacia da UBT Paulistana.

11 de setembro de 1969 - A Seção é oficialmente fundada, com o apoio da Casa do Poeta e de outras entidades culturais, com muita festa e grande público. O evento tem ampla divulgação e cobertura por muitos jornais e emissoras de rádio da capital e interior, e inclui apresentação musical de Inezita Barroso e Hilton Viana. É eleita a primeira Diretoria por aclamação: Presidente - Maria Thereza Cavalheiro; Vice-Presidentes: Antonieta Borges Alves, de Administração; Orlando Brito, de Cultura; Oswaldo de Barros, de Relações Públicas; Amaryllis Schloenbach, de Finanças; Vice-Presidente Suplente: Bernardo Pedroso; Conselho Fiscal: Arlindo Cândido Barbosa, Branca do Amaral Mello e Paulino Rolim de Moura; Suplentes: Elisa Barreto, Eurípedes Formiga Ferreira de Sá e Marilita Pozzoli. Desde a data de instalação, foi constituído o Jogral da UBT, composto de: Mirtes Polacchi, Cláudio De Cápua e Antônio Lafayette Natividade da Silva. Maria Thereza acrescenta que, “além dos nomes da primeira Diretoria e do Jogral, constam da Ata de Fundação da UBT Paulistana, lavrada em 11 de setembro de 1969, mais os seguintes Sócios Fundadores: Gilberto Ortiz, J. Dirceu Pacheco de Mattos, Maria Teresa Guimarães Noronha, Aurora Abril, Antônio João El-Zih, Moysés Rodrigues da Costa, Benedito Rodrigues Aranha, Lourenço Muliterno Ross, Venina Franco Ferrari, Sylvio de Souza Monteiro, Eduardo de Oliveira, Alice de Paula Moraes, Orestes Rodrigues de Carvalho, Marcondes Verçoza, Mercedes Milano, Sand Lys Young, Maria Sílvia Olivo e José Ferreira Baptista. Nos anos seguintes, com o falecimento de Arlindo Cândido Barbosa, Branca do Amaral Mello e Bernardo Pedroso; com a ausência de Orlando Brito; e por terem, em seguida à instalação, Paulino Rolim de Moura e Elisa Barreto se desligado da UBT, outros nomes vieram a fazer parte da Diretoria: Antônio Lafayette como vice-presidente de Cultura, cargo também antes ocupado interinamente por Flávio Szterling; Alice de Paula Moraes, Benedito R. Aranha, Maria Rosa Moreira Lima, Afonso Vicente Ferreira, Maria Teresa Guimarães Noronha, Zilda Xavier Polastro, Darci Marcondes e Neide Radi. Eram também associados: Marília Fairbanks Maciel, Ana Braga Paz, Gaia Gomes, Jandira Santos Plazio, José Aprígio Nogueira, José Soares Cardoso, Messias de Mello Cabral, Geraldo Pimenta de Moraes, Sylvia Thiollier Pereira de Almeida, Yvone de Figueiredo Pereira, Nair T. Pallamin, Ralpho Lenzi, Sirley Bertoni e Aracy S. Bertoni.” Pelas listas de assinaturas anexadas às Atas, outros nomes podem ser lembrados, como: Abguar Bastos, Adelino Ricciardi, Oduvaldo Batista, Paulo da Silveira Santos, Santos Mendes, Mario Garcia-Guillén, Paola France Vespi, Fanny Souza Dupré, Marina Tricânico, Sylvia Abigail Ramos, Alípio Donizeti da Silva, Maria Cecília Bellochi França, Edwiges C. Voillet, Odila Marcondes da Silva, Iraci Pereira, Carmen Sílvia De Cápua, Vera Marques, Rosa Cioni Rosa, Wanda Wello, Clóvis Moura, Lourdes Bernardes, Danilo Umburanas, Maria de Lourdes Teixeira Santos, Alarico Gonçalves Santos, Gil Bráulio, Raul de Roberto, Miguel Santoro, Anita Branco Masella, Oswaldo Raso, Jurema e Iria Recchia, Ulpiano Natividade Silva, Esbela Vieira, Deborah Ferrrari, Sophia Leite Cruz, Nelly L. A. de Barros, Diva C. de Oliveira, Elvira Faro, Elvira Gamero, L. Marques, Lygia B. B. Skal, Luíza Lindenberg, Norma Cury da Cunha, Isaías Teves, Sérgio Carlos Covello, Augusto Kuhl, Nestor Gonçalves, Edith Nunes Pereira da Silva, Regina Dinon, Dolores Pastor (Relações Públicas da Sonksen), Aristheu Bulhões (da UBT de Santos) e muitos mais.” Havia também os que frequentavam as reuniões como visitantes (ou como Sócios Beneméritos). Conforme lembrou um dos fundadores, “a UBT contou com participantes assíduos como Noêmia de Andrade, Júlio de Mello e Silva, Analice Feitoza de Lima, Semíramis Mourão, Joaquim Garcia Lopes, Anatalino Motta, Lypetruites, Néa Simões e mais umas duas dezenas de poetas.”

No decorrer dos tempos, a UBT Paulistana conferiu títulos de Sócio Benemérito às seguintes pessoas: Laudo Natel, Inezita Barroso, Hilton Viana, Rubens Moraes Sarmento, Hélio de Aguiar, Kalil Filho, Raimundo de Menezes, Caio Porfírio Carneiro, Vitu do Carmo, Luiz Wanderley Torres, Benevides Beraldo, Daphnis C. de Lauro, Odárcio Oliveira Ducci, Evaristo de Carvalho, Belmiro Macário, Luís Orquestra, Reinaldo Di Giorgio, Roberto de Carvalho, Samuel Tavares Filho, Raul Tiago, Jaime Alves da Silva, Aurélio Ortiz Benitez (Cônsul do Paraguai), Esteban Britez, Papi Suarez, Juan Carlos Herrera e outros. O período em que MTC presidiu a UBT, de 1969 a 1976, mercê de sua atuação dinâmica, em parceria com Amaryllis, foi marcado por uma atividade jamais igualada em qualquer outra época. Disse um informante que “as reuniões da UBT, a esse tempo, contavam com cerca de duzentas pessoas na assistência, e eram precedidas de intensa divulgação nas rádios e jornais de São Paulo, por parte de Amaryllis e Maria Thereza. Muitas vezes, a direção da UBT contou com o apoio do radialista Oswaldo de Barros e de Cláudio De Cápua na divulgação.” “As reuniões da UBT, a esse tempo, contavam com cerca de duzentas pessoas na assistência, e eram precedidas de intensa divulgação nas rádios e jornais de São Paulo.” “Houve o apoio de muitos trovadores durante a gestão de MTC - diz Amaryllis - com numerosas reuniões, e a UBT promoveu vários eventos, também com a presença de inúmeros simpatizantes. Nesses anos, a repercussão foi grande na Imprensa de São Paulo, mesmo na do Brasil, nos grandes jornais e nos ditos alternativos, além do Rádio e da Televisão. Foi um sucesso marcante a ‘Noite do Trovador’, que promovemos em plena praça, com grande público, sorteio de livros, prendas, apresentações lítero-musicais, a qual foi encerrada com a participação de duas Escolas de Samba em evolução junto ao palanque, depois a estender-se pela avenida, acompanhadas pela alegria do povo que festejava conosco.” “Nesses anos, a repercussão foi grande na Imprensa de São Paulo, mesmo na do Brasil, nos grandes jornais e nos ditos alternativos, além do Rádio e da Televisão.” – Amaryllis

A meu pedido MTC quebra o silêncio de 35 anos e fala sobre a fundação da UBT, sua atuação e posterior afastamento da presidência. Ampliando o que outros citaram, ela diz: “Como presidente, preparei para a revista ‘Capricho’, em setembro de 1973, o livreto ‘O amor na Primavera’, no qual ensinava a fazer trova, e acrescentava miniantologia; fiz também o programa ‘Trovas e Poesias’ na TV Gazeta; realizei seleções de autores vários para ‘Gotas de Pinho Alabarda’; promovi a distribuição de trovas em folhetos coloridos na ‘Noite do Trovador’. Preparei e distribuí Boletins com concursos da UBT; realizei concursos internos, dei prêmios, sorteei prendas, livros e rosas vermelhas, sempre angariados; convidei cantores profissionais amigos, que se apresentaram em reuniões por cortesia. Incluí 100 trovas em minha ‘Nova Antologia Brasileira da Árvore’, com distribuição gratuita no coquetel de lançamento, em 1975, na Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Turismo de São Paulo, ao qual compareceram, entre outras personalidades, Luiz Otávio e Carolina Ramos (... só de jornais da UBT Municipal de São Paulo, que fundamos, tenho uma pasta de 200 folhas com notícias e reportagens); guardo livros autografados, fotos e outras preciosidades. Revendo essa pasta de publicações, observei um Relatório Anual da UBT Nacional (1969) que registra nossa remessa à presidência de ‘recortes e cartas que demonstram o eficiente trabalho’ da Seção. Até o final de minha gestão cumpri fielmente os Estatutos; enviei os Relatórios e contribuições pecuniárias de praxe. Amaryllis que, além de vice, era também secretária a título de colaboração, fazia as Atas das reuniões. A maioria de todas as despesas não se originava de mensalidades, mas de nosso próprio bolso. Guardo, como num relicário, elogios e palavras de apreço de Luiz Otávio, em seu nome e no da UBT Nacional, em várias oportunidades, assim como de Carolina Ramos e Carlos Guimarães. Se necessário poderia ainda rever meus arquivos e acrescentar outros informes.” “Até o final de minha gestão cumpri fielmente os Estatutos... A maioria de todas as despesas não se originava de mensalidades, mas de nosso próprio bolso.” - MTC

Todos esses fatos revelam que esse período inicial da UBT/SP foi um retumbante sucesso e não um vergonhoso fracasso, conforme sugerido pelo tratamento dado a ele na gestão subsequente. Sendo assim, o que fez com que fosse interrompido? Maria Thereza abdicou do cargo em 1976. Por quê? Uma versão diz que ela ‘abandonou o barco’, simplesmente foi embora. Faz sentido? Não para mim. Ninguém em sã consciência tira o time de campo ganhando de goleada. O raciocínio lógico me diz que por trás de ações há motivações, ou justificativas. E o senso de justiça, guiado pelo conhecimento cristão, dita que antes de condenar temos de conhecer todos os fatos e entender as razões. MTC nos fornece o motivo de sua saída: “Estive à frente da UBT Municipal de São Paulo de maio de 1969 ao fim de 1976, quando me afastei por estar doente... Sofri, em 1976, uma grave operação. Estava também mal dos olhos, com dificuldade para ler, e até hoje tenho restrições. Apesar de tudo tinha de trabalhar fora – o que faço até hoje, graças a Deus!” Isso é confirmado pela prima e amiga de todos os momentos, Amaryllis: “Em 1976, por motivo de doença, quando sofreu uma intervenção cirúrgica, foi preciso afastar-se da UBT Paulistana, passando o cargo ao vice-presidente imediato...” Embora esse tenha sido o motivo parece que outros fatores contribuíram: oposição, críticas amargas, que podem ter desanimado MTC de continuar, além de outras dificuldades. Tenho testemunhos de que ela foi vítima de intrigas, mas não pretendo divulgar já que meu objetivo não é reabrir feridas fechadas (conforme ela mesma classifica), mas dar a conhecer a verdade sobre o que aconteceu, ensejando possíveis reparações. Seja como for, nada justificaria a supressão dessa parte empolgante da história, retendo os méritos de MTC e de sua equipe, e privando os trovadores e amigos da trova de, por desconhecimento dos fatos, lhes darem o devido reconhecimento. Sobre o que aconteceu após sua saída, MTC lamenta: “Eu nunca ouvi falar que a nossa Seção, instalada com a presença de Carolina como presidente estadual, e representando Luiz Otávio, presidente nacional, que enviou mensagem, em grande festa em setembro de 1969, pudesse estar ‘extinta’. O que eu soube é que o Lafayette, o vice-presidente de Cultura que deveria suceder-me (o que de fato fez), foi DESTITUÍDO de repente por Josias de Paiva Pinheiro, então presidente estadual da UBT, que indicou outra pessoa para substituí-lo (Carolina havia passado a presidente regional). Eu mesma não fui informada de nada, mas sabia que o Lafayette (por sinal, criatura de fino trato e poeta talentoso) estava com a mãe e a esposa, ambas com doença gravíssima e não conseguiu marcar reunião sob sua direção no prazo desejado. A mãe dele, Marta, que eu conheci, faleceu de câncer em 1978. Sua esposa também veio a falecer.” MTC não quer falar sobre isso, mas Amaryllis desabafa: “Ela se calou, para não criar polêmica, e não trazer publicidade negativa ao Movimento Trovadoresco... A mágoa de Maria Thereza, agora desfeita pela sua inspirada intervenção, foi ter sido relegada e injuriada por muitos daqueles que ela continuou a divulgar e a dar crédito literário, no decurso de seu perene trabalho em favor da trova.”

A maneira de MTC lidar com a situação confirma sua nobreza de caráter, e está de acordo com todos os depoimentos que coletei a respeito dela em minha pesquisa. Ela jamais usou o poder da palavra e as oportunidades que seu prestígio lhe dão, de trânsito livre por muitos meios de comunicação, para se queixar do tratamento injusto que recebeu nem atacar quem quer que seja. Pelo contrário, sempre usou esses meios para promover a trova e colocar em evidência muitos trovadores, o que continua fazendo, tanto quanto lhe permitem as limitações impostas pelos seus 82 anos bem vividos, e que, segundo ela, “começam a pesar”. Maria Thereza recebeu inúmeras honrarias como poeta, advogada, escritora, conferencista, pesquisadora, tradutora, jornalista e ecologista. Apesar de ter sua atuação reconhecida em todas essas áreas, ela confessa que seu amor pela trova se eleva acima de tudo o mais, e sua história de vida comprova isso. Poucos fizeram tanto pela trova como MTC. É inacreditável que seu trabalho jamais tenha sido valorizado pela UBT, embora o seja por muitos de seus afiliados! O que passou, passou, é verdade. A UBT é hoje dirigida por muitas pessoas de mentalidade aberta, com novas ideias, e com certeza a grande maioria nem tinha até agora conhecimento dos fatos aqui apresentados. Embora ainda haja quem imponha sua própria vontade, acredito e convoco meus irmãos trovadores como testemunhas, que este assunto receberá a atenção que requer, e que haverá empenho dos dirigentes nacional, regional, estadual e municipal no sentido de restaurar a verdadeira história da UBT Municipal de São Paulo, dando-se o devido crédito à Maria Thereza, Amaryllis, Cláudio De Cápua e demais poetas, injustamente relegados ao esquecimento por quase quarenta anos!

Algumas atividades e consecuções que marcaram a trajetória de Maria Thereza Cavalheiro: - Assinou a coluna “Trovas” desde 1973, em diversos jornais, entre os quais: "Ultima Hora", "A Gazeta Esportiva" e "Notícias Populares", de São Paulo-SP. - Mantém a coluna “Trovas” no jornal “O Radar”, de Apucarana-PR, editado por Rosemary Lopes Pereira, desde 1977, ou seja, por 34 anos, recorde absoluto no gênero. Inclui entrevistas, biografias e trovas de muitos autores. - Desde fevereiro de 1994 tem sua coluna na revista “BALI”, de Itaocara-RJ, editada por Kleber Leite, com o mesmo teor acima. - Publica artigos variados na revista “Tradição”, de Maringá-PR, editada por Jorge Fregadolli. - Publicou "Trovas", sempre de autores vários, na revista da Ed. Sublime “Simpatias que curam" (ext.), e nas revistas da Ed. Abril "A Sorte e Você"(ext.), "Capricho" e "Carícia". - Por muitos anos, forneceu seleção de trovas de vários autores para a hoje extinta fábrica das "Gotas de Pinho Alabarda", de São Paulo-SP, que as divulgava em adesivos, dentro dos saquinhos de balas. - Apresentou no programa “Linfor em Tempo de Mulher”, semanal, na Televisão Gazeta, o quadro "Trovas e Poesias". - Entrevistou, entre outras personalidades, o escritor Guilherme de Almeida, seu padrinho literário: http://guilhermedealmeida.blogspot.com/2009/04/entrevista.html - Entrevistou, em 1971, Jorge Amado, e foi a ela que o Escritor fez a célebre declaração: “Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo. É através da trova que o povo toma contato com a poesia e sente sua força. Por isso mesmo, a trova e o trovador são imortais.” - Publicou dois livros ensinando a fazer trova: “Segredos do Bom Trovar” (com miniantologia) e “Trovas para Refletir” (na I parte trovas de sua autoria e, na Parte II, estudo sobre métrica e versificação, com exemplos de trovadores falecidos). - Publicou artigos ensinando a fazer trova nos jornais e revistas em que assinava “Trovas”, e ainda no jornal de empresa “A Família IOBiana”, de São Paulo-SP, e no “Almanaque Santo Antônio”, de Petrópolis-RJ, da Vozes, e há três anos, faz, com Amaryllis, a triagem de trovas para os produtos sazonais dessa Editora.






PRESIDENTES NACIONAIS DA UBT
UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES

A Trova tomou-me inteiro,
tão amada e repetida,
que agora traça o roteiro
das horas da minha vida!…
LUIZ OTÁVIO


Meu lenço, na despedida,
tu não viste, em movimento:
lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento.
CARLOS GUIMARÃES


Não tolham minha vontade,
mesmo em risco de fracasso…
Quero ter a liberdade
de errar por meu próprio passo!
JOÃO FREIRE FILHO


No engenho do desencanto
vou moendo a soledade
e destilando o meu pranto
no alambique da saudade!
EDUARDO A. O. TOLEDO


Aos jovens dou um conselho,
nesta vida tão incerta:
não se olhem tanto no espelho
pois Narciso é morte certa!
LUIZ CARLOS ABRITTA


A mamãe cura o dodói,
afaga, põe atadura,
e o rosto de seu herói
se lambuza de ternura!
DOMITILLA BORGES BELTRAME


Nomes que presidiram/presidem a UBT desde sua fundação. O primeiro, seu fundador, foi Luiz Otávio, que faleceu em 1977, quando assumiu Carlos Guimarães. Com o falecimento deste, em 1997, assumiu João Freire Filho, que foi o primeiro deles a passar o cargo ainda em vida. Seu sucessor, Eduardo Toledo, respondeu pela entidade de 2004 a 2011. Luiz Carlos Abritta, o atual presidente, tendo cumprido apenas um mandato de dois anos, passa o bastão, a partir de janeiro de 2014, a Domitilla Borges Beltrame, primeira mulher, na prática, a comandar a UBT.



O QUE É UMA TROVA?

Definições - Metrificação - Como contar o Verso.
Saiba tudo sobre esta singela forma de Poesia


Na foto o Presidente do CTC, Clério José Borges, ministrando uma aula na Oficina Literária de Trovas, na Cidade da Serra, ES.

Estudantes da Cidade da Serra assistindo as aulas de Clério José Borges sobre Trovas e Origem da Serra



DEFINIÇÃO DE TROVA

A Trova é uma composição poética, ou seja, uma poesia que deve obedecer as seguintes características:

1- Ser uma quadra. Ter quatro versos. Em poesia cada linha é denominada verso.

2- Cada verso deve ter sete sílabas poéticas. Cada verso deve ser setessilábico. As sílabas são contadas pelo som.

3- Ter sentido completo e independente. O autor da Trova deve colocar nos quatro versos toda a sua idéia. A Trova difere dos versos da Literatura de Cordel, onde em quadra ou sextilhas, o autor conta uma história que no final soma mais de cem versos ou seja, linhas. A Trova possui apenas 4 versos, ou seja, 4 linhas.

4- Ter rima. A rima poderá ser do primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto, no esquema ABAB, ou ainda, somente do segundo com o quarto, no esquema ABCB. Existem Trovas também nos esquemas de rimas ABBA e AABB.

Segundo o escritor Jorge Amado:

"Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova e o Trovador são imortais"

Todo Trovador é poeta mas nem todo poeta é trovador. Nem todos poetas sabem metrificar, fazer o verso medido.

Poeta para ser Poeta precisa saber metrificação, saber contar o verso. Se não souber o que é escansão , ou seja, medir o verso, não é Poeta.

Eis alguns exemplos de Trovas:

Nesta casa tão singela

Onde mora um Trovador

É a mulher que manda nela

Porém nos dois manda o amor.

Clério José Borges

Ficou pronta a criação

Sem um defeito sequer,

E atingiu a perfeição

Quando Deus fez a mulher.

Eva Reis



Um pouco sobre a métrica

Métrica é a arte que ensina os elementos necessários à feitura de versos medidos. A métrica é obtida pela contagem das sílabas e o ritmo pelas cesuras. Você sabe metrificar e ritmar ?

Uma regra

A última sílaba que se conta é a tônica da última palavra. Ex.- 7 Sílabas:

Eu vi mi-nha mãe re-zan-do
Aos pés da Vir-gem Ma-ri-a
E-ra u-ma San-ta es-cu-tan-do
O que ou-tra San-ta di-zi-a

Outra regra

Quando uma palavra termina por vogal átona e a seguinte começa por vogal ou ditongo, conta-se uma sílaba só. Diz-se que há embebimento de uma sílaba na outra. Ex.:

Ou vin do a fa la ao ven to. São 6 sílabas.

Mais uma regra

Para atender à métrica, hiatos podem transformar-se em ditongos (Sinérese)e ditongos transformar-se em hiatos (Diérese) Ex

Su-a-ve por Sua-ve (3 viram 2)
Sau-da-de por Sa-u-da-de (3 viram 4)

Cesuras

Não esqueça que o que dá ritmo à poesia são as cesuras. São as sílabas tônicas que devem existir obrigatoriamente no interior dos versos, quando tenham mais de sete sílabas.

Nos decassílabos Sáficos - 4ª - 8ª - 10ª - Ex.:
Ia Bar-sa-nul-fo pe-lo ver-de pra-do
Nos decassílabos Heróicos - 6ª - 10ª Ex
Tra-ba-lho nas no-ve-las nun-ca ve-jo

E.T. O verso Alexandrino legítimo tem cesuras na 6ª e 12ª. Se tiver na 4ª, 8ª e 12ª. será um Dodecassílabo Quaternário. Não necessariamente um Alexandrino.


Trova

A trova é uma composição poética de quatro versos de sete sílabas poéticas, que tem de ter rima no mínimo da 2ª com a 4ª linhas (versos). Preferível será rimar também a 1ª com a 3ª.

Encontra-se em trovas mais antigas rimas da 1ª com a 4ª e da 2ª com a 3ª. Há também 1ª com 2ª e 3ª com 4ª, além de outras. embora o tipo enunciado no primeiro parágrafo seja o mais usado atualmente.

A trova, para ser bem feita, tem de ter um ACHADO. Achado é algo diferente e que faça valer a pena ler a trova. Adelmar Tavares diz

"Nem sempre com quatro versos
setissílabos, a gente
consegue fazer a trova;
faz quatro versos, somente"

No livro "Como Fazer Trovas e Versos", de Eno Teodoro Wanke, ele faz interessante observação a esse respeito.Mostra a trova de um autor e a correção por outro trovador, dando-lhe mais qualidade.Acompanhemos o exemplo:

Trova de João Cândido, publicada no ano de 1894:

O filho do carpinteiro
foi um artista profundo
o que fez esse luzeiro ?
Fez um conserto no mundo.

Raul Pederneiras (1874-1973), lá pelos idos de 1916, depois de tomar bons goles de vinho, saiu-se com esta:

O filho do carpinteiro
foi um artista profundo:
com três cravos e um madeiro
fez a redenção do mundo !

Com apenas 28 sílabas temos a história do Cristianismo, mostrando o que ele significa. Outro exemplo:

Tua boca todos sabem
é tão pequena e singela
que eu não sei como é que cabem
tantos beijos dentro dela.

Na revisão, foi mudada.

Tua boca é tão pequena
tão pequena e tão singela
que não sei como é que cabem
tantos beijos dentro dela.

Rimou apenas a 2ª com a 4ª, mas ficou mais bonita e expressiva.

Nota - Comece a trova sempre com letra maiúscula. A partir do segundo verso use letra minúscula, a menos que a pontuação indique o início de nova frase. Nesse caso, use a maiúscula novamente.

Aprenda a trovar fazendo poesia de qualidade


 

Trovismo: Movimento cultural em torno da Trova no Brasil, surgido a partir de 1950. A palavra foi criada pelo poeta e político falecido J. G. de Araújo Jorge. O escritor Eno Teodoro Wanke publica em 1978 o livro "O Trovismo", onde conta a história do movimento de 1950 em diante.

Neotrovismo: É a renovação do movimento em torno da Trova no Brasil. Surge em 1980, com a criação por Clério José Borges do Clube dos Trovadores Capixabas. Foram realizados 20 Seminários Nacionais da Trova no Espírito Santo e o Presidente Clério José Borges já foi convidado e proferiu palestras em diversas cidades do Brasil. Em 1987 concedeu inclusive entrevista a Jornalista Leda Nagle, em Rede Nacional, no programa "Sem Censura" da TV Educativa do Rio de Janeiro.


O Trovador Literário é aquele que sabe fazer a Trova, imprimindo espontaneidade, graça, beleza e sabedoria, tal qual a cultivaram poetas brasileiros de renome, como Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor,

finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente.


Olavo Bilac:

Mulher de recursos fartos!

Como é que está impenitente,

tendo no corpo dois quartos,

dá pousada a tanta gente?


Menotti Del Picchia:

Saudade, perfume triste

de uma flor que não se vê.

Culto que ainda persiste

num crente que já não crê.


Mário de Andrade:

Teu sorriso é um jardineiro,

meu coração é um jardim.

Saudade! Imenso canteiro

que eu trago dentro de mim.


Cecília Meireles:

Os remos batem nas águas:

têm de ferir para andar.

As águas vão consentindo

- esse é o destino do mar.


Carlos Drumond de Andrade:

Solidão, não te mereço,

pois que te consumo em vão.

Sabendo-te, embora, o preço,

calco teu ouro no chão.


Métrica:

A primeira coisa que deve ficar bem clara quando se fala em metrificação de versos é que na poesia contamos sons e não sílabas. Na trova não é diferente, e quando dizemos que a trova deve Ter sete sílabas, fica bem claro que queremos dizer sons, ou sete sílabas fônicas. São várias as diferenças entre sílabas gramaticais e as sílabas fônicas, onde destacamos: na poesia só contamos até a última sílaba tônica (som mais forte) da última palavra de cada verso, desprezando os demais sons. Se, por exemplo, o verso terminar com a palavra "pássaro", a sétima (e última) sílaba do verso deve ser "pá". Se terminar com "trova" será "tro" e se for amor será "mor".

Rima:
Um dos elementos indispensáveis na trova é a Rima. Por isto ela merece um pouco da nossa atenção e sobre ela teremos algumas considerações. Rima de uma palavra qualquer é o som que se inicia na vogal da sílaba tônica e vai até o fim desta palavra. A rima de "fim", por exemplo, é im, de "gente" é ente, de "dúvida", úvida e assim por diante.

A chamada rima de cada verso é a rima da última palavra deste verso e quando duas palavras têm rimas iguais, diz-se que elas rimam entre si. Desta forma, "morta" rima com "porta", "flor" com "amor", "partida" com "vida", etc.

As rimas têm diversas classificações que podem ser encontradas em qualquer tratado de versificação. São elas: pobres ou ricas, raras, preciosas, esdrúxulas, etc. Não entraremos em detalhe sobre estas considerações por acharmos desnecessárias neste estudo rápido. Há quem acredite que quanto mais difícil a rima, tanto melhor para o enriquecimento do verso. Para a trova, no entanto, isto não ocorre porque, sendo expontânea e de gosto popular, o melhor é que suas rimas sejam bem naturais. O importante mesmo é que elas estejam perfeitamente encaixadas no contexto da trova e não entrem apenas para rimar.

Todo trovador deve ter, para consulta, um Dicionário de Rimas.
Citamos os mais fáceis de ser encontrados:
           Dicionário de Rimas Costa Leite;
           Dicionário de Rimas Guimarães Passos;
           Dicionário de Rimas da Língua Portuguesa, de José Augusto Fernandes.
           Dicionário de Rimas da Lola Prata.

Exemplos:

                        Meu / len / ço / na / des / pe /di/ da,
                        Tu / não / vis / te em / mo / vi / men / to.
                        - Len / ço / mo / lha / do, / que / ri / da,
                        não / po / de a / gi / tar- / se ao / ven / to...
                                                CARLOS GUIMARÃES

                        Pro / sse / gue a / can / tar, / in / sis / te,
                        Mes / mo a / so / frer / e a / cho / rar,
                        Que / pi / or / que um / can / to / tris / te
                        É u / ma / vi / da / sem / can / tar!
                                                LUÍZ OTÁVIO

                        Mi / nhas / ne / tas / sem / pre / rin / do,
                        São / meu / a / le / gre e / van / ge/ lho.
                        Mus / go / ver / de / re / ves / tin / do
                        De es / pe / ran / ça, um / mu / ro / ve / lho.
                                                LILINHA FERNANDES
 

DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DA UBT

AUTORIA: LUIZ OTÁVIO - acróstico: SÃO FRANCISCO

Simplicidade - Sendo a trova a expressão mais simples da poesia e, pois, um reflexo da alma do trovador, devemos agir sempre com simplicidade na arte, nas palavras e nas ações.

Amor – Nosso padroeiro São Francisco de Assis - pregou o amor total. Assim, não nos devemos afastar deste ensinamento. Amor ao próximo, à nossa arte, mas também à UBT. Em outras palavras, fidelidade à nossa agremiação.

Ordem - Sem ordem, disciplina, responsabilidade – de dirigentes e sócios- não poderá haver progresso, segurança e paz. Faremos tudo para manter esta ordem, a fim de que possamos atingir nossos objetivos, elevando culturalmente o meio social em que vivemos.

Fraternidade - Todas as religiões pregam a fraternidade. O “pobrezinho do Assis”, ao fundar a sua Ordem, denominou seus companheiros de “Irmãos”. Nós que recebemos de Deus o dom da Poesia, mais do que ninguém, devemos ser, verdadeiramente, Irmãos Trovadores. Mas sem esquecer que a Bondade deve ser justa, o Perdão sem humilhações e a Tolerância sem fraqueza.

Renúncia – A Renúncia pode ser resumida em não querer tirar proveito da Associação para si, mas ao contrário, em dar algo de si para a mesma.

Autenticidade - Se desejamos fazer parte de uma comunidade devemos ser autênticos. E autenticidade exige lealdade, cooperação e trabalho.

Neutralidade - A U.B.T. tem finalidades definidas. Dentro de nossa Associação, os sócios devem abster-se de debates políticos e religiosos. A neutralidade deve ser compreendida, também, no sentido de isenção e imparcialidade, em nossos trabalhos de direção e julgamento.

Comunicabilidade - Se a Trova é o gênero mais comunicativo, nós, Trovadores devemos cultivar a comunicabilidade não só entre nós da U.B.T., mas também, com a sociedade que nos cerca.

Idealismo – Temos um Ideal em comum. Ideal simples de espiritualidade e de beleza. Na conquista deste Ideal devemos trabalhar com fé e, também, com dinamismo e perseverança.

Sinceridade – Se a todos os empreendimentos elevados é indispensável a sinceridade, nós, como artistas e trovadores, em nossas atividades repudiamos a mentira, a deslealdade, a intriga e a má fé.

Controle – Os dirigentes devem saber controlar, com habilidade e segurança, o setor que lhes foi dado para dirigir, zelando pela disciplina, pois dessa atuação, é que decorrem a uniformidade, a unidade e força de nossa Agremiação.

Obediência - Obedecer não é humilhante. Há na vida de nosso Padroeiro a lição:- ”Quem sabe obedecer, aprendeu a vencer-se e a triunfar”. A liberdade não afasta os princípios de ordem, disciplina e obediência. Aquele que sabe obedecer, que possui espírito de equipe, que acredita realmente na Lei, é o que poderá, com maior êxito, ser bom dirigente. A obediência aos nossos Estatutos, Regimentos e Declaração de Princípios é o que traz a ordem, a paz, a união, e faz a grandeza de nossa UBT- União Brasileira de Trovadores.


Bibliografia:

1. BORGES, Clério José - O Trovismo Capixaba - Editora Codpoe - Rio de Janeiro, 1990. 80 páginas. Ilustrado.

2. Literatura Brasileira - Willian Roberto Cereja e Thereza Analia Cochar Magalhães - Editora Atual. São Paulo - 1995.

3. Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa - José de Nicola e Ulisses Infante - Editora Scipione. São Paulo - 1995.

4. Textos e matéria dada em sala de aula para 1° e 2° ano do 2° grau nos anos de 1996 e 1997 pelo professor Ádino, no Colégio WR.

5. Coleção Objetivo - Literatura I e II (Livros 26 e 27) - Prof. Fernando Teixeira de Andrade - Editora Cered. São Paulo.

6. Ana Cristina Silva Gonçalves – Texto na Internet.

7. A TROVA – Eno Theodoro Wanke – Editora Pongetti, 1973 – Rio de Janeiro – 247 páginas.

8. Texto na Internet do Trovador Nilton Manoel da UBT.


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